Telemedicina facilita pré-natal em Porto Alegre
Uma das pioneiras em projetos de Cidade Digital no Brasil, há oito meses Porto Alegre (RS) vem assumindo a ponta também na área de telemedicina, com a realização de ultra-sonografias obstétricas em tempo real, em postos de saúde onde não há obstetras de plantão. A primeira iniciativa foi inaugurada no bairro da Restinga. De lá pra cá, mais duas unidades passaram a realizar o procedimento, e o próximo a inaugurar o serviço será o posto da região das Ilhas.
A idéia surgiu a partir da assessoria de projetos especiais da Companhia de Processamento de Dados do Município de Porto Alegre (Procempa), conta seu presidente, André Kulczynski. “Procurávamos aplicações para rede PLC, de transmissão de internet pelos cabos elétricos, que estávamos concretizando na cidade [que já tinha infovia de fibra ótica e sem fio]. Inicialmente, pensou-se em utilizar a capacidade de transmissão de imagens para envio de radiografias, até para substituir as placas armazenadas ao longo dos anos por arquivos de imagens. Mas este é um exame complexo, que não pode ser executado em qualquer posto de saúde. Então, optou-se pelo ultra-som, cujo equipamento muitas vezes é portátil”, relembra ele.
Assim surgiu o projeto piloto, há dois anos. Na fase experimental, foi testado o protocolo de transmissão de imagens em tempo real elaborado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul para o projeto. Até que, em abril de 2008, o serviço foi inaugurado oficialmente no posto de saúde Macedônia, no bairro da Restinga. Lá, o exame era especialmente necessário, dada a sua distância de 40 quilômetros até o centro da cidade. Em setembro, o serviço passou a ser adotado na zona leste da capital gaúcha, no posto de saúde da Lomba do Pinheiro. Um mês depois, o Centro de Saúde Navegantes, na zona norte de Porto Alegre, também adotou o procedimento.
As unidades transmitem os exames para o Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas, onde especialistas podem dar o laudo na mesma hora. Entre os benefícios já medidos — especialmente no primeiro posto de saúde, o da Restinga —, está a queda na taxa de absenteísmo das gestantes ao exame: de 40% de faltas anteriormente registradas, agora há apenas 10%. Antes, as gestantes tinham que se deslocar muito para se submeterem aos exames. A proximidade facilitou. O tempo médio de espera entre a solicitação e a realização do exame, que era de até cinco meses, caiu para cerca de um mês.
“Em 2009 a intenção é gradualmente implantar em todas as unidades da rede de saúde, que são mais de 50. Mas isso será definido pela Secretaria de Saúde, pois a gestão do serviço é feita por ela. Cabe ressaltar que, tecnicamente, não é preciso chegar a todo os postos, pois unidades móveis poderiam dar conta de realizar os exames em bairros afastados”, revela Kulczynski.
Segundo ele, os outros planos para o próximo ano incluem a extensão dos serviços de telemedicina também a outras especialidades médicas, como a cardiologia (com a realização de eletrocardiogramas) e, voltando às origens do projeto, a radiologia, para realização de raios X. “O ideal é passar a fazer todos os exames de forma digital, armazená-los digitalmente e disponibilizá-los para qualquer médico da rede pública. Assim, qualquer médico, em uma unidade de saúde com banda larga, poderia acessar os exames e selecionar aqueles que lhe interessam para seu diagnóstico”, planeja o presidente da Procempa.
Data: 22 de dezembro de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar