Maranhão prepara infovia para 2009
Até o final de 2009, a primeira fase do projeto deve estar implementada, atingindo um total inicial de 13 municípios. Até o final de 2010, a segunda fase, envolvendo mais 20 cidades, também já será realidade. Esses são os planos previstos para o projeto de digitalização do Maranhão, Estado nordestino mais perto da região Norte, com 217 municípios e mais de 6,1 milhões de habitantes.
Isso tudo será possível através da Infovia Maranhão, que, a exemplo do que foi feito no estado do Pará — leia a reportagem “Pará inaugura projeto de estado digital” —, será fruto de parceria do governo estadual com a Eletronorte. Para concretização da infovia, serão utilizadas as fibras apagadas dentro dos cabos de aterramento das linhas de transmissão da Eletronorte. Com isso, espera-se viabilizar uma infovia que terá um canal de 10 Gbps e mais cinco canais de 1 Gbps.
Segundo o coordenador do projeto, Marcelo Silva, da Secretaria Adjunta de Tecnologia da Informação e Integração do Maranhão (Seati), já estão sendo articuladas parcerias com outros estados da região para que tenham iniciativas semelhantes. "Nossa idéia é conectar todo mundo. Já fechamos com o Pará de juntarmos as duas pontas da infovia e começarmos dali uma célula da Infovia Amazônia", conta.
“Considerando as assimetrias regionais, para lá [a instalação de banda larga] é mais importante do que para o resto do País. As metas de universalização estão muito longe e as capacidades instaladas e a instalar, idem. E há distâncias absurdas”, pondera.
Desde 2007, um piloto do projeto vem sendo desenvolvido em três municípios: Arari, de 27 mil habitantes; Icatu, com população de 25 mil pessoas, e Porto Franco, de 18 mil habitantes. "Os três têm maturidades completamente diferentes", avalia Silva. Nessas cidades estão sendo testadas estratégias de inclusão digital. A conexão, no entanto, ainda não é feita através da Infovia Maranhão, e foram contratados links de 512 Kbps (para cada cidade) com a operadora local, a fim de conectar alguns dos órgãos públicos destas cidades. Em breve, serão 2 Mbps de banda em cada cidade.
Após estas experiências piloto, a idéia é expandir e oferecer banda larga para atender 13 municípios na primeira fase (serão escolhidos para esta etapa aqueles que têm subestação da Eletronorte). "A idéia é, a partir deles, irradiar, provavelmente por rádio, para outros municípios", conta Silva. "Vamos avaliar a tecnologia que se adequa a cada local, claro. Há topografias diferentes, rios, um monte de condicionantes", completa. Na segunda fase, mais 20 cidades receberão infra-estrutura de transmissão de dados em alta velocidade através das fibras da Eletronorte.
Prédios dos três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — receberão acesso em banda larga. Órgãos municipais, não só os estaduais, também estarão conectados, prevê a iniciativa. "Os três poderes estão sendo pensados para a integração total. E a mesma coisa para a esfera municipal, que está sendo inserida em qualquer tipo de projeto", diz Silva. Na capital, São Luis, já há 300 pontos de órgãos e prédios públicos conectados e, muitos, interligados.
A terceira fase ainda não está programada. Silva conta que isso será feito à medida que o projeto for avançando. "Estamos vencendo a inércia. O horizonte são os 217 municípios, mas o governo certamente não terá braço para fazer tudo. Um projeto como esse é extremamente atrativo para diversos parceiros, e alguns já estão sinalizando isso", diz o coordenador. Além, é claro, dos próprios municípios maranhenses, que serão também parceiros do projeto.
Aqueles interessados em conhecer melhor o projeto e estabelecer parcerias podem entrar em contato com a Seati. "Estávamos segurando um pouco a divulgação, pois certamente vai chover consultas", anima-se Silva.
Data: 07 de novembro de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar