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Os resultados e desafios do PLC em projeto piloto da Copel

Os testes da Companhia Paranaense de Energia (Copel) com o Power Line Communications (PLC) em Santo Antônio da Platina, cidade a 370 quilômetros da capital do Paraná, estão funcionando bem nos laboratórios e nas primeiras avaliações de campo. Quem afirma é o superintendente de Telecomunicações da empresa, Carlos Eduardo Moscalewsky. “O PLC atingiu velocidades de até 20 Mbps, compatível com tecnologias concorrentes, como ADSL e cable modem [utilização de redes de transmissão de TV por cabo para transmitir dados], mas com a vantagem de usar a rede elétrica existente”, diz. No entanto, esse diferencial também se configura como um dos desafios para o uso dessa solução.

“Como já esperávamos, tivemos diversos problemas causados pela falta de conhecimento técnico na instalação dos equipamentos PLC em redes aéreas. Enquanto alguns locais apresentaram bandas de até 20 Mbps para o cliente, em outros, o sinal era interrompido por disjuntores ou conectores e nem sempre foi fácil identificar e solucionar o problema. Aos poucos, nosso pessoal foi se familiarizando com a tecnologia e passamos a conseguir resultados bastante promissores”, conta o superintendente da Copel. “Essa experiência tem sido um excelente aprendizado, mas precisamos de mais alguns meses para tirar as nossas conclusões sobre o uso do PLC em caráter definitivo”, pondera.

Para lidar com os desafios observados durante os testes, os profissionais da Copel estão sendo treinados. “Estamos capacitando e especializando nosso pessoal técnico de telecomunicações e de distribuição para a utilização do  PLC, especialmente quanto aos procedimentos necessários para minimizar as interferências de equipamentos elétricos e materiais na transmissão de dados, o que é o ponto chave para viabilizar a tecnologia”, afirma Moscalewsky.

As expectativas sobre o uso do PLC são compartilhadas pela Copel e pelos usuários escolhidos para o piloto. Para os testes, a empresa selecionou 300 usuários de Santo Antônio da Platina, entre eles, residências, comércio, poder público e terceiro setor.

A proposta da Copel Distribuição era constituir um grupo diversificado para buscar circuitos onde houvesse clientes que já utilizassem serviços de telecomunicação e tivessem os meios de acessar e avaliar criticamente a nova solução. “Eles estão achando o PLC fantástico, pois as velocidades de conexão atingidas são bem maiores do que aquelas com as quais estavam acostumados”, comenta o superintendente da empresa.

Andamento do projeto

A proposta da Copel era que o sistema estivesse operando até o final de abril de 2009. Contudo, o piloto com o PLC em Santo Antônio da Platina ainda está em andamento. De acordo com o superintendente, o prazo foi parcialmente atendido. “Executamos as redes primárias em fibra ótica, fizemos a revisão nos circuitos elétricos e instalamos os primeiros equipamentos, cadastramos os interessados e disponibilizamos o uso para os primeiros usuários”, informa.

Moscalewsky acrescenta que, depois de oferecer a solução aos 300 clientes selecionados para o piloto do PLC, a Copel monitorará os problemas apresentados pelo serviço. “Após uns quatro meses de operação plena – em outubro ou novembro deste ano –, já poderemos ter uma visão mais clara da potencialidade da tecnologia PLC”, comenta, acrescentando que, futuramente, os usuários de Santo Antônio da Platina poderão contar com serviços de telefonia e banda larga melhores e por preços menores.

Expansão pelo Paraná

Dependendo dos resultados obtidos com o piloto, a Copel espera disponibilizar o PLC para outras cidades do estado. “Se a tecnologia se mostrar técnica e economicamente viável, pretendemos expandir a rede para todo o Paraná, universalizando o acesso aos serviços de telefonia e banda larga”, enfatiza.

Ainda que os testes não estejam concluídos, o superintendente da empresa vislumbra nessa tecnologia uma solução para as administrações municipais terem acesso a serviços de telecomunicação de qualidade e a preços melhores. “A Copel está decidida a proporcionar esse acesso a todos os paranaenses. Já temos um backbone ótico de alta capacidade e redes primárias municipais em fibra ótica, que estão em constante expansão em função do atendimento a demandas do governo, operadores e empresas em geral. O que falta é justamente uma solução viável, econômica e de grande capacidade para a ‘última milha’, ou seja, para chegar até o cliente final (residências e pequenas empresas). E o PLC, conforme o modelo que estamos propondo, representa uma aposta promissora, mas que ainda precisa ser melhor avaliada”, discorre.

Regulamentação

Moscalewsky lembra que os  testes  da Copel com o PLC em Santo Antonio da Platina acabaram coincidindo com os processos de regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e de consultas públicas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “O resultado foi uma repercussão enorme na mídia e grandes expectativas, que demonstram a carência de soluções de acesso à internet em banda larga”, considera.

Para o superintendente, não é lógico manter essa nova rede com um único operador. “Defendemos o princípio da neutralidade, em que empresas como a Copel Telecom forneçam banda larga aos clientes finais ou às redes lógicas em condições isonômicas. Assim, os diversos operadores existentes poderão prestar o serviço, gerando competição e a melhoria da qualidade oferecida. Parte da receita ou do resultado dessas empresas contribuiria para cobrir os custos da distribuidora na adaptação da rede e para a modicidade tarifária [preceito legal que determina que parte de qualquer receita extra-concessão − no caso, que não venha da operação do sistema de distribuição de energia elétrica − tem que ser capturada para tornar mais enxutas as tarifas para o consumidor],”, conclui.

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Data: 08 de maio de 2009
Autor: Gabriela Bittencourt

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