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Pernambuco de olho na Copa

Estado vai instalar quase duas mil câmeras para monitorar eventos relacionados ao mundial de futebol da Fifa.

A Copa das Confederações, torneio da Fifa que reúne os campeões continentais e o país-sede, vai acontecer em junho em algumas das cidades que, um ano depois, sediarão os jogos do maior torneio mundial de futebol, a Copa do Mundo. O evento de 2013 servirá de preparação para governos e organizadores e colocará em prática os planejamentos de diversas áreas para o mundial. Um dos setores que mais tem recebido atenção é o de segurança pública. Para atender as exigências da Fifa e oferecer o máximo de conforto a turistas e cidadãos, muitos investimentos têm sido feitos, inclusive em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) aplicada à segurança.  

As 12 cidades-sede da Copa terão um centro de monitoramento próprio, integrado a um central, localizado em Brasília, com redundância no Rio de Janeiro. A ideia é integrar esforços para evitar episódios de violência e tomar medidas que facilitem o escoamento e o atendimento dos torcedores em caso de tragédia, além de melhorar o fluxo de trânsito. 

Serão capacitados pessoal das polícias militar e civil, bombeiros e técnicos de informática. Só a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge) tem R$ 1,17 bilhão para investir. A isso, somam-se recursos estaduais e municipais. A preparação do país para a Copa totaliza R$27 bilhões, de acordo com o governo federal.

Em termos tecnológicos, segundo os organizadores, as 12 cidades que sediarão jogos instalarão mais de 1,5 mil câmeras só no entorno dos estádios, a serem somadas com as já existentes e outras a serem instaladas até 2014. Também estão sendo desenvolvidos softwares que ajudarão nas ações de segurança.

Pernambuco

Em Pernambuco, por exemplo, apenas no projeto da arena que leva o nome do estado, com capacidade para 46 mil pessoas, serão instaladas 333 câmeras, segundo a Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS). Dessas, 34 serão de alta definição e ficarão na cobertura da arena. As imagens em HD servirão para que a polícia possa aplicar zoom de alta qualidade e identificar problemas e possíveis encrenqueiros com mais precisão. 

Outras 1.780 câmeras devem estar funcionando até 2014, das quais 280 já estão instaladas e em operação. A SDS já licitou a instalação de 1.500 equipamentos de monitoramento. Destes, 800 ficarão na região metropolitana de Recife, enquanto os demais serão distribuídos pelos demais municípios do interior do estado. 

Os critérios de instalação dos equipamentos, de acordo com o Gerente Geral de Programas Especiais da SDS e Coordenador de Câmera Temática de Segurança, Ilídio Vilaça, são grande aglomeração de pessoas, como os espaços de festividades oficiais da Copa, as fan fests, e pontos estratégicos, como proximidade de hotéis e centros de treinamento das equipes. Áreas de alta criminalidade e de alto interesse turístico também serão privilegiadas.

Entre as novidades a serem aplicadas por trás das câmeras, softwares de reconhecimento facial que ajudarão a reconhecer torcedores que já se envolveram em brigas ou bandidos. 

“Esse é um dos principais saltos no modelo das novas arenas. Teremos um departamento específico de segurança em nossa operação, com equipe qualificada para garantir um atendimento excelente”, ressaltou André Sá, diretor de operações da Arena Pernambuco, em visita de representantes da Fifa.

Voluntários também ajudarão no monitoramento,  assim como os stewards, funcionários de segurança privada a serem contratados pela Fifa, que  estarão sempre em contato, via rádio, com os organizadores. Além disso, o governo do estado pretende aumentar em 30% o efetivo policial, que hoje conta com 20 mil policiais.

A forma de utilizar toda essa tecnologia foi aprendida em consultas a centrais de seguranças de países que recentemente receberam grandes eventos, como Inglaterra, EUA e Espanha. Nesses locais, os organizadores vislumbraram a necessidade de montar uma central de informações, demanda também da Sesge, que tem coordenado as ações.

Conectados às centrais de Brasília e Rio de Janeiro, haverá três tipos de centro de comando e controle, responsáveis pela análise das imagens e pela tomada de decisões.  O local cuidará do interior e do entorno do estádio, inclusive as 333 câmeras do projeto, no segundo andar do estádio, com visão total das cadeiras, do interior da arena e da tribuna de honra. Já o regional, responsável pela segurança das cidades, terá à sua disposição as imagens de 1.500 câmeras a serem instaladas pelo governo do estado, enquanto  o móvel contará com duas unidades a serem deslocadas de acordo com a necessidade. As unidades móveis serão alocadas em caminhões e se deslocarão de acordo com as seleções que treinarem no estado e segundo a demanda dos grandes eventos.

As imagens das câmeras e as informações passadas pelos voluntários serão utilizadas pela Área Integrada de Segurança (AIS), que abrigará, perto do estádio, um batalhão de polícia, delegacia, núcleo de identificação e posto do Corpo de Bombeiros. A construção deste espaço de 12 mil metros quadrados denominado Centro de Comando e Controle Integrado demandará R$ 98 milhões do governo do estado. As obras devem terminar em dezembro de 2013. A instalação de equipamentos e capacitação dos usuários estão previstas para fevereiro de 2014.

Para a Copa das Confederações, a Sesge implantará um Centro de Comando e Controle provisório nas instalações da SDS. Um espaço de aproximandamente mil metros quadrados está sendo preparado para abrigar a infraestrutura e o mobiliário necessários. Ao lado deste local atualmente funciona a central de monitoramento das 280 câmeras já em funcionamento.

As equipes se reunirão no Centro de Comando de Controle Integrado (CCCI), que tomará as decisões necessárias em caso de tumulto ou emergência. O CCCI terá heliponto, videomonitoramento, salas de despacho de viaturas e call center com 120 atendentes. Os agentes terão acesso aos bancos de dados das polícias de todo o país, além da Interpol e da Polícia Federal. 

A Sesge contratou uma consultoria para desenvolver um software capaz de reunir essas informações. A mesma empresa será responsável pela capacitação dos funcionários estaduais, federais e privados que trabalharem na Copa. O centro de comando continuará funcionando após o evento. “É um dos legados que teremos”, afirma Ilídio Vilaça. “Integraremos os sistemas para dar mais agilidade à tomada de decisões e sermos mais precisos no atendimento à população, enviando as equipes necessárias para a resolução da ocorrência o mais rápido possível. Pernambuco ganhará muito com a Copa.”

 

Estádio terá bairro em seu entorno

No caso de Pernambuco, a tecnologia não será empregada apenas no estádio, a ser levantado no município de São Lourenço da Mata, na Grande Recife. O estado decidiu construir uma arena em vez de reformar, como fizeram fluminenses e mineiros. A Arena, onde o Náutico passará a mandar seus jogos, é um empreendimento que vai além do futebol. Em seu entorno será levantado um bairro, que deve ficar pronto em 2025. O projeto prevê prédios comerciais e residenciais, além de áreas de lazer em seus 240 hectares. A iniciativa está orçada em R$ 1,6 bilhão, a ser investido pela Odebrecht, construtora encarregada também das obras do estádio.

As câmeras instaladas no entorno do estádio passarão a vigiar o novo bairro, que contará também com acesso Wi-Fi para facilitar a comunicação dos futuros moradores e a integração do sistema de comunicação. Todo o equipamento será instalado pela construtora, que depois o repassará ao governo do estado.

Data: 08 de outubro de 2012
Autor: Marcelo Medeiros, com informações da Arena Pernambuco

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