Uma virada em prol da administração e dos cidadãos
Município do interior paulista, que iniciou projeto de Cidade Digital em 2010, planeja implementar serviço de informação pública em televisões instaladas em ônibus
O depoimento do diretor de tecnologia da informação de Rio Claro, cidade a 170 km de São Paulo, não difere muito da realidade enfrentada todos os dias por funcionários públicos responsáveis pela organização dos sistemas de informática de qualquer prefeitura. “Possuíamos servidores [computadores] obsoletos, sistemas que não conversavam, não tínhamos portal, não podíamos oferecer serviços aos cidadãos, e o sonho da internet gratuita era totalmente inviável”, afirma Everaldo de Arruda.
A frustração, no entanto, serviu de combustível para a virada da cidade tanto em termos tecnológicos quanto em serviços para o cidadão. “As coisas mudaram e mudaram muito”, garante Arruda.
Se no início de 2009 a prefeitura de Rio Claro contava com máquinas defasadas e não conseguia se comunicar com os contribuintes, hoje o poder público possui um moderno portal, servidores potentes e um link que cobre 100% do território da cidade. E ainda está prestes a implementar um serviço multimídia de informação pública, a ser iniciado na frota de ônibus da cidade.
Com apoio dos governos federal e estadual, o município, num projeto orçado em R$ 2 milhões, adquiriu equipamentos e desenhou um plano que culminou com a oferta gratuita de internet e a introdução do “Cartão Cidadão”, que reunirá todas as informações públicas do rioclarense para que seu atendimento seja ágil toda vez que ele necessitar de auxílio ou dados governamentais.
Hoje, a cidade conta com uma rede de fibra óptica de 50 Mbps, contratada à Telefônica, suficiente para a a rede governamental e para garantir uma navegação de 128 Kbps aos cidadãos. A partir de 13 pontos de acesso sem fio, é possível acessar a internet em todo o município desde junho, meses depois de a prefeitura obter a licença de funcionamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Para navegar, é necessário preencher um cadastro e levar a documentação à prefeitura, sob pena de bloqueio da autorização. De acordo com o poder público, 28 mil pessoas desfrutam da rede aberta – cerca de 10% da população de 190 mil habitantes. Além de poder acessar qualquer página, os cidadãos obtêm serviços da prefeitura por meio da rede mundial de computadores. Um centro de controle operacional e um chat foram disponibilizados pela diretoria de tecnologia da informação para sanar dúvidas e dar dicas de como utilizar melhor o serviço público.
Segundo a prefeitura, os maiores beneficiados são os moradores das áreas rurais, que agora têm mais facilidade de acesso aos serviços, pois não precisam se deslocar. Mesmo que não tenham máquinas em casa, eles podem acessar um dos 20 totens instalados ou utilizar os equipamentos disponíveis nas escolas.
Os moradores interessados em obter informações sobre a cidade e sua administração em breve também poderão fazê-lo nos ônibus municipais. O projeto prevê a instalação de telas de 19’ na frota para levar dicas de saúde, moradia, educação, entre outros, além de dados sobre as atividades do poder municipal e notícias. “Este sistema é muito parecido com o que o Metrô de São Paulo possui”, afirma Arruda.
Administração
Do lado da administração pública, a rede interligou escolas e postos de saúde, além dos prédios públicos por meio de uma rede sem fio com 434 pontos de acesso. A tecnologia possibilitou a instalação de programas de telefonia via IP, o que deve proporcionar economia de recursos. O montante a ser poupado ainda não foi calculado, de acordo com a diretoria de TI. Além disso, a iniciativa possibilitou a modernização do sistema de cálculo de impostos e a emissão de boletos de pagamento, atividades que ficaram mais simples e rápidas.
O próximo passo será a implementação do “Cartão Cidadão”, sistema que até dezembro reunirá as informações dos cidadãos em um só cadastro. A medida vai agilizar o atendimento em hospitais e escolas.
O município também instalará 77 câmeras de vigilância com o apoio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do governo federal. A instalação desses equipamentos custou R$ 1,3 milhão, do qual R$ 400 mil foram desembolsados pela prefeitura. O objetivo é aumentar a segurança da população e monitorar melhor o trânsito da cidade.
Data: 25 de novembro de 2011
Autor: Marcelo Medeiros