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O perfil digital da histórica Tiradentes



Palavra do prefeito

"Para o sucesso na criação de uma cidade digital, não dependemos somente da escolha da tecnologia a ser utilizada. Ela é de suma importância, sim, mas de nada adianta se não tivermos a participação efetiva de todas as pessoas envolvidas no projeto e, principalmente, da comunidade."

Nílzio Barbosa Pinto


 Até o início de 2006, Tiradentes – que no século XVII foi um dos principais pontos da rota de escoamento do ouro levado a Portugal – era conhecida nacionalmente por ser o berço do herói da Inconfidência Mineira que batiza a cidade e por seu perfil turístico, responsável por 90% da receita arrecadada. Dois anos atrás, no entanto, a escolha do município como projeto piloto do Ministério das Comunicações (Minicom) na área de Cidades Digitais modificou o que se escreve e lê sobre Tiradentes.A cidade mineira foi escolhida pelo Minicom não só por ser turística e, em função disso, atrair atenção natural da mídia e dos cidadãos. Topografia acidentada e pequena rede escolar a ser conectada contribuíram para Tiradentes ser a eleita: num lugar com essas características, diversos tipos de testes poderiam ser realizados. Assim, em março de 2006, iniciou-se a instalação do projeto, batizado de Tiradentes Digital, na cidade de menos de 7 mil habitantes.
"O maior ganho para a cidade foi a popularização da informática, principalmente para as crianças. Antes do projeto, poucas pessoas no município tinham contato com a informática, e a internet ainda era um mistério para a maioria. Com o projeto, todas as nossas crianças em idade escolar tiveram e estão tendo contato com a informática e com a internet", comemora o prefeito de Tiradentes, Nílzio Barbosa Pinto. "Posso dizer que, hoje, a informática já faz parte da cultura de nosso município", completa.

A tecnologia utilizada foi Wi-Mesh, também conhecido como Wi-Fi metropolitana. Inicialmente, quatro torres de transmissão e repetição do sinal foram instaladas em pontos estratégicos, a fim de cobrir o Centro Histórico e parte dos 83 quilômetros quadrados. Isso possibilitou a conexão, já no primeiro semestre de 2006, de todas as seis escolas da cidade (cinco municipais e uma estadual) e do único telecentro do município, situado dentro da Escola Marília de Dirceu, no Centro Histórico.

Num segundo momento, informa o coordenador operacional do projeto, Jeanderson Marostegan, foi instalada mais uma torre, que aumentou a cobertura em cerca de 30%. Assim, hoje em dia, há cinco antenas de transmissão do sinal Wi-Fi: quatro fazem a cobertura do Centro Histórico da cidade, e a quinta antena está localizada entre os bairros mais populosos da cidade – Cascalho, Cuibá e Parque das Abelhas.

"O principal diferencial da escolha da tecnologia, para nós, foi o baixo impacto visual, questão de extrema relevância para nós, que somos uma cidade histórica e prezamos pela manutenção do nosso patrimônio arquitetônico sem poluições visuais ou alterações que possam descaracterizá-lo", observa o prefeito.

Hoje, há em média 110 usuários da rede, nos diferentes pontos, incluindo a prefeitura, postos de saúde, associação de moradores e telecentros comunitários. Há cobertura em uma área de aproximadamente 4 km², o que inclui 80% da área urbana da cidade. A banda, que inicialmente era de 1 Mbps, em pouco tempo teve que ser aumentada. Atualmente o link é de 2 Mbps e foi doado pela Oi, concessionária de serviços de telecomunicações.

Doações, aliás, foram cruciais para o projeto se concretizar. Os computadores vieram do Ministério das Comunicações, através do programa Gesac. Equipamentos e infra-estrutura de rede foram cedidos pela Cisco. O Ministério da Educação doou laboratórios do Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo).

