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Redução de custos é o principal atrativo

Custos telefônicos mais baixos − e, em muitos casos, nulos − têm feito da tecnologia Voz sobre IP, mais conhecida como VoIP, a grande promessa para as comunicações através da internet no futuro. Estudo lançado no início de maio pela consultoria mundial IDC estima que somente o uso de VoIP pelo cidadão comum vai movimentar mais de R$ 5 bilhões em 2012. No ano de 2007, foram mais de 1 milhão de conexões de serviços pagos de VoIP no País, segundo o escritório brasileiro da IDC.

Além dos baixos custos, a facilidade de implementação e a flexibilidade no oferecimento de serviços fazem do VoIP um grande aliado das administrações públicas. Prefeituras que já instalaram a tecnologia em seus órgãos registram reduções médias de 30% a 40% nas contas telefônicas [conheça algumas experiências na matéria Exemplos criativos do Sul ao Nordeste].

"As prefeituras têm vários órgãos, normalmente espalhados geograficamente pelo território. Com todos eles ligados na mesma rede VoIP, as ligações entre eles ficam a custo zero", explica o consultor em Cidades Digitais Newton Scartezini. "Quando as ligações são para fora da rede, os custos são bastante reduzidos", completa. "As prefeituras são como uma empresa, porém distribuídas geograficamente. A economia dentro das unidades da prefeitura é de 100%", reforça Epaminodas Lage, um dos diretores da mineira Planetfone, provedora de serviços e equipamentos de VoIP.

Isso acontece porque, com o VoIP, a voz é transformada em pacotes de dados, que por sua vez são enviados pela rede. Chegando ao final, são transformados em som − ou em voz − novamente. Se a comunicação for entre dois pontos de uma mesma rede, o custo é zero, já que ambos já estão interligados.

Se a comunicação for para fora da rede − e, com isso, a rede telefônica de cabos tiver que ser acionada −, paga-se somente pelo trecho em que a voz sai da internet e passa para o domínio dos cabos ou ondas telefônicas. Normalmente, este trecho equivale somente a uma ligação local. Por isso as reduções tão positivas registradas quando se interliga uma estrutura pública inteira em um mesmo serviço VoIP.

"A economia a partir do uso do VoIP costuma ser maior em cidades pequenas,pois nelas a demanda por ligações interurbanas é mais intensa. As prefeituras de municípios menores fazem muitas ligações para a capital", diz Scartezini. "Por isso se fala muito no uso do VoIP para elas", explica.

As prefeituras que quiserem implantar serviços de VoIP em toda a sua estrutura institucional − e até em escolas e postos de saúde, como costuma acontecer − devem levar em conta todos os requisitos para o serviço funcionar bem. O essencial deles é ter uma banda de internet com bastante capacidade, para que as ligações não fiquem picotadas ou com retardos.

"A primeira coisa que pergunto quando me pedem consultoria para Cidades Digitais é 'vai usar VoIP?'. Ela requer rede de alta velocidade. Se não for assim, haverá queda de qualidade nas ligações. É preciso garantir que os pacotes transitem a uma velocidade tal que não se consiga perceber que são separados. E só há um jeito para isso ocorrer: ter uma rede com folga de banda", enfatiza Scartezini. Lage concorda: "Tem que haver QoS [Quality of Service, ou Qualidade de Serviço]", define.

Novos serviços

A economia em contas telefônicas não é, porém, o único atrativo do VoIP em redes largas como as das prefeituras. "Custo é uma das vantagens. Mas há também a flexibilidade de uso", defende Giani Aldaner, diretor técnico da Sisnema, empresa sediada em Porto Alegre que presta consultoria em VoIP e outras tecologias, além de manter cursos sobre linguagens de programação e voz sobre IP.

Hoje já se pode interligar as redes VoIP com celulares ou com pontos da rede telefônica padrão, proporcionando economias suplementares. Além disso, é possível rodar verdadeiras centrais telefônicas dentro de um computador, com ramais ilimitados, para dentro e fora da rede.

"Serviços que até então os PABX tradicionais não ofereciam, os PABX IPs têm. Gravação automática de chamadas ou consulta a débitos de impostos de ISS são alguns exemplos. Esta última é possível pelo que chamamos de CTI [Computer Telephone Integrator]. Há milhões de aplicações para isso", diz Lage, da Planetfone.

Scartezini comenta que as prefeituras costumam gostar muito das aplicações de dados possibilitadas pelo VoIP. "Por exemplo, envio de mensagens automáticas de acompanhamento ou pesquisa de satisfação para usuários de postos de saúde, após consulta. São coisas simples, mas que têm efeito muito bom", destaca.

"Dependendo da prefeitura, o VoIP pode ser estendido para a sala de aula, por exemplo. Poderia até espalhar telefones para todos os cidadãos", entusiama-se Aldaner, da Sisnema. Em se tratando de VoIP, ele não é o único a demonstrar empolgação. "É o futuro da comunicação em tempo real", define, sem meias palavras, o estudo "Serviços de comunicação pessoal por IP - Previsões 2008-2012: Um novo tipo de serviço de telefonia", lançado no início de maio pelo IDC.


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Data: 12 de junho de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

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