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Tecnologia e pessoas fazem o desenvolvimento de Piraí

O projeto de Piraí teve origem em uma crise econômica. Demissões em uma empresa e a reestruturação tecnológica de uma fábrica levaram o município fluminense a perder, em um curtíssimo espaço de tempo, 1.600 postos de trabalho, número bem alto para uma cidade com cerca de 23 mil habitantes. Era necessário estimular o desenvolvimento local, decidiu o então prefeito, Luiz Fernando de Souza, mais conhecido como Pezão, hoje vice-governador do Estado do Rio. Seus desdobramentos levaram Piraí a tornar-se o primeiro município digital brasileiro.


A proposta de revitalização econômica integrava ações de desenvolvimento local com modernização da gestão, que incluiu um Plano Diretor de Informática, que previa a interligação de todos os prédios públicos. Em seu rastro, veio a decisão de que era preciso também inovar. A resposta veio da combinação da tecnologia e das pessoas, como conta Franklin Coelho, da Universidade Federal Fluminense, coordenador do projeto, que trabalhou ao lado de uma equipe que contou com representantes de outras universidades e entidades, como a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria Helena Cautiero Jardim, além de diversos órgãos municipais.


Um dos pontos cruciais foi a captação de recursos externos. Eles vieram inicialmente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social, com a utilização do Programa de Modernização da Administração Tributária e de Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT).
Outro item estratégico foi a escolha da tecnologia. Inicialmente, pensou-se em usar exclusivamente tecnologia sem fio. A opção foi pelo Wi-Fi, na freqüência de 2,4 GHz.
Até então, não havia experiências com o Wi-Fi em redes externas e um especialista foi convidado a integrar-se à equipe com o objetivo de otimizar a tecnologia. Em seus estudos, André Macara, hoje titular da empresa IEG Brasil, concluiu que a melhor opção em termos de custos seria um sistema híbrido, com e sem fio. A escolha se mostrou acertada, e o valor inicial, estimado em R$ 1 milhão e 600 mil, caiu para R$ 400 mil. Foi tomada também uma decisão estratégica pelo software livre.


Iniciativas nas áreas de educação e saúde

Hoje, os 520 quilômetros quadrados de Piraí estão totalmente cobertos, em que pese ser uma área bastante montanhosa. A rede mescla conexões sem fio Wi-Fi com conexões fixas, via fibra óptica, linha telefônica comum e linhas de energia elétrica (PLC, do inglês Power Line Communications). Onde não há sinal ou sua qualidade é ruim, nas chamadas zonas de sombra, são instaladas antenas repetidoras.


Todas as 25 instituições de ensino de Piraí contam com acesso à Internet em banda larga. Mas os laboratórios não estão lá apenas para ensinar professores e alunos a aprender informática. Como explica Franklin Dias Coelho, “eles foram feitos para construção interativa de conteúdo e estabelecer novas relações entre professores e alunos na produção do conhecimento.” Em virtude dessa visão, a capacitação dos professores foi uma questão-chave, e teve início ainda em 2002, quando o projeto engatinhava.


Os 13 postos de saúde também contam com acesso à Internet em banda larga e integração ao hospital estadual. Está em fase final o projeto que integra o programa usado no município com o Gerenciamento de Informações Locais (GIL), adotado pelo SUS – Sistema Único de Saúde. Desta forma, além do repasse das informações ao Ministério da Saúde no formato que este padroniza, o município também poderá dispor das informações da maneira que melhor lhe convier para gerir suas iniciativas na área.


Algumas ações na área da saúde irão incluir o prontuário eletrônico, o cartão de saúde e a telemedicina, em parceria com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Além disso, já estão em andamento: o projeto que utiliza os laboratórios de informática para dinâmicas com os portadores de deficiência mental, os sistemas de telemedicina, as salas de videoconferência para capacitação a distância, os telefones públicos voz sobre IP, as aulas de alfabetização bilíngüe e as aulas de músicas popular brasileiras nas escolas, entre outros.

 

  Palavra do prefeito

“Quando vejo os benefícios que este projeto traz para a população, tenho certeza que apesar dos desafios devemos ter coragem política de enfrentá-los.”

Arthur Henrique Gonçalvez Ferreira (Tututa)

 

Rumo a municípios vizinhos

O projeto Piraí Digital deu frutos e, com o apoio de várias entidades, entre elas a Associação de Municípios do Estado do Rio de Janeiro (Apremerj), vem estendendo-se a municípios vizinhos. O primeiro deles foi Rio das Flores, com apenas oito mil habitantes. Segundo o prefeito Vicente Guedes, também presidente de Apremerj, a inclusão digital e a educação são o ponto de partida da revolução que levará Rio das Flores à recuperação econômica. Além de Rio das Flores, já fazem parte do corredor digital do Vale Histórico do Café, as cidades de Rio Claro e Conservatória.


Mobilização da sociedade

As iniciativas de desenvolvimento do município não tiveram apenas a tecnologia como foco, mas ela foi instrumento para praticamente todas elas. Além disso, houve participação efetiva das pessoas, por intermédio do Conselho da Cidade. Como frisa o coordenador do projeto, Franklin Dias Coelho, “não se trata apenas de colocar rádios, mas de um programa de mobilização social e envolvimento da sociedade.” É preciso ainda, diz ele, “descobrir a identidade do município e criar o projeto a partir dela.”

Para informações detalhadas sobre o projeto Piraí Digital, visite o site Piraí Digital.

Agosto/2007

 

As fotos do projeto Piraí Digital publicadas neste portal foram cedidas pela Revista Desafios do Desenvolvimento, publicação mensal do IPEA. Para conhecer mais sobre a Desafios e o IPEA, visite os websites http://desafios.ipea.gov.br e www.ipea.gov.br

 

Divulgação

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