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Portal de Saúde do Cidadão vai ao ar até agosto

Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) trabalha na integração de bases de dados e interoperabilidade de sistemas para, até o fim de 2011, oferecer registro eletrônico de saúde pela internet

O Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus) trabalha atualmente na integração de diversas bases de dados para colocar no ar, entre fins de julho e meados de agosto, o Portal de Saúde do Cidadão. A informação é do diretor do Datasus, Augusto Gadelha, em entrevista ao Guia das Cidades Digitais. O lançamento do portal está vinculado ao desenvolvimento e à distribuição do novo Cartão Nacional de Saúde.

Segundo Gadelha, no primeiro momento, os cidadãos poderão verificar no portal apenas suas informações pessoais no Cadastro Nacional de Usuários do SUS. Ao todo, há cerca de 192 milhões de pessoas cadastradas e muitas sequer sabem disso – basta ter sido atendido por qualquer unidade pública de saúde ou associada ao SUS, como em campanhas de vacinação, para ter cadastro.

“Pode ocorrer de as pessoas estarem cadastradas com o nome errado. Por isso, é interessante acessar e verificar as informações, como nome, endereço e data de nascimento”, recomenda Gadelha.

Com o formato de cartão de crédito, o novo Cartão Nacional de Saúde trará uma etiqueta com dados pessoais do usuário e número fornecido pelo Ministério da Saúde. As secretarias estaduais e municipais que já têm algum tipo de sistema integrado de registro de dados de saúde terão o prazo de um ano para emitir e distribuir os cartões. A meta é implantar o registro eletrônico de saúde em todos os municípios até 2014.

Antes disso, até o fim de 2011, o Ministério da Saúde pretende ter disponível no Portal de Saúde do Cidadão as informações do registro eletrônico de saúde, informa Gadelha. Nesse passo seguinte, os cidadãos poderão acessar, por meio de conta pessoal e senha, informações como histórico de saúde, exames realizados e seus resultados, além de agendamento de consultas, exames e cirurgias. “O cidadão vai poder verificar quais exames fez, seus resultados, que tipos de alergia tem e seu tipo sanguíneo”, exemplifica Gadelha.

Integração e interoperabilidade

O principal trabalho atualmente em curso no Datasus é de integração de bases de dados, garantindo sua interoperabilidade. Aí estão incluídos dados do SUS, de secretarias estaduais e municipais, bem como de hospitais do setor privado. “Ainda não temos um sistema integrado, e isso leva algum tempo para ser construído”, diz Gadelha, citando o caso da Austrália como semelhante ao do Brasil. Lá, foram cinco anos para o sistema ser totalmente montado.

O trabalho inclui permitir que diferentes definições de padrões “conversem” com o sistema nacional. De acordo com Gadelha, tanto hospitais particulares quanto vários municípios têm seus próprios sistemas de gestão. “A ideia é que todos se conectem ao sistema nacional, tanto para inserir informações quanto para acessá-las”, explica o diretor do Datasus.

Isso permitirá um atendimento completo ao cidadão. “Uma pessoa atendida por um plano de saúde, em hospital privado, ao se acidentar e entrar num hospital público, poderá ter seu registro acessado pelo médico da emergência”, exemplifica Gadelha, avaliando que o setor privado também terá interesse no sistema nacional, pois, com ele, poderá oferecer um serviço adicional a seus clientes.

Infraestrutura

Além da integração das bases de dados atualmente existentes, o sucesso do trabalho exige que cada unidade de saúde esteja conectada ao sistema, pressupondo o acesso à internet, inclusive por parte dos cidadãos. De acordo com Gadelha, a massificação das conexões rápidas por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) terá papel fundamental para o sucesso do portal, mas a ideia é desenvolver o sistema de cadastro paralelamente ao crescimento da infraestrutura.

“Não podemos parar um para esperar pelo outro. Os dois têm que vir juntos. Isso vai motivar cada vez mais as pessoas a se ligarem na internet e a cobrarem dos governos políticas para o aumento da conectividade”, aposta Gadelha.

Como o Portal de Saúde do Cidadão será relevante, sobretudo, para os usuários do SUS – pessoas de menor poder aquisitivo e, geralmente, com menor acesso à internet –, o Datasus planeja também ações voltadas para inclusão digital. Segundo Gadelha, os sites serão construídos da forma mais amigável possível. 

“Vamos dar divulgação de como usar, orientando o cidadão, para fazer com que a população saiba como utilizar o portal”, completa Gadelha. Para ele, é preciso atingir também as pessoas já com acesso à internet, mesmo que fora de casa, como em locais públicos e lan houses.

 

Data: 02 de junho de 2011
Autor: Vinicius Neder, com informações da Agência Brasil

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