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Os desafios do Estado na gestão de TIC
A estrutura de TI e Telecom no governo brasileiro tem tido um expressivo crescimento, mas ainda falta maturidade para o Estado driblar as barreiras da aquisição de novas soluções e definir um plano estratégico que seja simples e objetivo nos planos federal, estadual e municipal.
“O que o Brasil precisa é de uma boa coordenação em gestão. Aonde queremos chegar? Quais são as prioridades de desenvolvimento? É preciso ter um plano geral bem desenhado com metas especificas e passível de ser realizado”, afirmou Mauro Peres, country manager da IDC Brasil, em seminário realizado em São Paulo no dia 11 de maio.
Ele ressaltou que a elaboração de um bom projeto é essencial para que em 2014, o país tenha uma estrutura consistente, especialmente em virtude eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, para poder tirar proveito dessas ocasiões e fomentar seu crescimento e desenvolvimento tecnológico.
De acordo com Peres, atualmente, o Brasil é o sétimo maior consumidor de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), mas não tem um papel relevante em relação à exportação nessa área. Entre as dificuldades de mudar esse cenário, está o fato do país ter uma baixa inclusão digital, o que ameaça o crescimento do país nos próximos anos.
Plano de Governo
O executivo mostrou os 4 pilares de um plano de governo de TIC que podem ajudar a modificar esse cenário. O primeiro ponto seria melhorar a eficiência interna e produtividade, através do investimento em conceitos e ferramentas como Computação em Nuvem, Virtualização e Terceirização.
TIC como ferramenta para promover melhores serviços aos cidadãos é o segundo fator mostrado por Peres. Dentro desse contexto, é necessário investir em recursos e tecnologias como o governo 2.0, BI, redes sociais, digitalização e integração do governo com a nova geração de cidadãos.
Outro dado importante é o uso da TIC para aumentar a produtividade e competitividade do país, por meio da inclusão digital, mobilidade e banda larga, entre outros elementos.
Segundo o executivo, estima-se que existam mais de 32 milhões de conexões de banda larga na América Latina, em 2009. O Brasil tem 5,98% de conexão e está abaixo de países como Argentina (10,0%) e Uruguai (9,97%).
O ultimo pilar são as Políticas de Desenvolvimento da Indústria de TIC, que englobam questões como regulamentação, terceirização e pesquisa e desenvolvimento, além de créditos e incentivos fiscais para os fornecedores.
Dentro dessas tendências, Peres ainda lançou o desafio aos governos estipulando metas ousadas que poderiam ser estabelecidas para o crescimento nas áreas de TI e Telecom para os próximos cinco anos. Entre elas estão: a ampliação da penetração da banda larga de 6% para 30%; a exportação de serviços de TI de R$ 4 bilhões para R$ 13 bilhões.
“Nós poderíamos ter pelo menos 10 empresas nacionais de TI com faturamento acima de R$ 1 bilhão. Atualmente apenas quatro companhias superam esse índice. Ao mesmo tempo, por que não investir na formação de mão de obra especializada em TIC?”
Rumos tecnológicos
Diante das ideias apresentadas, as tendências tecnológicas para o desejado crescimento do país se relacionam diretamente ao desafio do governo de reduzir continuamente os custos, ter uma infraestrutura de TI mais eficiente e obter maior integração entre Estado e cidadão.
Para Julio Semeghini, Deputado Federal (PSDB), a responsabilidade de crescimento do país não é só do governo, mas também de toda a sociedade.
“É preciso que a população cobre de cada partido um plano de governo bem estruturado, que não estabeleça privilégios para um ou para outro, mas sim, um projeto que beneficie toda a sociedade. Em qual país nós queremos viver? O direito do cidadão tem que ser igual e a política brasileira precisa trabalhar sob o conceito de universalização.”
Para Luiz Mario Luchetta, vice presidente da ASSESPRO, as medidas necessárias para alavancar o crescimento da TI e Telecom no Brasil estão sendo tomadas, mas com pouca relevância, “O Brasil precisa de um choque, temos problemas de TI de 10 anos e quase não há solução para isso”
Já Gustavo Sanches, coordenador de sistemas do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a integração generalizada pode ser uma saída. “É preciso disponibilizar os serviços para toda a população, sem medir cidades ricas ou pobres, mas os problemas de infraestrutura barram esse processo, e cada pedacinho que não é integrado impede
o desenvolvimento”.
Vanda Scartezini, conselheira da ABES, afirmou que a inclusão digital e a banda larga devem incluir todas as cidades brasileiras e, em longa escala, as pequenas empresas que possuem comércio eletrônico.
“De fato, a banda larga no Brasil precisa ter uma infraestrutura como luz e água encanada e se não for assim será difícil mudar o cenário atual. No geral, é necessário não só um plano de governo, do Estado, mas um projeto de nação, e não apenas para os próximos 5 anos, e sim, a longo prazo”.
Fonte:
Decision Report
Data: 12 de maio de 2010