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Pesquisa: voto online estimula a participação cidadã

Segundo pesquisadores do Banco Mundial, votação online aumenta engajamento de pessoas com consultas populares. Base foi o Orçamento Participativo do Rio Grande do Sul.

Ao realizar votações pela internet, o poder público aumenta a participação de cidadãos em consultas populares. Esta é uma das conclusões de recente artigo publicado em uma revista do Banco Mundial. Ela reforça a tese de que a internet pode ser uma aliada no processo de construção da cidadania por trazer mais pessoas para o debate e estimular o engajamento em decisões governamentais.

Estudando o processo do orçamento participativo do Rio Grande do Sul, Paolo Spada, da Universidade de British Columbia, Jonathan Mellon, da Universidade de Oxford, Tiago Peixoto, do Banco Mundial, e Fredrik Sjoberg, da Data-Pop Alliance, notaram uma alta de 8% no engajamento dos eleitores gaúchos. “O efeito geral nos níveis de participação é considerável”, apontam.

Os pesquisadores pediram para que 22 mil pessoas que participaram de uma votação online realizada em julho de 2012 respondessem a um questionário após registrarem suas preferências quanto às prioridades de alocação de recursos públicos. Dos respondentes, 63% afirmaram que, sem o voto pela internet, não teriam opinado na consulta popular.

Além disso, o estudo mostra que a grande maioria dos votantes não participa de atividades relacionadas ao Orçamento, o que mostra o alcance do pleito. De acordo com a pesquisa, 90% das pessoas nunca haviam discutido formalmente, em assembleias populares, por exemplo, a destinação dos recursos do governo.

Os pesquisadores também procuraram entender que fatores influenciam o engajamento. Os dados mostram que, quanto mais jovem, educado, rico e familiar com redes sociais, maior é a probabilidade de o indivíduo participar da votação online.

E, se a pessoa já participa de encontros físicos sobre o Orçamento Participativo, é menor sua propensão a dar seu voto pela internet. “Em outras palavras, não há grandes efeitos de substituição [da votação física pela eletrônica], e a introdução do voto online aumenta a propensão de cidadãos antes não engajados participarem”, escrevem os autores.

Segundo os pesquisadores, a taxa de participação do processo gaúcho em relação ao voto offline é maior do que a apontada por outros estudos. Apesar de não terem investigado a fundo as razões da diferença, levantam hipóteses. Uma possibilidade é que o Orçamento Participativo seja um pleito menos “relevante” que outros processos estudados, como a eleição presidencial da Estônia, também realizada pela internet. Votações mais “importantes”, como eleições presidenciais, aumentariam a participação em atividades não eletrônicas. A conveniência de votar pela internet serviria como incentivo para eventos menos importantes.

De acordo com o artigo, as votações online no Brasil começaram no fim da década de 1990, mas ainda em modelos híbridos. Neles, as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) eram usadas para apresentar propostas e para votar, mas ainda mantendo o sistema físico. São os casos de Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.

No Rio Grande do Sul, que serviu de base para o estudo, as votações acontecem presencialmente e pela internet, por intermédio do Sistema Estadual de Participação Popular e Cidadã, desenvolvido pela Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs). O Banco Mundial apoiou o desenvolvimento do Sistema.

O engajamento no Orçamento Participativo, de acordo com números do estado, é de aproximadamente 15% dos eleitores.

O artigo pode ser lido em http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2571083

Data: 10 de março de 2015
Autor: Marcelo Medeiros

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