Prefeitura do Rio de Janeiro recebe software de gestão de saúde
No fim de janeiro, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) entregou à Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro um programa de georreferenciamento para a gestão da área no município. O software é baseado em mapas retirados do Google Earth e traz informações sobre as redes pública e privada de saúde da capital fluminense.
O sistema permite ao gestor, por intermédio de um mapa em três dimensões, saber quantos profissionais, número de leitos e equipamentos cada um dos mais de dois mil hospitais e postos de saúde da capital fluminense possui e suas condições de uso, além de ter acesso a dados sobre a região em que cada unidade se encontra.
“O mapeamento é fundamental porque permite analisar uma informação para se gerir melhor uma rede de saúde tão complexa como a do Rio. É uma visão real que não se tinha antes”, disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes, na cerimônia de entrega do programa.
O software reúne as informações de diversos bancos de dados, como os da própria Secretaria Municipal de Saúde, do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Pereira Passos e do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde em uma plataforma que pode ser acessada pelos funcionários da administração municipal. O acesso pela internet ainda não é possível. Além de dados relativos ao funcionamento de cada unidade de atendimento, o software informa qual o tamanho da população que habita a região de atendimento, o perfil do usuário do sistema de saúde e a quantidade de atendimentos feita em cada unidade.
Assim, é possível medir a carga de trabalho média de cada funcionário, conhecer os locais de maior demanda por novos leitos ou especialistas. Logo, quando uma unidade estiver sobrecarregada, por exemplo, novos pacientes podem ser encaminhados para outra cuja situação esteja mais tranquila.
Cruzamento de dados
Segundo a Firjan, o programa vai ajudar a prefeitura a planejar ações na área de saúde e orientar a população na busca por atendimento por meio de cruzamento de dados. O software mostra as principais vias de acesso e as especialidades de atendimento de cada unidade, informações que podem ser usadas em campanhas informativas ou para explicar por que determinadas áreas registram melhores índices do que outras.
Um exemplo é saber o motivo de um bairro apresentar mais exames de pré-natal do que outros com o mesmo índice de grávidas. Se em uma área o transporte até o posto de saúde for mais fácil, é possível que as mulheres se dirijam com mais frequência aos médicos. A falta de transporte pode dificultar o deslocamento até o posto de atendimento, trazendo danos à saúde da mulher e do bebê.
O órgão empresarial também acredita que as informações podem melhorar a comunicação entre as secretarias municipais de saúde do Grande Rio de Janeiro. Muitos pacientes de fora da capital são atendidos no município por falta de informação ou opção em suas cidades de origem. Com dados, os gestores podem criar campanhas ou orientações que melhorem o atendimento e assim diminuir as filas na rede pública.
Outra possibilidade é o uso das informações georreferenciadas para combater epidemias, como a dengue, pois reúne relatórios de incidência de casos em cada bairro e região administrativa. O programa oferece mapas tridimensionais com o número de focos e casos registrados para orientar ações preventivas.
O programa não atualiza as informações em tempo real. Por isso, a Firjan, na cerimônia de entrega, recomendou à prefeitura que um profissional fosse designado para essa tarefa. O sistema foi programado para ser atualizado com a colaboração dos gestores de cada unidade, que devem receber periodicamente, de acordo com orientação do município, um cadastro de controle a ser preenchido com novas informações. “No primeiro ano, vamos ajudá-los a atualizar. Para operar a ferramenta não há necessidade de treinamento”, afirma o diretor de Saúde do Sistema Firjan, Sérgio Bastos.
Pronto para ser replicado
O software, de acordo com Sérgio Bastos, diretor de Saúde do Sistema Firjan, levou dois meses para ficar pronto e surgiu a partir de exemplos de uso de ferramentas de georreferenciamento utilizadas no exterior. Ele foi construído sob a plataforma do Google Earth, programa da Google de mapeamento via satélite de todo o planeta. Por meio dele é possível visualizar mapas de qualquer cidade com detalhes. A versão mais simples do software da empresa norte-americana pode ser baixada de graça. Há também uma opção paga, com mais informações sobre a área analisada, como pontos comerciais, ferramentas de medição de distâncias e imagens mais definidas. Sobre os mapas, qualquer um pode inserir as informações que desejar.
Por ter sido construído com informações públicas, Bastos acredita que o programa da Firjan possa ser replicado em qualquer cidade. “As informações inseridas neste sistema são de caráter público, ou seja, podem ser acessadas nos diversos sites do governo por qualquer um. Seu desenvolvimento é similar a de um sistema como outro qualquer e com baixo custo”, afirma o diretor de Saúde da Firjan.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro afirma que, por enquanto, não tem planos de desenvolver programas similares para outras cidades do estado. |
Data: 11 de fevereiro de 2009
Autor: Marcelo Medeiros
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