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Uma pedra no meio do caminho

Na hora de projetar uma Cidade Digital, muitos fatores precisam ser considerados. Topografia, preço, experiência da equipe a ser empregada, alcance do sinal e largura da banda são apenas alguns deles. A escolha e estudo de todas as variáveis envolvidas no processo de instalação de antenas são fundamentais para o sucesso da iniciativa. Afinal, problemas sempre surgem no meio do caminho e uma equipe bem preparada garante o bom aproveitamento de recursos e tempo.

Especialistas com participação em diferentes iniciativas apontam os principais obstáculos para o desenvolvimento de projeto. O recém-inaugurado Campo Bom Digital, do pequeno município de 60 mil habitantes da Grande Porto Alegre, por exemplo, sofreu com a falta de experiência dos técnicos empregados na construção de uma rede tão ampla.

“O que mais nos atrapalhou foi a ausência de know-how de nossa equipe. Os contratados são excelentes, mas pouquíssimas pessoas no País já participaram de um projeto dessa envergadura”, diz Miguelito Medeiros, coordenador de Comunicação da prefeitura de Campo Bom e um dos responsáveis pela iniciativa. Campo Bom hoje oferece acesso à internet via Wi-Fi a todo seu território por meio de quatro antenas.

“Empresas e técnicos sabem perfeitamente abrir um sinal para o espaço de um shopping, mas dentro da cidade encontra problema. Há muitas variáveis, como interferência da rede elétrica, fuga de freqüência, geografia, entre outros”, explica.

Problemas de dimensionamento, físicos e financeiros

Quando conversou com o Guia das Cidades Digitais para a matéria “CNM aposta na conectividade”, Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional de Municípios, apontou a falta de conhecimento dos prefeitos como um dos problemas mais comuns, mas comemora a melhoria nesse aspecto. “Passamos da fase em que as administrações encaravam o investimento em tecnologia como custo, ao invés de investimento que pode trazer benefícios para o dia a dia da prefeitura e para a população”, celebra.

Um dos exemplos dados foi de um prefeito que queria adquirir sinal via satélite insuficiente para o projeto ter um mínimo de qualidade, pois havia subdimensionado o número de acessos. Graças a um conselho da consultoria prestada pela Confederação Nacional de Municípios, o edital de licitação foi refeito antes de ser publicado.

O professor da Unicamp Leonardo Mendes, especialista na construção de infovias municipais, concorda quando perguntado sobre qual o maior obstáculo enfrentado por esse tipo de projeto. “As principais dificuldades estão associadas a uma desconfiança ainda existente no gestor público, fruto principalmente do ainda relativo desconhecimento, pelas prefeituras, tanto dos processos necessários para a construção das infovias quanto dos grandes benefícios que estas podem trazer para seus municípios”, disse.

Na mineira Lagoa Santa, o obstáculo era físico. Formada por um terreno bastante montanhoso, como boa parte de Minas Gerais, a cidade precisou calcular bem a potência das antenas para conseguir emitir um sinal forte o suficiente para atingir o objetivo de levar banda larga a todos os órgãos da administração pública. “Estamos procurando integrar todos os locais que não tinham nenhum tipo de comunicação com o Paço Municipal, proporcionando maior rapidez nos trâmites”, garante Luciano Cunha, gerente do Departamento de Informática.  Lagoa Santa agora busca ampliar o alcance do sinal, mas esbarra na falta de recursos e na topografia acidentada, que demanda mais estudos para que a conexão seja perfeita.

Em Rolândia, no Paraná, a questão foi financeira. Faltaram recursos para implementar novos projetos. Recentemente foi firmada uma parceria com a Brasil Telecom para utilizar um PABX Virtual, sistema que elimina o custo de ligações entre as unidades da prefeitura. Só com isso, a conta mensal de telefone caiu de R$ 22 mil para R$ 12 mil, quase 50%. No ano, a prefeitura chega a economizar R$ 120 mil. Apesar da economia, a prefeitura acredita que poderia avançar mais. Falta verba, no entanto. “Ante esse aspecto, fica complicado pensar em VoIP no momento”, explica Hemerson Ravaneda, consultor de Gestão de Informática da prefeitura. “Meu maior problema hoje são ligações para celulares e áreas conurbadas”, garante.

A falta de dinheiro, porém, pode ser compensada pela criatividade de funcionários públicos como Wagner do Nascimento, diretor do Diretor do Departamento de Informática da Prefeitura de Pedregulho, em São Paulo. O custo do projeto da cidade paulista de 15 mil habitantes é de apenas R$ 3.472, pagos mensalmente à Telefônica pelo link de 4 Mbps. O custo de instalação de antenas e montagem de equipamentos ficou por conta de Nascimento, que aproveitou peças usadas para construir a rede que espalha sinal de acesso à internet por toda a cidade. “Subi em alguns prédios mais altos para instalar algumas antenas. Outras, montei sozinho mesmo”, diz o técnico.

Data: 19 de setembro de 2008
Autor: Marcelo Medeiros

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