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Pesquisa mostra que acesso empresarial à banda larga é lento, caro e desigual

Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) divulga estudo que aponta preços altos em todo o país e dificuldade de contratação de serviços por empresas no Norte e no Nordeste; velocidades são baixas quando comparadas com outros países

Um empresário brasileiro gasta muito para navegar na internet por meio de um acesso nem tão rápido. A situação piora quando o negócio está no Norte e em alguns estados do Nordeste. O quadro, conhecido por muitos donos de empresas, foi confirmado por uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), lançada em 28 de março.

O estudo mostra que conectar uma empresa à internet é caro, sobretudo quando comparado a outros países, mesmo os em desenvolvimento (ver quadro abaixo). E, em alguns locais, nem é possível obter uma conexão veloz. "Isso significa negócios que deixam de ser fechados", criticou o CIO da L'Oreal, Sergio Hart.

A pesquisa analisou a oferta de banda larga via DSL e meios sem fio, como 3G, em todo o país, a partir de três nichos de mercado – com demandas por conexão de 1, 10 e 100 Mbps, referentes a pequenas, médias e grandes empresas. 

A conexão de 1 Mbps é considerada pela Firjan o mínimo necessário para operação de micro e pequenas companhias. Seu custo médio é de R$ 70,85, mas os preços variam muito de estado para estado – a diferença chega a 650%. Enquanto no Espírito Santo e em Alagoas um empresário paga o menor valor do país, R$ 57,40, no Amapá quem quiser ter internet no escritório desembolsará R$ 429,90. A conexão será via satélite e dará acesso de 600 KBps – velocidade mais alta disponível no estado, onde não há linhas de fibra ótica suficientes.

O caso do Amapá pode ser considerado extremo, mas, mesmo retirando-o da lista, as diferenças continuam consideráveis. A conexão de 1 Mbps custa, em média, R$ 99,90 no Amazonas, Pará, Piauí, Sergipe e Roraima. Em São Paulo, o preço é de R$ 63,23, o terceiro mais barato do país.

O acesso sem fio é mais igualitário, porém, mais caro. A média de preço nacional para uma conexão de 1 MBps é de 109,82, com os valores variando de R$ 106,27 em Roraima e no Amapá a 114,56 em Rondônia. Na maioria dos estados, no entanto, o custo mensal é de R$ 109,68, em média.

A grande variação de preços ocorre também nas demais faixas pesquisadas. No acesso a 10 Mbps, a diferença entre os estados chega a 125% - indo de R$ 84,90 no Rio Grande do Norte a R$ 192,40 no Acre. Amapá e Amazonas sequer têm conexões tão rápidas. 

No caso dos 100 Mbps, o quadro é mais grave. Apenas 13 dos 27 estados possuem tal serviço. O estudo não detalha as diferenças, mas mostra um alto custo. Para ter acesso a essa largura de banda, paga-se em média R$ 529. Este valor equivale a cerca de US$ 320. Em Portugal, é possível contratar esse serviço por US$ 67.

De acordo com a pesquisa da Firjan, as disparidades brasileiras devem-se à falta de infraestrutura em algumas regiões e à estratégia de mercado adotada pelas empresas, que prestigiam algumas áreas em detrimento de outras.  Os impostos também entram no rol de fatores que encarecem o serviço.

A federação das indústrias lamentou o quadro e alertou para a perda de competitividade das empresas nacionais. “Não apenas o desempenho, mas também a competitividade das empresas é afetada pela situação encontrada no Brasil”, diz o relatório. “Executivos de tecnologia da informação de grandes empresas nacionais e internacionais que atuam no Brasil e no exterior apontaram que o elevado custo e a baixa capilaridade do serviço oferecido no país são capazes de afetar negativamente o desempenho de diversos setores, em especial os de compras, finanças, vendas, logística e produção. Essa realidade obriga as empresas a adotarem planos de contingência – que aumentam seus custos - para evitar eventuais impactos decorrentes da possível interrupção do serviço”.

Executivos do setor de tecnologia confirmaram o diagnóstico. O CIO da Michelin, Marcelo Ramires, por exemplo, criticou a constante queda de conexão. "Em 45% do tempo em que minha rede ficou indisponível no ano passado o motivo foi a queda do link", relatou. Os representantes da indústria também lamentaram a falta de qualificação de pessoal e os altos preços cobrados.

As empresas de telefonia, por sua vez, afirmaram que os dados da pesquisa estavam defesados e lembraram que o setor se encontra em constante evolução. “É importante lembrar que as redes de dados baratearam muito nos últimos dez anos. É só comparar o que se comprava de banda com US$ 200 dez anos atrás", afirmou o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco.

Para as teles, a carga tributária não estimula investimentos, que são caros e ininterruptos. Para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), uma redução de impostos hoje não está em pauta, dada a orientação governamental de conter gastos e gerar superávit. "Apresentar uma proposta hoje seria condená-la ao fracasso. Não seria politicamente viável", disse o presidente da agência, Ronaldo Sardenberg.

Já o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que os preços devem baixar quando as negociações do ministério com as teles chegarem ao fim. As partes negociam insenções de impostos em troca de mais valores mais baixos para os consumidores como parte do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). “O governo vai fazer a parte dele, dentro do que couber a ele fazer. Mas é preciso que a iniciativa privada também assuma essa responsabilidade”, enfatizou. Em relação às reclamações relativas à velocidade de acesso, o ministro, no entanto, afirmou que o aumento não é prioridade do governo no momento. Segundo ele, agora é hora de aumentar o alcance da rede para depois pensar em largura de banda.

Acesso no Brasil é caro na comparação internacional 

A pesquisa da Firjan também comparou os preços do mercado brasileiro de telecomunicações com o internacional. A conclusão foi que, apesar de não ser o país com preços mais altos do mundo, o Brasil ainda cobra muito caro pelo acesso. 

Se por aqui as empresas chegam a oferecer acesso de 150 Kbps como banda larga, em outros países o patamar é muito mais alto. No Japão, por exemplo, não há oferta empresarial menor que 12 Mbps. Na França, a velocidade mínima é de 8 Mbps, na Itália de 7 Mbps, em Portugal de 4 Mbps e no Uruguai, de 3 Mbps. Em países em desenvolvimento como China e Índia, a menor velocidade oferecida também é mais alta que a brasileira -1 Mbps e 256 Kbps, respectivamente.

Os preços, no entanto, são maiores no Brasil. Nos pacotes de um mega, por exemplo, paga-se 150% a mais que no Canadá, 238% a mais que no México e Colômbia e 348% acima da Alemanha. Por outro lado, os custos estão no mesmo nível de Índia, Argentina e Estados Unidos.

 

Data: 05 de maio de 2011
Autor: Marcelo Medeiros

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