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Pesquisadores desenvolvem portal para catalogar biodiversidade
Iniciativa do MCTI e do Inpa, com apoio da IBM, criará portal para que investigadores e pessoas comuns ajudem a registrar espécies da fauna e da flora nacionais de acordo com a metodologia da Wikipedia. É a Wikiflora
Impressionado com a variedade de espécies de plantas que encontrou após uma visita à Reserva Experimental Adolpho Ducke, administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ambos no Amazonas, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aloízio Mercadante, perguntou aos pesquisadores que o acompanhavam se aquelas espécies estavam catalogadas. A resposta foi negativa. Apenas uma parte delas havia sido descrita, pois faltam estudantes, pesquisadores e profissionais de vários tipos para cadastrar a biodiversidade nacional.
A partir do diálogo entre governo e cientistas, nasceu a ideia de chamar mais pessoas ao trabalho e assim terminar a tarefa, importante para reforçar o conhecimento sobre as espécies que crescem em território brasileiro, preservá-las e desenvolver produtos. A chamada, no entanto, teria de ser aberta para agregar o máximo de interessados. E abertas também seriam as contribuições. A fórmula é conhecida na internet – a Wikipedia é abastecida dessa maneira –, mas inédita no que se refere ao cadastro da flora. Assim nascia a Wikiflora, projeto brasileiro de cadastro de espécies vegetais da Amazônia por meio da rede mundial de computadores.
O projeto ganhou apoio da IBM, empresa de computadores e softwares, em seu desenvolvimento. Um convênio foi assinado no dia 15 de junho entre o ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a companhia norte-americana. "Temos a necessidade de fazer a enciclopédia digital da biodiversidade da Amazônia. Precisamos conhecer melhor a nossa riqueza”, afirmou Mercadante
A proposta prevê a criação de um portal eletrônico de “ciência cidadã” que permita a colaboração entre cientistas, professores e comunidade local na investigação da diversidade biológica utilizando ferramentas de redes sociais e semelhantes às da Wikipedia. O espaço virtual deve contar com ferramentas de redes sociais, wiki e referências geográficas do conteúdo, além de um acervo científico voltado para a comunidade. Um comitê científico, ainda a ser formado, validará as informações registradas.
Por enquanto, o pesquisador Alberto Vicentini, coordenador do programa de pós-graduação em Botânica (PPG-BOT) do Inpa, tem desenvolvido a plataforma de catálogo com ajuda da IBM. Seu entusiasmo é tamanho que pretende aumentar o escopo do programa. “O Wikiflora é uma proposta de ciência cidadã não apenas para plantas, mas também para outros organismos. Portanto, não mais Wikiflora, mas sim Wikibio”, instiga o pesquisador. “É uma forma de modernizar o conhecimento acadêmico, principalmente na botânica, um passo gigante para revolucionar a forma de adquirir o conhecimento”, observou.
Uma das primeiras contribuições para a plataforma é um guia sobre fungos da Reserva Florestal Adolfo Ducke, que está sendo elaborado pelo bolsista do Inpa Ricardo Braga-Neto com a colaboração de outros pesquisadores. “Os fungos não são plantas, mas a plataforma do Wikiflora é bastante flexível e permite adaptações para incluir esse grupo de organismos. Pretendo incluir entre 100 e 150 espécies de fungos para compor esse guia, mas o Wikiflora permitirá incluir muito mais espécies”, explicou Braga-Neto ao portal do MCT.
A expectativa é concluir o projeto em junho de 2012, quando acontece a Rio+ 20, evento internacional que celebrará as duas décadas da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente realizada na capital fluminense.
Data: 19 de agosto de 2011
Autor: Marcelo Medeiros