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Tendência de uso de novas tecnologias no poder público é de crescimento

Tobias Wegenast, diretor de Tecnologias de Informação e Comunicação da empresa de consultoria Macroplan no Rio de Janeiro, acredita que o uso das TICs no poder público deve crescer nos próximos anos. Para ele, que é mestre em ciências políticas pela Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, as prefeituras precisam também se adequar à nova realidade e não é falta de recursos o que impede a implementação de projetos inovadores.

Leia abaixo entrevista com o especialista:

Guia das Cidades Digitais - Algumas iniciativas de governo eletrônico desenvolvidas no Brasil foram destacadas em estudo das Nações Unidas. O que elas trazem de diferente para ganhar destaque?

Tobias Wegenast - O Brasil tem apresentado iniciativas inovadoras em matéria de democracia eletrônica. A Macroplan inseriu a experiência do portal e-Democracia da Câmara dos Deputados no estudo de boas práticas pelo fato de constituir um espaço virtual que visa estimular a participação de cidadãos e organizações civis no processo legislativo. Mas existem outras iniciativas brasileiras relevantes, como por exemplo o site Congresso Aberto, que tem por objetivo aumentar a transparência e contribuir para debates acerca do legislativo brasileiro, facilitando o acesso a informação e análises sobre o tema.

Outra iniciativa que merece destaque é o Wikicrime, ferramenta colaborativa para mapeamento de crimes. Trata-se de uma iniciativa que se fundamenta por motivações relacionadas a carências no sistema público de segurança e pela intenção de gerar um movimento participativo na sociedade em torno do tema.

 
Guia das Cidades Digitais - O que falta para pequenas prefeituras se dedicarem mais à internet?

Tobias Wegenast – Prefeituras pequenas muitas vezes desconhecem as possibilidades que as Tecnologias de Informação e Comunicação têm para aumentar os níveis de transparência, melhorar a prestação de serviços públicos e facilitar a participação da sociedade na tomada de decisão. Não creio que restrições financeiras sejam a principal barreira para que iniciativas de governo eletrônico possam ser implantadas. A Macroplan chegou a acompanhar projetos inovadores em prefeituras de grande porte que poderiam ser facilmente adaptadas para prefeituras menores.

Guia das Cidades Digitais - A cultura de transparência de contas públicas pode ser alterada pela internet? Ou a rede pode servir apenas como uma nova plataforma para as mesmas ações?

Tobias Wegenast – Com as novas tecnologias, os princípios da transparência, participação e abertura estão cada vez mais próximos da realidade social e política. No meu ver, acesso a informação, governo eletrônico e cidadania caminham juntos. Não acho que a rede seja apenas uma nova plataforma para práticas antiquadas em termos de governança e accountability. No entanto, por se tratar de uma área ainda pouco explorada, é vital que o setor público mobilize a inteligência externa, em particular webdesigners, analistas de sistemas e programadores, criando um ambiente favorável para que inovações sejam realizadas por terceiros.

Temos, no Brasil, uma comunidade de programadores altamente qualificada. Precisamos intensificar esse debate entre governo, sociedade e a comunidade de desenvolvedores, visando gerar ferramentas eletrônicas de utilidade pública que sejam capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas. A adesão aos princípios de dados abertos por parte de órgãos públicos é, sem dúvida, um passo importante nessa direção.

Guia das Cidades Digitais - O que o legislativo pode fazer para se aproximar mais do cidadão por meio da internet?

Tobias Wegenast – A democracia representativa somente se concretiza a partir do consentimento informado dos cidadãos. Sendo assim, a transparência da ação legislativa é uma área importantíssima a ser trabalhada. Facilitar o acompanhamento da ação individual de cada parlamentar é, por exemplo, uma questão considerada essencial no contexto de uma democracia eletrônica legislativa.

Além disso, o Legislativo pode utilizar-se das Tecnologias de Informação e Comunicação para tornar o processo político mais participativo e legítimo, aumentando, assim, o papel da sociedade na formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas. No Brasil, merece destaque o trabalho desenvolvido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Em seu Direcionamento Estratégico para 2020, um dos objetivos estratégicos é justamente inovar mediante a incorporação de melhores práticas e novas tecnologias. Mais informações em http://www2.almg.gov.br/hotsites/planejamento_estrategico/index.html.

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Data: 08 de dezembro de 2010
Autor: Marcelo Medeiros

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