Roteiro de compras » Equipamentos » Projeto coleta dados ambientais com ajuda de cidadãos

Projeto coleta dados ambientais com ajuda de cidadãos

Enquanto o Guia das Cidades Digitais escrevia este texto, a temperatura em João Pessoa (PB) era de 21,4 graus, a umidade do ar estava em 80,5% e a concentração de gás carbônico chegava a 260,1 partes por milhão. Os dados foram captados por um aparelho do tamanho de um palmo chamado SCK, que integra a iniciativa “Smart Citizen”. O projeto, criado em 2011 em Barcelona, Espanha, pela companhia FutureLab, visa, com a ajuda de pessoas comuns, produzir informações ambientais que possam ser utilizadas pelo poder público e por empresas para melhorar a qualidade de vida de cidades de todo o mundo.

Atualmente, a Smart Citizen disponibiliza dados de 60 cidades, fornecidos por 355 pessoas, utilizando cerca de 700 aparelhos. Em algumas localidades, há mais de um cidadão gerando números por intermédio da máquina quadrada de cerca de cinco centímetros. Abastecida por energia solar ou conectada à tomada, o objeto, cujo nome completo é Smart Citizen Kit, por reunir um conjunto de sensores, custa cerca de US$ 175 (cerca de R$ 400). A maioria das unidades foi construída com recursos de um financiamento coletivo de 68 mil euros. Boa parte das máquinas, porém, foi cedida gratuitamente graças a parcerias com grandes empresas, como a Intel, que apostaram na ideia. 

O aparelho mede composição do ar (concentração de CO - gás carbônico- e de NO2 - dióxido de nitrogênio), temperatura, luminosidade, níveis de ruído e umidade do local em que está instalado. Quando ligado, consegue transmitir os dados via wi-fi. O baixo consumo de energia permite que fique posicionado em varandas, janelas ou áreas abertas ou mesmo que seja levado com o usuário em seus deslocamentos cotidianos.

O objetivo é produzir dados mais precisos do que os fornecidos pelas tradicionais estações de meteorológicas e de captação de ruído. Isto por meio da multiplicação de sensores pela cidade.

A ideia é baseada na colaboração. Desde o projeto inicial até o site que apresenta as informações, em séries atuais e históricas, tudo foi feito de maneira aberta e contando com a ajuda de terceiros. Segundo o criador do protótipo, o catalão Tomas Diez, da empresa FutureLab, de Barcelona, a intenção é empoderar os cidadãos no que se refere à produção de dados. Em vez de gerarem informações passivamente para grandes empresas, as pessoas podem elas mesmas fornecer dados.

“Quisemos criar um sistema no qual as próprias pessoas gerassem dados de uma maneira consciente. É uma plataforma que gera informações das pessoas, com autorização das pessoas e com entendimento das pessoas”, explicou Diez em um seminário em Barcelona.

Os dados gerados estão disponíveis, em tempo real, no site do projeto: www.smartcitizen.me. Em algumas cidades, como João Pessoa, são poucos os usuários, mas, em outras, como Barcelona e Amsterdã, o número começa a crescer, o que possibilita atingir o objetivo dos idealizadores: entender como está o ambiente urbano em um dado momento e gerar séries históricas que possam auxiliar a tomada de decisão de indivíduos, corporações e governos.

Data: 19 de setembro de 2014
Autor: Marcelo Medeiros, com informações da Smart Citizen

«Voltar



Apoio: