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Sinal sem fio por toda a cidade

Com uma digitalização já presente na área educacional, a catarinense Brusque, no Vale do Itajaí, quer agora estender esse perfil para todo o município e tornar-se digital. A cerca de 100 quilômetros da capital, Florianópolis, a cidade de quase 100 mil habitantes está montando um comitê executivo para levar o projeto adiante. "Temos ideias, mas todas elas vão depender de decisões do comitê que está sendo criado. Até agora éramos apenas três pessoas ventilando essa ideia na prefeitura. Por isso solicitamos a criação do comitê, para ter mais base", diz Andre Webber, diretor de Tecnologia da Informação (TI) da prefeitura brusquense.

Uma dessas três pessoas é o professor e especialista em TI da Educação, Rogério Pedroso, que trabalha na Secretaria da Educação de Brusque e vem colocando em prática a aplicação de tecnologia na educação. Segundo ele, Brusque foi uma das primeiras cidades do país a ter um telecentro, nos idos de 1995. Desde fevereiro de 2001, 25 das 41 escolas municipais têm um Espaço Pedagógico Informatizado (Espin), onde um "professor-motivador" usa a tecnologia para fins pedagógicos e vice-versa. "Desenvolvemos os mais diversos tipos de ações pedagógicas com suporte da tecnologia, como produção de CD-ROMs; desenvolvimento de projetos via site e outras aplicações", orgulha-se Pedroso.

É o exemplo bem-sucedido da área educacional que vem servindo de estímulo e referência para a implementação do projeto de Cidade Digital. A ideia é irradiar sinal sem fio de internet por toda a cidade, fazendo-o chegar a escolas, postos de saúde, telecentros e hotspots em praças e locais públicos. "Não vamos liberar para as casas. Estaríamos concorrendo com provedores e operadoras e não queremos ter este tipo de problema", avisa Weber. Para balizar o projeto, algumas pessoas da prefeitura já visitaram, em maio, a cidade de Piraí, no Rio de Janeiro, uma das pioneiras em digitalização no país.

De acordo com Pedroso, o projeto vai solucionar uma deficiência importante da cidade, que é a infraestrutura de telecomunicações. Há sistemas que já temos hoje em funcionamento na área de Educação que estão totalmente online. Nosso maior problema é a infra de telecom, pois a maioria das escolas está na periferia, algumas distantes até 20 quilômetros do centro da cidade", explica o professor.

Nos planos de Brusque estão ainda quiosques para acesso à internet e uso de serviços públicos. O uso será por tempo pré-determinado e haverá restrição de acesso, sendo proibidos sites de pirataria e pornografia. Segundo o diretor de TI de Brusque, os quiosques seriam colocados em lugares públicos de maior circulação, como a rodoviária, praças do centro da cidade, etc.

Além de espalhar internet pela cidade, outro objetivo do projeto é disseminar e fazer com que sejam usados serviços de governo eletrônico já existentes no município e que, por causa da pouca cultura local de e-gov, quase não são acessados pelos cidadãos. O Portal do Cidadão é o maior exemplo: com solução fornecida pela IPM (Informática para Municípios), o portal reúne alguns serviços úteis, como consulta de alvará, Certidão Negativa de Débito, consulta de licitações e outros.

O próprio site da prefeitura traz informações sobre contas públicas, audiências, legislação, licitações, concursos etc. Em função de pouca cultura local, quase ninguém conhece, aponta Weber. A intenção é juntar outros serviços, como emissão de guia de pagamento de IPTU, e divulgar melhor o Portal do Cidadão.

Para que isso seja feito, a banda de internet municipal será aumentada, a fim de comportar um possível salto de acessos nos serviços de e-gov. Atualmente a prefeitura usa um link dedicado de 512 Kbps e um outro compartilhado de 4 Mbps. "O link dedicado é muito usado na área contábil e financeira, com cadastros, emissão de guias e outros", diz Weber. A banda será aumentada, por meio de uma licitação dentro dos próximos quatro meses, para até 8 Mbps dedicados.

Data: 08 de julho de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar

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