Por que ser uma Cidade Digital » Experiências de sucesso » Uma cidade que praticamente nasceu digital

Tarumã é digital praticamente desde que nasceu

O início da história de Tarumã como Cidade Digital confunde-se, de certa forma, com o seu próprio nascimento. Antes um distrito de Assis, no oeste paulista, Tarumã emancipou-se em 1993. Situada no Vale do Paranapanema, tem na produção de cana-de-açúcar e álcool a maior atividade econômica dos seus 304 quilômetros quadrados. Na ocasião, a recém-criada cidade tinha que ser montada do zero. "Instalamos a prefeitura no prédio de uma escola, por não termos onde trabalhar", relembra o então e também atual prefeito, Oscar Gozzi, agora em seu terceiro mandato.

Em uma época em que o uso de computadores não era tão generalizado, o recém-empossado primeiro prefeito da cidade, vindo da iniciativa privada, decidiu que em Tarumã não seria comprada sequer uma máquina de escrever, apenas computadores. Alguns, emprestados por amigos, começaram a ser usados na área administrativa. Em 1996, adquiriu-se o primeiro lote de computadores: 12 PCs 486. "Fomos desencorajados, achavam que era muita coisa, máquinas muito avançadas", lembra Gozzi. No entanto, a mentalidade de modernização era o embrião do município digital que Tarumã se tornaria.

 O desenrolar da idéia foi a partir de 2001, quando se iniciou a estruturação de um projeto de Cidade Digital nos moldes que se conhece atualmente. Hoje em dia, há sinal Wi-Fi chegando a 33 pontos da cidade, saindo de uma torre central e passando por mais cinco antenas intermediárias de repetição. Trinta dos pontos são da prefeitura ou da rede pública de saúde e educação; os outros três são da polícia, de uma associação de moradores e de um posto do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A banda de internet é de 2 Mbps para o conjunto dos órgãos municipais, mais 1 Mbps para cada uma das quatros escolas fundamentais da rede municipal. Mais de 350 máquinas, distribuídas por todos os locais, utilizam essa banda. A cidade de pouco mais de 12 mil habitantes investiu aproximadamente R$ 1,5 milhão para colocar em prática seu projeto de município digital. Segundo o prefeito, hoje, 100% da população está cadastrada no sistema que é utilizado para integrar dados das áreas de saúde, assistência social e educação.

Palavra do prefeito

"A prefeitura de Tarumã nunca comprou máquina de escrever, só computadores. Para haver inclusão digital é preciso criar uma cultura digital no município."

Oscar Gozzi

 

Metodologia da USP

 Na área da educação, há nove pontos conectados, incluindo as quatro escolas públicas do ensino fundamental, o núcleo da Universidade Aberta, um Centro Integrado de Educação e Cultura, um telecentro da Associação de Estudantes de Tarumã e a própria Secretaria de Educação.

Em todas as escolas municipais, há laboratórios de informática, cada um com 25 máquinas, que atendem a 1.120 estudantes. Como as turmas dos colégios normalmente têm 25 alunos cada, ninguém fica sem computador para aprender. A disposição dos equipamentos seguiu a metodologia criada pela Escola do Futuro, núcleo da Universidade de São Paulo (USP) de pesquisa sobre novas tecnologias aplicadas à educação. Os computadores ficam embutidos nas mesas, possibilitando a visão livre e constante entre aluno e professor.

Já no primeiro concurso para professores da rede pública, em 2001, a prova prática de informática entrou na lista de exigências – e na de protestos e críticas. "Foi uma coisa meio revolucionária na época. Houve até algumas manifestações de professores achando um absurdo aquilo", diz Gozzi, ele próprio também um professor - dá aulas na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Assis. "Mas tínhamos que ser ágeis. Para haver inclusão digital, precisávamos criar uma cultura digital no município", explica o prefeito.

O outro objetivo embutido era a intenção de disponibilizar cursos à distância, técnicos ou superiores. Isso foi realizado, e 72 pessoas já foram formadas em pedagogia, via vídeo e teleconferência, incluindo pessoas de seis cidades vizinhas. Na esteira do curso à distância, a cidade pôde se habilitar para ser um pólo da Universidade Aberta do Brasil (UAB), programa do Ministério da Educação que capacita à distância prioritariamente, mas não só, professores da educação básica. Estão em funcionamento, no âmbito da Universidade Aberta, três cursos superiores em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Cidadania e inclusão digital

O telecentro gerido pela Associação de Estudantes de Tarumã, voltado a universitários e secundaristas, foi montado com recursos dos próprios estudantes.

O ex-universitários que formam a Associação haviam sido ajudados em sua época de faculdade pela prefeitura, que fornecia o transporte para os jovens se deslocarem para uma das quatro cidades das redondezas com universidades - Assis, Marília e Ourinhos, todas em São Paulo, e Londrina, no Paraná.

