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Para o Idema, a inclusão social vem antes da digital
Sediado na cidade de Alterosa, sudoeste de Minas Gerais, o Instituto Idema, organização não-governamental, vem disseminando nas redondezas projetos e idéias de Cidade Digital. O primeiro foi justamente em Alterosa, mas hoje as ações do instituto já se espalham por mais seis cidades mineiras: Alfenas, Boa Esperança, Ibiraci, Ilicínea, Jacuí e São Sebastião do Paraíso. Entre seus parceiros estão as prefeituras, o governo do Estado de Minas Gerais e o programa Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), do Ministério das Comunicações.
São quatro as frentes de trabalho da organização − capacitação, projetos, consultoria e certificação − e apenas uma filosofia: não existe inclusão digital sem, antes, haver inclusão social. "Não existe inclusão digital; existe inclusão social. E a oportunidade de acesso a meios tecnológicos para que essas pessoas possam melhorar a sua qualidade de vida, principalmente o contato com a tecnologia”, defende Paulo Cabral, coordenador do Idema, ao esclarecer o que move as ações da organização.
“Quando se fala em inclusão digital, deveria não só se falar em internet, como também em dar um computador para cada pessoa, para que elas tivessem, então, primeiro o acesso à máquina, depois ao conhecimento para mexer nela e, aí sim, à internet. O que se está fazendo é o contrário”, acrescenta.
Essa é a metodologia que o Idema tenta levar para as prefeituras com as quais atua, "para que entendam que, primeiro, tem que haver uma capacitação, um modelo de atendimento aos cidadãos, para então se falar em inclusão digital", nas palavras de Cabral. "Se não houver uma mudança nesse crivo, vamos sempre falar em uma coisa que faz o caminho reverso", sublinha ele.
Capacitação é a primeira frente de trabalho
As ações de capacitação, primeira frente de trabalho, vêm sendo realizadas com a população em geral, com ênfase na faixa etária de 16 a 24 anos, que participa de um programa chamado Jovens Talentos. Aproximadamente 120 alunos já foram capacitados e mais 300 participam da formação atualmente. Isso em dois anos de atuação do Idema na área de Cidades Digitais, dentro dos cinco anos de vida da organização.
Os treinamentos costumam acontecer dentro dos telecentros das cidades e, muitas vezes, os jovens passam a trabalhar lá mesmo. O curso tem em média de 240 a 330 horas e dura até 6 meses. Os participantes aprendem Software livre 1 e 2, que abrangem Linux; montagem e manutenção de computadores e de redes, sustentabilidade ambiental para tecnologia e atendimento ao público, onde aprendem como prestar o serviço, resolver problemas, evitar pirataria, etc.
A intenção é promover o atendimento local às necessidades da cidade já digitalizada. "As empresas normalmente vendem soluções tecnológicas. Mas vai faltar sempre mão-de-obra qualificada. Enquanto existir uma cidade digital, tem que ter alguém lá. E tem que ser gente local", diz Cabral. Segundo ele, a sustentabilidade do "serviço" de atendimento advém justamente da sua viabilidade. As pessoas vendem o serviço, peças, dão atendimento ao usuário e o recurso que vem dessa atividade é revertido em salário para os jovens.
As frentes de trabalho projetos e consultoria são relacionadas e incluem diversos tipos de serviços para as prefeituras. O Idema faz, por exemplo, a montagem da planta da cidade digital, o estudo da topografia, redes preferíveis a serem usadas em um determinado município, etc. "Realizamos, inclusive, pesquisa para saber que formato tem aquela população: se está acostumada com computadores antigos ou novos; se tem ou não computador em casa; se têm ambiência com informática, etc.", exemplifica Cabral.
"As cidades em que as pessoas têm computadores mais velhos são as que nos dão mais trabalho, pois a chegada de máquinas novas é um desafio para elas. Se dizemos que não vamos instalar softwares piratas, e sim softwares livres, muitas se assustam", detalha o coordenador do Idema.
A certificação é a mais nova frente de trabalho da organização e tem como mote garantir, através das consultorias, que as empresas que vão atender a um determinado município cumpram com aquilo que é definido por ele próprio como Cidade Digital. "Se a empresa vende um equipamento para o município, ela tem que garantir que o equipamento vai ser trocado, em caso de pane, em 24 horas", diz Cabral.
"Há também a questão de preços: já vimos equipamentos vendidos pelo dobro ou mais do preço, pela falta de concorrência. Nisso também assessoramos as prefeituras. Prestamos a consultoria completa. Temos vários técnicos formados por parcerias com empresas que foram dando suporte aos projetos que desenvolvemos e hoje utilizamos para certificar quem de fato quer vender", completa Cabral. Apesar de recente, a linha de atuação na certificação já está dando frutos: o Idema acaba fechar parceria com uma empresa que executa um projeto de Cidade Digital no interior do Estado do Rio de Janeiro para fazer a certificação no município.
Data: 15 de setembro de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar