Proderj investe em m-gov
O Proderj -Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro quer deixar de oferecer serviços governamentais somente por intermédio da internet. Segundo seu presidente, Paulo Coelho, a empresa está desenvolvendo a passos largos o conceito de m-gov. Ou seja, mobile government, a disponibilização de conteúdo relacionado à administração pública via dispositivos móveis como celular e palms. Algumas experiências já estão sendo feitas e os resultados têm sido satisfatórios, garante o presidente do órgão estatal.
Para Coelho, a idéia é levar serviços à grande parte da população que ainda não tem acesso à internet. “O celular tem grande penetração em todos os segmentos”, lembra. Logo, a solução mais óbvia seria levar o Estado a esses pequenos aparelhos que cabem na palma da mão, defende.
Entre as possibilidades em teste estão a resposta de pedidos de matrículas em escolas estaduais por SMS e o acompanhamento de processos que correm na Justiça estadual. Até o fim do ano, o serviço deve estar funcionando para todos.
Nesta entrevista, concedida durante o “Digital Cities 2008”, Coelho fala sobre essa e outras atividades do Proderj.
O Proderj está começando a trabalhar com o conceito de m-gov, ou seja, a oferta de serviços públicos por meio de plataformas móveis. Como está o desenvolvimento desse projeto?
Estamos muito focados no governo eletrônico com mobilidade, em oferecer recursos via celular para aproximar a administração do cidadão. Hoje a gente já evoluiu muito no que se refere ao governo eletrônico. O problema é como ele chega ao cidadão. Temos mais de 200 serviços, mas as pessoas acabam não utilizando todo esse potencial, pois elas precisam ter um computador em casa ou ir a um telecentro.
Temos 74 Centros de Internet Comunitária (53 no interior) e um projeto de alfabetização digital, no qual as pessoas aprendem a navegar na internet, checar email, etc. Isso, porém, não atende toda a demanda por serviços. O celular tem grande penetração em todos os segmentos, e por isso já estamos em contato com parceiros privados para implantar serviços públicos via telefonia móvel.
Que aplicações estes serviços teriam?
A matrícula escolar é um bom exemplo. Atualmente, no Rio de Janeiro, 480 mil alunos matriculam-se anualmente na rede estadual de ensino. Há seis anos, 30% das inscrições eram feitas via internet e 70%, pelos call centers. As coisas, porém, evoluem e no ano passado já tivemos 100% das matrículas feitas pela internet. Este ano vamos pedir às pessoas que se cadastrem para receber informações pelo celular. Daí a pessoa vai saber por torpedo em que escola vai estudar, já que ela sempre tem cinco opções de unidades, e quando deve comparecer para fazer a inscrição. Quem se cadastrar vai receber a informação – o aluno ou o responsável. A escolha é monitorada pelo Ministério Público, e é transparente.
Que outro exemplo pode ser dado?
A tramitação de processos. A Justiça fluminense lida hoje com cerca de 36 mil novos processos por mês, e atualmente as pessoas já podem cadastrar seu email para receber informações relativas ao seu caso. Conforme o processo anda, o cidadão recebe uma mensagem informando o que aconteceu. Queremos levar este tipo de informação para o celular e torná-lo mais ativo. Ou seja, que a pessoa não só receba, mas também busque dados relativos a seu processo. Claro que nem tudo cabe na tela de um celular, porém, ao menos um recado você consegue obter.
Mais alguma área já está inserida no projeto?
Por enquanto estamos trabalhando com essas duas vertentes. Em outubro ou novembro elas devem estar funcionando a pleno vapor.
E a Gespi (Gestão de Serviços Públicos por Indicadores)?
É uma iniciativa que está funcionando bem. Ela consiste no trabalho de 80 funcionários do governo munidos de palms, que fiscalizam em tempo real escolas e hospitais. Enquanto visitam o estabelecimento, enviam as informações via Wi-Fi para a central, que pode analisá-las rapidamente e gerar respostas para os problemas. É uma parceria nossa com a Subsecretaria de Projetos Especiais, que tem dado resultado. As notas das escolas têm aumentado, pois a velocidade de resposta por parte da secretaria e dos gestores é mais rápida graças a esse sistema.
Como está o desenvolvimento da infovia?
A infovia está presente em 92 municípios e existe há quatro anos. Hoje ela já tem 1.200 pontos de acesso, mas já temos o projeto da Infovia 2, na qual queremos ter 2.500 pontos no total.
Ela será acompanhada de serviços?
A princípio, não. Vamos primeiro implementar a infra-estrutura. Nossa meta para 2008 é instalar banda larga em todas as 2.500 escolas estaduais. Já estamos negociando com a Oi, que é nossa parceira, para iniciar um projeto piloto com outras secretarias. Afinal, o papel do Proderj é prover ferramentas para que a administração pública seja melhor.
O Proderj também desenvolve softwares. Há alguma novidade em andamento?
O intragov.rj, que é um projeto de integração das bases de dados do Estado por temas (educação, segurança, recursos humanos, etc).
Qualquer um poderá ter acesso a essas informações?
Não, destinam-se à gestão interna, para modernizar a máquina pública. De posse desses dados, vamos começar a trabalhar com Business Inteligence (BI). Já inserimos o departamento de Recursos Humanos nesse esquema para agilizar pagamentos, por exemplo.
Essas informações, porém, serão usadas de outras formas. Começamos a utilizar ferramentas de data mining, ou seja, de análise de dados. Elas controlam gastos, entre outras utilidades. Se o gasto mensal de uma secretaria for de R$ 300 mil, e houver um gasto de R$ 400 mil não previsto, o sistema não permite a operação.
Na área de segurança, graças a esse sistema, podemos saber qual o perfil dos carros roubados em uma rua, a hora em que houve furtos, etc. Essas informações podem ajudar a polícia a adotar uma postura mais proativa em segurança pública.
Essas informações e sistemas poderão ser compartilhados com outras empresas públicas de informática?
A integração de dados depende da integração de interesses. Sou presidente da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e da Comunicação (Abep), e lá sempre discutimos como compartilhar dados. Mas é uma questão complicada, por enquanto restrita à divulgação de dados e iniciativas.
Algo que desejo é integração de fato com o governo federal, pois, no interior temos o Proderj, a Dataprev, o Datasus (o banco de dados do Sistema Único de Saúde), etc, todos agindo no mesmo local. Poderíamos unir os dados e economizar.
E o Centro Experimental de Conteúdos Interativos Digitais (Cecid), que tem como objetivo contemplar a TV Digital? Ele pode ser utilizado para aplicações de e-gov, saúde e educação também?
Ainda está muito incipiente, mas a nossa intenção é aproveitar a vocação do Rio de Janeiro para a produção de conteúdo. Vamos esperar para divulgar mais o andamento da iniciativa com nossos parceiros.
Data: 09 de maio de 2008