"Como tínhamos o ideal de desenvolvimento, de gerar massa crítica, pensar futuro, pensar a cidade, achávamos essencial ajudar as pessoas a concluir a universidade", diz o prefeito Oscar Gozzi. Mas isso não era feito totalmente de graça. "A contrapartida era que eles comparecessem a 30% das atividades de cidadania da cidade, para poder viajar de graça no ônibus da prefeitura."

Aos poucos, os alunos cresceram, montaram a associação e começaram eles próprios a administrar o transporte para universidades. "E, num processo muito inteligente, instituíram uma nova regra: os que não faziam atividades de cidadania contribuíam em dinheiro. Daí vieram os recursos para montar o telecentro", orgulha-se o prefeito. "Fico muito emocionado ao falar disso", reconhece.

 

Sistema integrado na saúde

Na área da saúde, os prontuários e o agendamento são eletrônicos, e o sistema, integrado. Isso significa que os dados de saúde da população são compartilhados pelos quatro Postos de Saúde da Família, a unidade de pronto-atendimento, a unidade de especialidades médicas, o centro de reabilitação, o centro odontológico, o centro radiológico, o Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), a unidade da Vigilância Sanitária e a própria Secretaria de Segurança, totalizando 12 pontos iluminados e integrados pela rede digital do município.

As aplicações na área de segurança ainda não tiveram que ser colocadas em prática, pois a realidade do município não pede. Mas o prefeito adianta que gostaria de dar andamento à idéia. "Temos um projeto feito pra isso, mas não temos verba. Porém, já estamos testando o uso de câmera de observação em uma das escolas", diz Oscar Gozzi.

 O uso de VoIP já é realidade na prefeitura de Tarumã há quatro anos, havendo atualmente 30 pontos que utilizam essa tecnologia na estrutura da municipalidade. Em todos os órgãos municipais, há pelo menos uma linha VoIP instalada. Segundo o prefeito, isso já possibilitou a desativação de 10 linhas telefônicas convencionais, propiciando redução de custos. "Queremos desativar todas as 35 ainda existentes", revela Gozzi.

Quanto a e-gov, apesar de o site da prefeitura de Tarumã disponibilizar informações completas sobre seus serviços e impostos, por hora é possível realizar poucos deles através dele. A faceta de governo eletrônico na cidade, no entanto, será concretizada até junho, promete Oscar Gozzi. "Estamos em fase final para disponibilizar um totem na cidade para que as pessoas possam acessar suas informações, pedir suas certidões, emitir guia de cobrança de impostos, etc.", diz.

 Enquanto isso não fica pronto, os cidadãos podem explorar as possibilidades trazidas pelo projeto de Cidade Digital em outros lugares. Em um dos laboratórios de redação das escolas (fora do horário de aulas, eles são abertos à população) ou nos dois telecentros: um Acessa São Paulo e, se a pessoa for universitária ou secundarista, no telecentro montado pela Associação de Estudantes de Tarumã justamente para esse público. O espaço recebe cerca de 600 pessoas por mês.

Dois novos telecentros estão em vias de instalação. Um deles ficará pronto até 15 de maio, no prédio da Universidade Aberta, com 50 máquinas doadas pelo Ministério da Educação. O outro, a ser concretizado até setembro, terá 14 computadores, e é fruto do recente edital do Ministério das Comunicações que doou kits para telecentros em todo o País.

Além disso, em breve os tarumãenses poderão utilizar gratuitamente a internet também em suas casas. A prefeitura está em fase final de negociações com uma empresa local, que fornecerá acesso de graça a cada domicílio, numa velocidade de 128 Kbps, e ficará com o direito de explorar comercialmente e vender outras velocidades de banda para aqueles que desejarem. "Até o final do ano estará pronto", promete Gozzi.

Data: 24 de março de 2008
Acessa São Paulo - Telecentro/Divulgação Acessa São Paulo - Telecentro/Divulgação Acessa São Paulo - Telecentro/Divulgação Acessa São Paulo - Telecentro/divulgação Almoxarifado com antena central ao fundo/Divulgação Almoxarifado com antena central ao fundo/Divulgação Antena Central ao lado do Paço Municipal/Divulgação Antena Central ao lado do Paço Municipal/Divulgação Antena Central ao lado do Paço Municipal/Divulgação Antena da EMEFEI Maria Antonia Benelli/Divulgação Antena no Centro Integrado de Educação e Cultura/Divulgação Antena no Centro Integrado de Educação e Cultura/Divulgação Entrada do Município/Divulgação Laboratório de Informatica na escola/Divulgação Laboratório de Informatica na escola/Divulgação Laboratório de Informatica na escola/Divulgação Laboratório de Informatica na escola/Divulgação Recepcionista usando o VOIP/Divulgação Recepcionista usando o VOIP/Divulgação Universidade Aberta do Brasil  - Pólo Tarumã com antena do pólo no fundo/Divulgação

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