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SMS: uma faceta móvel nas administrações públicas

Elas são queridinhas de adolescentes e jovens, chegam diretamente às pessoas que possuem celulares e são uma forma direcionada de comunicar. Bancos e companhias de aviação, cartão de crédito, telefonia, entre outras, já as adotaram com os mais variados propósitos. E elas — as SMS [do inglês short message service, ou serviço de mensagens curtas], ou torpedos — não decepcionaram e já se revelaram uma ferramenta eficaz de comunicação.  Falta, agora, os governos descobrirem — ou continuarem descobrindo — todo o seu potencial e adotarem seu uso dentro das estratégias do chamado mobile government (m-gov).

O m-gov não é novo e inclui, além das SMS, informações e serviços governamentais acessíveis pelo celular ou palmtop (ou outros dispositivos móveis). Em uma outra vertente, o m-gov se refere ao uso de tecnologia móvel por agentes públicos em ações volantes. No Brasil, alguns programas estaduais usando SMS vêm ocorrendo desde o início dos anos 2000. Mas a difusão tem sido lenta. Parte da razão para isso são as características do próprio mercado brasileiro: apesar de o País ser o quinto maior mercado mundial de telefonia móvel, com 121 milhões de telefones celulares [segundo dados do estudo Oportunidades na telefonia móvel: pobreza e acesso à telefonia na América Latina e Caribe, do Diálogo Regional sobre a Sociedade da Informação - Dirsi], o uso de torpedos é incipiente.

Nesse quesito, está muito atrás de outros países da região, como Argentina e Venezuela, campeãs de uso de torpedo na América Latina, e também de Colômbia e Peru. Segundo dados da Acision, empresa especializada em prover para operadoras serviços de mensagens e soluções de comunicação, os usuários brasileiros enviam somente uma média de seis mensagens por mês, enquanto na Venezuela a média é de oito mensagens por dia.

Custo ainda é alto para usuários

Dois grandes motivos estão relacionados a isso. Primeiro, o fato de uma mensagem SMS ainda não ser barata no Brasil. Estudo da consultoria Merril Lynch realizado em 2007 mostrou que o Brasil tem a quarta maior tarifa entre os 50 países pesquisados.

Estima-se que o mercado de mensagens via celular na América Latina cresça cerca de 25% até 2011, criando mais oportunidades para operadores de rede. O preço, então, é fator para as SMS não serem ainda mais usadas. Em segundo lugar, vem o analfabetismo funcional do brasileiro, fator que ajuda a inibir uma disseminação mais rápida dos torpedos.

Mesmo assim, a aplicação das SMS na área governamental vem crescendo e conquistando espaço. Ganhou até eventos especializados ao longo do ano de 2008: o 1º Fórum M-Gov Cidadania Móvel, realizado em abril em São Paulo (SP) pelo Instituto Conip; e o Seminário Internacional W3C "Tecnologias Móveis: seu papel no desenvolvimento social", que aconteceu em junho, na mesma cidade, promovido pela W3C Mobile Web Initiative.

Ficaram claras nesses eventos algumas das vantagens do uso das SMSs. A facilidade de recebimento é a principal delas: mesmo quem não sabe enviar torpedo normalmente consegue ler os que recebe. Assim, essa tecnologia se aplica bem a situações em que não é preciso resposta, como no recebimento de avisos.

Outros fatores positivos são o não pagamento por recebimento de torpedo e, quando a pessoa tem que enviar, o fato de saber previamente quanto vai pagar por cada um. Contribuem ainda para a lista de vantagens a leveza do serviço (que exige pouca capacidade de transmissão de dados da rede de telefonia móvel) e o fato de todos os aparelhos celulares suportarem a tecnologia de envio e recebimento de SMSs.

O SMS na esfera governamental

São muitos os usos que as SMS, e a telefonia móvel como um todo, podem ter para inovar os serviços governamentais, integrados, obviamente, a outras ferramentas e sistemas de e-gov. “É possível fazer votação, leilão, enviar para o cidadão avisos de consulta médica marcada no posto de saúde, promoções, etc.”, cita Vancrei Oliveira, vice-presidente de Marketing e Vendas na América do Sul da Acision.

Avisos de empregos, notícias municipais, confirmação e lembrete de agendamento de diversos serviços junto ao poder público, previsão do tempo, informe de trânsito, lembrete de fim de prazo para inscrição em concurso, anúncios culturais, acompanhamento de processos protocolados na prefeitura, entre muitos outros, são alguns dos serviços mais comuns que os governos podem oferecer aos cidadãos.

Em uma outra vertente, o uso de SMS pode se dar também internamente, para informar e avisar aos próprios secretários (municipais ou estaduais) e outros funcionários públicos sobre andamento de processos no governo, marcação de reuniões gerais do órgão em que se trabalha, agenda do prefeito ou governador, difusão de informações administrativas importantes, etc.

Operações volantes dos governos municipais também podem se utilizar em grande escala da tecnologia móvel. Por exemplo, fiscais municipais que saem a campo podem receber em seus palmtops as informações mais importantes para a operação. Localização via GPS pode ajudar a encontrar o local certo a ser visitado. Em operações volantes da Justiça ou telemedicina, por exemplo, as visitas aos bairros podem ser informadas pelo próprio veículo, que acionaria o envio de torpedos somente quando de fato já estivesse no local.

Segundo Oliveira, da Acision, em situações emergenciais, os usos de SMS também são eficazes. “Uma prática nova, o Cell Broadcast, permite enviar para todo mundo que está embaixo de uma célula, ou seja, em uma mesma zona ou área, informações, por exemplo, sobre algum vazamento de gás, chegada de tempestades e furacões, incêndios, etc. Assim, todo mundo que está naquela região recebe o aviso e indicações sobre evacuação, se necessário, vias a serem evitadas, etc. Isso pode ser usado também para acidentes de trânsito, enchentes e outros acontecimentos”, indica.

Leia também:
Os usos de SMS nos governos brasileiros

Data: 02 de dezembro de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

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