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Anápolis aposta em plano diretor para estruturar Cidade Digital

Segunda maior cidade de Goiás em termos de número de habitantes, Anápolis, a 48 quilômetros da capital, Goiânia, saiu em primeiro para se tornar digital. O município de 335 mil habitantes deu o pontapé inicial ao processo em outubro, quando a prefeitura realizou eventos dentro da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. "Fizemos o batismo digital durante o evento. Abrimos a discussão", conta Fabrízio de Almeida, diretor de Ciência e Tecnologia da prefeitura. Segundo ele, já havia ações esparsas, como alguns telecentros, oferecimento de serviços de governo eletrônico e outras, mas agora a iniciativa está se estruturando como algo integrado.

O projeto de Anápolis aposta principalmente na formulação do plano diretor da cidade para o estabelecimento de um anel de fibra ótica. O plano será discutido durante janeiro e fevereiro com diferentes setores da economia, universidades, outras esferas de governo e população. "Queremos pensar em médio e longo prazo, incluir o setor produtivo, pensar a Cidade Digital como ferramenta de inclusão social e econômica. Tem que ter um diferencial como desenvolvimento social e econômico", pontua Almeida. Para isso, o plano diretor será discutido com setores produtivos e universidade.

A inclusão dos diferentes setores na discussão se dá na intenção de partilhar a infraestrutura. "Não queremos montá-la só para a prefeitura. Queremos contar com o apoio das empresas. Utilizamos o parque tecnológico delas e elas, o nosso. A fibra não será só para uso do governo municipal, mas também o poder público estadual e federal", explica o diretor de Ciência e Tecnologia. Segundo ele, na discussão do documento, cada setor vai manifestar o que precisa e, assim, será possível "dar um tiro mais certeiro". A escolha da fibra é devida à necessidade de banda larga em longo prazo. O anel já está sendo montado. O plano diretor servirá, portanto, para discutir formas de compartilhamento e uso.

Atualmente, a cidade conta com dois links de internet (um de 12 Mbps e outro de 4 Mbps), utilizados pelos órgãos da administração direta. A rede é sem fio, utilizando tecnologia Wi-Fi, por meio de cinco torres de transmissão. Cada uma das 64 escolas conta com um link de 500 Kbps, contratados pela prefeitura à concessionária telefônica atuante no Estado, enquanto não chega o link do Programa Banda Larga nas Escolas, do Ministério das Comunicações. A rede escolar tem espaços digitais, equivalentes a laboratórios de informática.

A intenção é unificar a infovia e a forma de contratação do link. A Secretaria de Planejamento vai centralizar a contratação de banda de internet, que será um link mais dedicado, contratado de uma empresa diferente da atual, que não vem dando conta das expansões necessárias. "O processo de Cidade Digital já está funcionando nas escolas, mas é primário. Acontece em 10 escolas. Deste primeiro ensaio vem nosso olhar crítico", diz Almeida. "Nós temos o seguinte problema: há escolas para as quais o provedor local não consegue levar o link de internet. Queremos resolver o gargalo", planeja.

Os planos para a área da educação incluem ainda o uso dos laboratórios de informática pelos pais de alunos e pela comunidade, fora dos horários de aulas. As escolas, que já contam com um software de gestão, vão ganhar neste ano um sistema incrementado, que deixará toda a vida escolar digitalizada e online: histórico, declarações, certificados, etc. Pais vão poder saber de casa como anda o desempenho dos filhos e os dados, já digitalizados, servirão para facilitar a entrega de informações para o Censo Escolar. Um benefício extra é a redução no uso de papel nas escolas. Em uma segunda etapa, em 2011, a matrícula será feita por meio de call center, com ligação gratuita.

Na área de saúde, os próximos passos incluirão o agendamento online de consulta. Primeiramente, o cidadão poderá agendar consulta e exames em qualquer posto de saúde da rede comparecendo a qualquer uma das 46 unidades de saúde da rede: 31 unidades do Programa de Saúde da Família; quatro unidades secundárias e 11 postos de saúde. No futuro, o agendamento poderá ser feito pela internet, a partir da casa das pessoas.

Na área de segurança pública, câmeras de monitoramento, adquiridas com verbas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), estão sendo instaladas, em parceria com o governo estadual. "Estamos com um link dedicado, colocamos torres e interligamos as câmeras", pontua o diretor de Ciência e Tecnologia. A Companhia Municipal de Trânsito e Transportes também vai usar as imagens captadas pelas câmeras.

Os planos de Anápolis incluem ainda a colocação de hotspots em pontos específicos, como escolas e praças públicas. Até fevereiro será inaugurado um no Centro Administrativo (local onde fica a prefeitura). Para utilizar, os cidadãos precisarão preencher um cadastro online.

Projetos diferenciados

Dentro do espírito, citado por Almeida, de o projeto de Cidade Digital ser ferramenta de inclusão social e econômica, a prefeitura já planeja e desenvolve iniciativas que fomentam atividades econômicas. Uma delas é o Expresso Digital, que consiste em dois ônibus com computadores e acesso à internet, usados para dar aulas de informática à população e prover acesso à internet em eventos.

"Nos eventos, o acesso é livre. Fora deles, estacionamos por um período em determinados locais, como escolas, e oferecemos aulas de informática", explica o diretor de Ciência e Tecnologia. Recentemente foi oferecido um curso aos trabalhadores do Mercado Produtor (central de abastecimento do município), com duração de quase três meses, com aulas duas vezes por semana.

Outro projeto que procura estimular a economia local é o Lan House Social, que envolve ações de estímulo ao empreendedorismo com proprietários desses estabelecimentos. O município vai comprar horas de acesso à internet das lan houses para uso de famílias inseridas no programa Bolsa Família. A ideia de estabelecer um projeto com esses locais surgiu depois que Almeida pesquisou dados do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.Br) que indicam que 80% da população brasileira acessa a internet via lan houses. "As lan houses já são uma coisa estabelecida. Queremos incrementar o setor", diz.

Com o Lan House Social, a intenção é cumprir três objetivos. O primeiro é inclusão social para as pessoas do Bolsa Família. O segundo é estimular o empreendedorismo dos donos de lan houses. "Boa parte tem alvará, mas muitas vezes trabalham na clandestinidade. Queremos estimular a legalizar o estabelecimento com CNPJ, para que possam entrar nos financiamentos, e fomentar a noção de que são micro ou pequenos empresários", explica Almeida. Por último, pretende-se oferecer cursos de informática para a população, ampliando os espaços de inclusão digital no município.

Data: 18 de janeiro de 2010
Autor: Maria Eduarda Mattar

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