A MetaSys cedeu programas Linux, aplicativos educacionais de código aberto e a capacitação dos professores. A Empresa Municipal de Informática e Informação de Belo Horizonte (Prodabel) ajudou nos estudos iniciais e na implantação do Tiradentes Digital. A Universidade Federal de Outro Preto, cidade vizinha, faz gratuitamente a gestão administrativa do projeto, através da sua Fundação Educativa de Rádio e Televisão (FEOP), em parceria com a Rede Nacional de Pesquisa (RNP).

Foco em educação

 O foco educacional é muito forte no projeto de Tiradentes. A banda é subdividida: 1 Mbps para uso educacional, 1 Mbps para os outros usos. Em todas as seis escolas do município, alunos podem utilizar a rede para intensificar e ilustrar o conteúdo visto em sala de aula. Os laboratórios de informática das escolas, inclusive as da zona rural, podem ser utilizados pelo restante da população, fora do horário de aulas, ficando abertos das 7h30 às 17h.

" Hoje já estamos experimentando resultados da inclusão digital. As crianças estão demonstrando maior interesse nas aulas, usando a internet como forma de ampliar seus conhecimentos. Nas rodas de bate-papo, sites da internet são coisas comuns de serem citadas", relata o prefeito.

O telecentro da cidade, situado dentro de um colégio, fica aberto aos cidadãos por um período mais longo – das 8h às 20h. Passam por lá cerca de 500 pessoas por mês, com os mais variados interesses. “Temos desde a senhora que quer uma receita até o garoto que quer jogar online com os amigos", exemplifica Marostegan.

Para reforçar ainda mais o perfil educiacional do Tiradentes Digital, a cidade recebeu uma doação de 50 computadores Classmate, feita pela Intel/Metasys, e entregues pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. As máquinas começarão a ser usadas pelas crianças e adolescentes em abril. Paralelamente, a cidade estará envolvida no programa Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação, cujo edital foi recentemente cancelado e será substituído por outro nos próximos meses. Através do UCA receberá 1.237 computadores, também do modelo Classmate.

A parte de e-gov do Tiradentes Digital, no entanto, não está tão evoluída como a educacional. Atualmente, estão disponíveis informações e serviços sobre turismo no site da prefeitura, porém ainda não é possível realizar outras operações comuns de governo eletrônico.Marostegan explica que está nos planos fornecer, até o final deste ano, alguns serviços de e-gov, tomando como ponto de partida o serviço de controle acadêmico das escolas municipais. "Isto envolverá freqüência dos alunos, notas, avaliações, etc. Em resumo, toda a vida acadêmica da criança", esclarece o coordenador operacional. Outras funcionalidades que serão implementadas ainda neste ano, segundo ele, são a opção de tirar a segunda via do carnê de IPTU e certidões.Outros planos para 2008 incluem o incremento no uso de VoIP – instalada desde o final de 2006 apenas no prédio da prefeitura –; expansão da rede, para cobrir 100% da área urbana da cidade; melhoria do website do projeto e aumento da banda de internet usada na cidade.Porém, segundo o prefeito Nílzio Barbosa Pinto, o principal desafio para o projeto em 2008 é a viabilização de sua sustentabilidade. "Acredito que esta deva ser a maior preocupação de todo gestor de uma cidade digital: como tornar toda essa infra-estrutura auto-sustentável. Sabemos que não podemos deixar tudo por conta da administração pública e, com isso, estamos buscando meios de criarmos a auto-sustentação do projeto, seja ela em parceria com a iniciativa privada ou com a própria população", conclui o prefeito.

 

 

Fátima de Figueiredo, assessora do Departamento de Serviços de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, entusiasta e colaboradora do projeto Tiradentes Digital, foi agraciada pelo município com duas honrarias: o título de Cidadão Honorário de Tiradentes, concedido pela Câmara de Vereadores, e a comenda João de Siqueira Afonso (fundador da cidade), conferida pelo Poder Executivo sob a coordenação da Secretaria de Cultura local. Ambos são dados a pessoas que tenham prestado relevantes serviços à cidade.  As cerimônias foram realizadas na mesma data, 19 de abril de 2008, no sábado anterior ao aniversário da cidade.

Data: 18 de março de 2008

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