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Segurança cibernética é questão de Estado, diz professor da Universidade de Brasília

Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, o Governo deve investir R$ 400 milhões na prevenção de ataques cibernéticos nos próximos quatro anos. O dinheiro será aplicado em tecnologia, pesquisa, inovação e a capacitação de profissionais para atuação contra crimes eletrônicos. Vazamentos de informações sigilosas, adulteração de dados, negação de serviços e roubo de identidade são alguns dos objetivos dos ataques perpetrados. Jorge Henrique Cabral Fernandes, professor da Universidade de Brasília (UnB), especialista no tema, adianta alguns eixos da palestra “Defesa Cibernética: Status atual no Brasil”, durante a 2ª edição do Cyber Security, Seminário Internacional de Segurança e Defesa Cibernética, na próxima quinta, dia 8, no Rio de Janeiro.

Guia das Cidades Digitais – O Brasil tem um Plano de Defesa Cibernética?

Jorge Henrique Cabral Fernandes – Não. A Defesa Cibernética é uma ação complexa que se projeta nos sistemas civis e militares, bem como nas expressões de poder da sociedade, da economia, da política, da ciência e tecnologia. Nos sistemas civis, o que temos de mais evidente é o Plano Nacional de Segurança das Infraestruturas Críticas (PNSIC), com expectativa de publicação para breve, na forma de um decreto presidencial. Nos sistemas militares, a estratégia nacional de defesa define que o Exército é responsável pela coordenação do Setor Cibernético, o que envolve especialmente a proteção dos sistemas militares. A integração do Exército com as demais forças, Marinha e Aeronáutica, está evoluindo rapidamente.

Guia das Cidades Digitais – O Brasil hoje tem reconhecimento internacional nesta área? 

Jorge Henrique Cabral Fernandes – Tem, sim. O Brasil tem reconhecimento e projeção internacional, em função de suas condições favoráveis frente aos outros estados-nações. Essa projeção do país não ocorre sem o surgimento de resistências. Nossa política interna também está amadurecendo. Em função disso, resistências ocorrem de várias maneiras, inclusive por atores não estatais, o que nos torna mais sujeitos a um maior número de obstáculos, até mesmo de ataques cibernéticos de maior ou menor escala. A criminalidade, as máfias, o tráfico de drogas e os conflitos transfronteiriços, em geral, também podem gerar ataques cibernéticos.

Guia das Cidades Digitais – O Brasil tem hoje um comando específico para combater um ataque cibernético?

Jorge Henrique Cabral Fernandes – É importante frisar que o poder cibernético modifica sensivelmente o modo de organização da defesa nacional de qualquer país. Portanto, não existe um “gerentão” da defesa cibernética, nem no Brasil nem em outros países. Existem, segundo minha visão ainda limitada da questão, oito segmentos que devem articulados num possível ataque cibernético de grande monta: militares; diplomatas; inteligência; defesa civil; políticos; gestores da Internet e das escolas fundamentais e de ensino médio; a área cientifica (universidades, institutos e centros de pesquisa) e as empresas privadas da área de segurança e defesa; bancos; e concessionárias de infraestrutura.

Guia das Cidades Digitais – Em relação ao terrorismo cibernético, o Brasil está adiantando em termos de prevenção?

Jorge Henrique Cabral Fernandes – A história recente tem demonstrado que atuar apenas nas consequências do terrorismo é inviável para o estado, tanto econômico quanto política e psico-socialmente. Isso pode, de alguma forma, até contribuir para enfraquecer a defesa nacional. Vejo que somos um país que está bastante adiantado nessa questão. Certamente um foco importante da defesa (e segurança) cibernética é o combate ao crime organizado e à corrupção.

Para mais informações sobre o Cyber Security Brasil - Seminário Internacional de Segurança e Defesa Cibernética, clique aqui.

Data: 05 de novembro de 2012
Autor: Alexandre Augusto, especial para o Guia das Cidades Digitais

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