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Telecentros brasileiros são mapeados

Conhecer a localização e a iniciativa por trás de todo e qualquer telecentro do País é o objetivo do "Mapa dos telecentros do Brasil", que vem sendo montado desde o ano passado e já passa de 5 mil telecentros cadastrados − número que promete aumentar consideravelmente com a campanha a ser lançada em julho para incrementá-lo. O mapa está disponível online no site do Observatório Nacional de Inclusão Digital (Onid), tanto para consulta , quanto para inserção.

O projeto é executado pelo Onid, uma iniciativa em conjunto do governo federal, por meio da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, e da ONG Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (Ipso).

Qualquer entidade, pública ou privada, que dirija um telecentro pode fazer o cadastro pelo formulário no site. As perguntas são breves e pedem informações sobre localização, nome da entidade responsável e do projeto em que se insere, formas de contato e se há acesso à internet no local. Mas há critérios para aceitação no mapa. "Os telecentros inseridos pelo pré-cadastro do site passam por um filtro em que avaliamos uma série de critérios. Por isso, temos mais de 8 mil telecentros na nossa base de dados, mas somente cerca de 5 mil estão no mapa", diz Carlos Seabra, diretor do Ipso.

Os três principais critérios são acesso à internet, gratuidade e livre acesso para a comunidade. A conectividade é importante, pois é o que diferencia um telecentro de uma simples escola de informática. "Há projetos consagrados e até iniciativas do governo que ficam de fora do mapa por não se encaixarem neste quesito", conta Seabra. O segundo principal critério, a gratuidade, diz respeito apenas ao lucro − ou melhor, à falta dele − com o telecentro. Se este cobrar por impressões (para cobrir o gasto com folhas de papel, etc.) ou taxas reduzidas apenas para garantir sua sustentabilidade, pode entrar no mapa.

O critério de livre acesso à comunidade observa se o telecentro fica aberto no mínimo seis horas por semana para a população. Laboratórios de informática das escolas que não franqueiam acesso à população do entorno e telecentros dentro de locais com acesso restrito (por exemplo, quartéis) não podem entrar no mapa, seguindo este requisito.

Entre outros filtros para se entrar no mapa, está a quantidade de máquinas. "Nós entendemos que um telecentro se caracteriza por ter um certo conjunto de máquinas. Colocar somente totens, por exemplo, não significa montar um telecentro", diz Seabra. Ele conta que este critério é flexível. "Se houver, por exemplo, um telecentro em uma aldeia indígena no interior do Amazonas, com apenas dois computadores, eletricidade limitada e, por isso, horário reduzido de acesso, porém com uso coletivo intenso, podemos considerá-lo", completa.

Início pelos grandes

A maioria dos mais de 5 mil telecentros já cadastrados é de grandes programas governamentais, nos três níveis, com destaque para as iniciativas federais e estaduais. Isso ocorre porque, para dar o pontapé inicial ao cadastro e lhe conferir substância, o próprio Onid cadastrou a maior parte desses telecentros entrando em contato com os grandes projetos e adicionando os dados ao mapa. Por isso, figuram na lista diversos telecentros de programas expressivos como Gesac, Acessa São Paulo, Estações Digitais (da Fundação Banco do Brasil) e Telecentros Petrobras. A intenção, agora, é fazer crescer cada vez mais o preenchimento espontâneo por parte de municípios e ONGs com projetos de telecentros.

Paralelamente, terá início o processo de preenchimento do cadastro completo de cada telecentro. "Chamamos de pré-cadastro essa coleta de informações que é feita pelo site, a mesma que nós mesmos fizemos para dar início ao mapa. Agora, faremos o cadastro completo de cada um dos locais", diz Seabra. Para isso, serão enviados, aos responsáveis por cada telecentro, questionários com 150 perguntas sobre diversos aspectos, como horário de funcionamento, número de pessoas que trabalham, perfis de público, softwares utilizados, etc.

Com a noção de que responder tantas questões não é tarefa fácil, a equipe do mapa preparou uma campanha para estimular o envio de respostas. A iniciativa será lançada em aproximadamente duas semanas − "estamos fechando detalhes do regulamento", explica Seabra − e premiará os 50 melhores questionários com viagem e estadia pagas em Belém (PA), para participação na 7a Oficina de Inclusão Digital, no segundo semestre.

O critério de avaliação das respostas inclui distribuição geográfica e, principalmente, qualidade no preenchimento do questionário, com informações detalhadas, preenchimento de campos não obrigatórios, etc. Com a campanha como estímulo, a meta é conseguir o retorno de pelo menos 2 mil telecentros até agosto.

Segundo Seabra, junto com a campanha, o Onid lançará uma nova ferramenta de cadastramento via site, mais completa, com validação dos dados inseridos e das pessoas que preenchem o formulário (atualmente, não há mecanismos de validação, aumentando o trabalho de filtro).

O Mapa em detalhes

O “Mapa dos telecentros” do Brasil está disponível para acesso online a qualquer pessoa no site da Onid. Há várias opções de consulta: por Estado, cidade, projeto em que se insere, ou palavra-chave. Cada consulta mostra até 300 telecentros de cada vez, situados geograficamente no mapa do Brasil. É possível imprimir ou salvar no computador a lista completa de telecentros cadastrados ou somente o resultado da consulta feita.

O Estado de São Paulo é o que tem mais telecentros no mapa − passam  de 1.100 −,  com destaque para os do programa Acessa São Paulo. Só a capital paulista tem quase 400. Minas Gerais tem o segundo maior número: são quase 750 no Estado e quase 150 na capital, Belo Horizonte. Em seguida no ranking vem a Bahia, com 550 no Estado todo e mais de 100 na capital, Salvador. O Rio de Janeiro aparece em quarto, com quase 400 no Estado todo e quase 180 na capital fluminense.

Além de fornecer números e informações básicas sobre cada telecentro, os resultados das pesquisas apresentam também dados socioeconômicos do Estado e da cidade em que ele se encontra. Cada um deles tem uma tabela com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), população (total, rural e urbana), área, densidade demográfica, taxa de alfabetização, renda per capita e esperança de vida.

* Os números de telecentros por Estado e cidade aqui citados  referem-se a 26 de junho de 2008

Data: 27 de junho de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

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