Como construir uma Cidade Digital » Tecnologias » Telemedicina beneficia pequenas cidades mineiras

Telemedicina beneficia pequenas cidades mineiras

Municípios mineiros com até 10 mil habitantes podem contar com uma iniciativa que vem proporcionando bons resultados no diagnóstico e tratamento de doenças. Trata-se do Tele Minas Saúde, um serviço de telessaúde que viabiliza o apoio à distância dos especialistas de universidades públicas do estado. Um dos projetos dessa rede é o Minas Telecardio, um sistema com foco em telecardiologia que permite uma melhoria significativa na qualidade do atendimento da população e no acesso aos serviços de saúde.

De acordo com Mônica Pena, assessora de Planejamento e Projetos do Centro de Telessaúde e do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), instituição coordenadora da rede, o Minas Telecardio permitiu uma redução de 70% nos encaminhamentos para consultas especializadas. Durante os atendimentos de rotina nas unidades dos municípios, os membros da equipe de Saúde da Família podem solicitar uma segunda opinião de um profissional da universidade.

No caso de um eletrocardiograma (ECG), Mônica conta que o laudo é dado em tempo real. Os exames são analisados e o resultado devolvido pelo sistema ao município solicitante. O plantão de cardiologia funciona de segunda a sexta-feira no horário de 7h30 às 22h. A equipe que está à distância realiza ainda suporte aos atendimentos de urgência cardiológica e oferece apoio em discussão online de casos clínicos. 

A experiência de compartilhar a situação dos pacientes e debater com o especialista que está na universidade mudou a rotina de atendimento nos municípios que recebem o Minas Telecardio. “Com a segunda opinião, o profissional se sente mais seguro na conduta e automaticamente ocorre um processo de aprendizado”, diz Monica. “Para os pacientes, a possibilidade de não precisarem ser encaminhados para outra cidade de referência para um atendimento especializado envolve menos transtorno e diagnóstico mais precoce do problema. Já para o município, o projeto gera menos gasto com transporte e consultas especializadas”, enumera.

Evolução do projeto

Mônica relata que o atendimento com o Minas Telecardio nos municípios do estado começou em 2006. O trabalho foi realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). “Com esse projeto, implementou-se o sistema com foco em telecardiologia em 82 municípios com menos de 10 mil habitantes e baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), constituindo-se a Rede de Telessaúde de Minas Gerais”, completa, acrescentando que a iniciativa contou com a parceria das universidades federais de Uberlândia (UFU), do Triângulo Mineiro (UFTM), Juiz de Fora (UFJF) e estadual de Montes Claros (Unimontes).

Segundo a assessora de Planejamento e Projetos, hoje são 179 municípios já beneficiados pelo Minas Telecardio, e outros 328 estão em processo de implantação. Para implantar o projeto, a prefeitura deve ceder a conexão de internet, enquanto a Secretaria Estadual de Saúde fornece os equipamentos. “Os municípios interessados e que atendam aos critérios de cobertura do Programa de Saúde da Família, população abaixo de 10 mil habitantes e interesse do gestor, podem fazer uma solicitação ao Centro de Telessaúde do HC/UFMG”, afirma.

 

A experiência de Chapada Gaúcha com o Minas Telecardio

Em janeiro de 2008, Chapada Gaúcha, município do semiárido do norte do Estado, com cerca de 10 mil habitantes, conseguiu levar o Minas Telecardio para o posto de saúde da cidade. Joel Araújo de Oliveira, secretário Municipal de Saúde e Vigilância Sanitária, conta que a implantação do projeto foi possível com os recursos do Governo do Estado de Minas Gerais, que forneceu o computador, o aparelho de eletrocardiograma e a câmera digital.

De acordo com o gestor, o objetivo da prefeitura era proporcionar melhor qualidade de vida à população chapadense, oferecendo um acompanhamento rotineiro aos portadores de doenças circulatórias e exame de ECG para outras solicitações médicas. “Os resultados que percebemos são a detecção precoce das patologias circulatórias e a diminuição de gastos, visto que o nosso município tinha que levar os pacientes com essa necessidade a outra cidade, distante aproximadamente a 170 quilômetros, dos quais 130 km são de estrada não pavimentada”, comemora Oliveira.

Data: 04 de agosto de 2009
Autor: Gabriela Bittencourt

«Voltar



Apoio: