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UFSC desenvolve sistema para controle inteligente de tráfego

Aplicações ajudam a melhorar o trânsito nas médias cidades com ajuda de equipamentos interligados e inteligência virtual

Macaé, cidade do norte fluminense, ficou conhecida nacionalmente por ter em suas águas boa parte do petróleo que tem sido explorado no noticiário nos últimos meses. De município litorâneo, sem grande importância econômica, tornou-se um importante polo de investimentos. Com os recursos, vieram as pessoas. A população triplicou dos anos 1970, quando a Petrobras estabeleceu-se por lá, até hoje. Os atuais 200 mil habitantes mudaram a paisagem da cidade, construindo casas, prédios, abrindo ruas e, claro, trazendo carros. O aumento da frota trouxe problemas de trânsito para o município, que precisou investir em tecnologia a fim de lidar com o problema.

Em 2008, a prefeitura assinou um Termo de Cooperação Técnica com um grupo de pesquisa do Departamento de Automação e Sistemas da Universidade Federal de Florianópolis (UFSC) para investigar uma solução que permitisse controlar o fluxo de veículos de maneira inteligente, liberando o tráfego nos momentos de mais congestionamentos e segurando-o quando necessário. A UFSC é a única universidade no país a possuir um núcleo de pesquisa que atua ao mesmo tempo no desenvolvimento de técnicas de controle, equipamentos e centrais de tráfego.

O sistema desenvolvido, denominado Projeto de Controle de Tráfego por Área em Tempo Real (Proteal), criou softwares que adaptam os sinais de trânsito ao fluxo de veículos de forma automática e instantânea, com base na medição do tráfego feita por sensores instalados nas vias. O monitoramento é feito com um mecanismo de transmissão de dados wireless (GPRS), detectores veiculares e um banco de servidores para recepção, tratamento e publicação de dados. Uma central de controle de tráfego em tempo real faz o monitoramento online de todo o sistema.

O mecanismo evita engarrafamentos desnecessários pois recebe informações a cada minuto, aumentando o tempo em que o sinal autoriza a passagem de veículos. Assim, ele é capaz de minimizar o impacto de imprevistos, como um carro enguiçado.

“Além de prover controle do tráfego, o sistema permite o monitoramento
do volume de veículos nas vias, o que possibilita aos órgãos responsáveis pelo trânsito mapear os pontos críticos. O sistema também gera economia de combustível
e redução na emissão de gases poluentes, pois reduz o tempo de espera de carros ligados  e ainda diminui o tempo de percurso dos motoristas”, afirma Rafael Marana, sócio da Atta, empresa que instalou os equipamentos em Macaé.

De acordo com Marana, o sistema permite o acompanhamento do tráfego pela internet, dando condições para que motoristas possam planejar qual o melhor caminho a adotar.

A solução é uma alternativa ao sistema de planos fixos, nos quais os tempos dos semáforos são programados de acordo com a hora do dia, com base em contagens manuais do tráfego. Também é mais barato do que os similares importados, geralmente usados em grandes cidades, como São Paulo.

O sistema levou seis meses para ser implantado em Macaé, de acordo com a Atta. A Secretaria de Mobilidade Urbana, responsável pelo trânsito em Macaé, informa que foram instalados 90 sensores nos 52 cruzamentos semaforizados da cidade, por onde circulam cerca de 75 mil veículos. A empresa afirma que a melhora nas vias mais congestionadas da cidade foi de 20% com a instalação do sistema. É possível acompanhar, via internet, as condições de tráfego nas principais vias da cidade.

O custo, porém, não é revelado. A companhia afirma ser impossível dizer quanto custa a instalação de um sistema semelhante em outra cidade, pois há muitas variáveis envolvidas. Entre elas, quantidade de cruzamentos, sensores a serem instalados, treinamento de equipe, uso de servidor central, entre outros itens. No entanto, o uso de comunicação via celular entre os transmissores e a central diminui o custo de instalação, por ser mais barato do que uma infraestrutura de cabos. A Atta revela estar em negociação também com a prefeitura de Florianópolis.   

A pesquisa busca replicar em condições brasileiras aplicativos aprovados no exterior, como o desenvolvido pela Universidade Tecnológica de Creta (Grécia). “A central de controle de tráfego em tempo real é baseada em um algoritmo desenvolvido na Grécia. Em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, foi adaptado para o Brasil”, diz Marana.

O estudo foi realizado com apoio da Financiadora de Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia (Finep), do Sebrae e das empresas Brascontrolscom, Atta e ATMC. As duas primeiras são de propriedade de professores da UFSC.

Data: 10 de dezembro de 2009
Autor: Marcelo Medeiros

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