PNBL: primeiro provedor comemora resultados
Pequena empresa de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, diz que plano permitiu competição
Desde 1º de outubro, as concessionárias de serviços de telecomunicações estão ofertando conexão à internet dentro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Apesar do otimismo do governo em relação à atuação dessas companhias para atingir grande parte do território nacional (a meta é atender 544 municípios até o fim do ano), pequenos provedores que já fazem parte do programa, comprando conexão da Telebras, vêem a iniciativa como uma forma de sobreviver à competição.
Um deles, a Sadnet, de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás, primeira empresa a firmar um convênio dentro do PNBL, comemora os resultados da iniciativa. Para a companhia, o programa do governo federal lhe permitiu competir com as grandes empresas de telefonia.
“O PNBL é comercializado em Santo Antônio do Descoberto desde 23 de agosto e, sinceramente, a procura supera, e muito, nossas projeções”, garante Luiz Tomaz, diretor administrativo do provedor da cidade de 60 mil habitantes, a 200 quilômetros de Goiânia e 45 km de Brasília.
A Sadnet cumpre as determinações do programa e disponibiliza conexão de 1 Mbps por R$ 35 a seus clientes, banda adquirida da rede da Telebras. “O PNBL não é simplesmente mais um produto do nosso portfólio. Ele é o produto do nosso portfólio”, enfatiza Tomaz. A Sadnet também oferece planos com velocidades de 100 Kbps a 10 Mbps, fora do PNBL.
A empresa não revela seu faturamento ou quanto ele cresceu com o plano, mas afirma que a meta de dobrar os mil clientes quando da assinatura do convênio com a Telebrás, em junho, será alcançada. A atração de novos consumidores, de acordo com o provedor, é facilitada pela veiculação de informações sobre o programa nos grandes meios de comunicação, o que lhes poupa verba de publicidade.
Outra vantagem do programa seria o preço de compra de banda, 80% menor do que o antigo fornecedor – o PNBL também prevê a cobrança de valores menores pelas grandes operadoras. A diferença permite a oferta do serviço a R$ 35 ao consumidor final e a existência de concorrência com grandes empresas. “O PNBL não simplesmente melhora, ele possibilita a concorrência”, diz Tomaz. Segundo ele, as grandes empresas enfrentam, além de preços semelhantes (apenas em locais onde o governo estadual oferece desconto do ICMS o preço é menor, R$ 29,90), a oferta de serviços especializados, que elas dificilmente conseguem oferecer a pequenas cidades, como suporte na casa do cliente, rápido atendimento por telefone, conhecimento do local onde a instalação foi feita, entre outros.
Além disso, as grandes empresas não estariam chegando ao preço combinado com o governo. Reportagem do site Convergência Digital, veiculada em de 3 de setembro, aponta que o preço cobrado pelas grandes concessionárias na verdade é maior do que o acordado. “Ainda que com distintas abordagens, Oi, Telefônica e Sercomtel incluem no pacote taxas de habilitação”, afirma o texto, que pode ser lido aqui.
A competição com as empresas de telecomunicações é a maior preocupação dos pequenos provedores hoje em dia. Ciosa da possibilidade de mudanças na legislação referente ao uso da rede no Brasil, a representante do segmento, a Associação Brasileira de Internet (Abranet), publicou nota, em 2 de setembro, criticando a alteração da norma 4 de 1995 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A regra separa serviços de telecomunicações do provimento de acesso e conteúdo. Sua alteração permitiria às concessionárias, como Oi, Vivo, Tim e Claro, cobrar pelo tráfego de sua rede, e aumentaria os impostos dos pequenos provedores, pois eles deixariam de figurar como prestadores de serviço adicionado e passariam a constar como prestadores de serviços de telecomunicações.
“O atual regulamento foi e é fundamental para manter o crescimento da Internet, por permitir competitividade, menores preços, variedade e qualidade no provimento de conteúdo nacional e, consequentemente, é vital para a sua sobrevivência”, afirmou a Abranet.
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Data: 07 de outubro de 2011
Autor: Marcelo Medeiros