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Rio 2016: cidade olímpica e digital

Cidade quer aproveitar jogos para conectar espaços urbanos e ser transparente com a ajuda das novas tecnologias. Projeto prevê conectividade por toda a cidade e muitas informações na rede

Os cidadãos cariocas comemoraram bastante a escolha da cidade como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, mas já cobram medidas para que o município seja beneficiado com o fluxo de turistas, atletas e recursos vindos de toda a parte do mundo como consequência das grandes competições que se aproximam, como a própria Olimpíada e a Copa do Mundo, em 2014. Entre as promessas feitas na campanha, constam ao menos duas relacionadas à ideia de construção de uma cidade digital – a disponibilização de acesso gratuito à internet em toda a cidade e a transparência do comitê organizador por meio da rede mundial de computadores.

A primeira medida para que as ideias se tornem realidade foi tomada no dia 8 de outubro, quando a prefeitura do Rio de Janeiro e a organização do evento, composta por representantes dos três níveis de poder e do Comitê Olímpico Brasileiro, colocaram no ar o site “Transparência Olímpica”. O portal traz informações sobre o projeto vencedor, notícias relacionadas às ações da prefeitura, governo do estado e dos ministérios para cumprir o cronograma proposto e outras realizações relacionadas aos Jogos.

“O objetivo é prestar contas de tudo o que é responsabilidade do município dentro do projeto olímpico”, diz o comunicado da prefeitura. A página permite ao cidadão monitorar gastos públicos. A proposta é mostrar quanto custará cada obra ou programa e sua execução orçamentária e assim evitar a repetição dos problemas ocorridos durante o Pan-americano de 2007, cujos valores estão sendo contestados na Justiça até hoje.

No primeiro dia de funcionamento, o site possibilitava o acompanhamento de sete iniciativas. Nenhuma informava o valor dos investimentos necessários para sua realização, mesmo constando a data de começo dos trabalhos. Segundo a página, alguns projetos, inclusive, já tinham tido início, mas ainda não havia a rubrica “em andamento”. O “Corredor T5”, por exemplo, imaginado para ser uma via de transporte expresso, teria começado a ser executado em 8 de outubro. O mesmo pode-se dizer da Ligação C, que conectará os bairros da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, onde acontecerá a maioria das atividades olímpicas e Bangu, vizinhança da Zona Norte.

Por outro lado, o “Rio Criança Global”, que dará aulas de inglês, espanhol e francês para alunos da rede pública de ensino, está “em andamento”, de acordo com a página recém-lançada.

Internet para todos

O projeto prevê que em 2016 todos os cariocas tenham como se conectar à rede mundial de computadores. A proposta apresentada ao Comitê Olímpico Internacional e considerada vencedora afirma que a capital fluminense será uma “cidade conectada”. Ou seja, vai “proporcionar uma ótima experiência para os espectadores através de uma série de equipamentos de comunicação, além de fornecer conexão de alta velocidade para atletas e agências fotográficas”.

O documento, no entanto, não especifica qual velocidade será disponibilizada e nem quais equipamentos serão utilizados para fornecer a banda larga necessária para a troca de informações entre jornalistas, atletas, turistas, empresários e cidadãos. É fato, porém, que a estrutura de telecomunicações da cidade deverá ser modernizada e ampliada. A condição é assumida pelo Comitê Organizador dos Jogos.

“Acho difícil prevermos agora o tipo de tecnologia para transmissão de dados e os equipamentos que serão utilizados daqui a sete anos. Mas considero fantástico o fato de as tecnologias serem disponibilizadas para a população, principalmente considerando que a internet proporciona uma grande mobilidade de conhecimento”, afirmou ao site G1 Alexandre Cardoso, secretário de Ciência e Tecnologia do Rio.

O secretário lembra que, anos antes das Olimpíadas, a cidade e até mesmo boa parte da Baixada Fluminense, que, com a região metropolitana de Niterói compõe a região do Grande Rio, já deve ter acesso gratuito à internet. O feito seria resultado do programa “Rio Digital”, sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.   

Áreas como a orla de Copacabana e as comunidades do Santa Marta, Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, todas na Zona Sul, estão iluminadas pela iniciativa. Algumas cidades da Baixada (São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis) e trechos da Avenida Brasil apresentam a mesma situação. A questão ainda é a qualidade do serviço.  Duque de Caxias, por exemplo, município de 1,5 milhão de habitantes, tem uma banda de 350 Mbps disponível. Pode parecer bastante, mas, com milhares de pessoas se conectando simultaneamente, o sinal individual resultante é muito baixo.

Vale lembrar, contudo, que o fornecimento de tecnologia da informação dos Jogos é feito por uma empresa contratada pelo Comitê Olímpico Internacional, a Atos Origin. O contrato da companhia com o COI começou em 2002, nos jogos de inverno de Salt Lake City, e vai até 2016. A Atos Origin atuou também no Pan-Americano do Rio, em 2007.

Data: 24 de outubro de 2009
Autor: Marcelo Medeiros

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