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O papel dos provedores

Instalar uma rede própria de telefonia IP, ou rede VoIP, tem mais nuances do que pode parecer. Será somente para uso entre os membros da mesma rede ou também irá se destinar a ligações para fora dela? Os números de telefones serão divulgados para receber chamadas na rede VoIP? É para fazer ligações para o país todo ou a maioria das chamadas estará concentrada em uma mesma região? Que tipos de serviços, como caixa postal, siga-me, etc, estarão incluídos?

Essas são algumas das perguntas a serem levadas em conta para balizar não só a escolha dos softwares e equipamentos a serem usados, mas principalmente a opção entre instalar a rede com recursos e equipe próprios ou contratar os serviços de um provedor VoIP.

Se o interesse é realizar ligações somente entre os ramais da mesma rede de telefonia IP, sem necessidade de chamadas para fora dela e, principalmente, sem prover o serviço para terceiros, não é preciso contratar um provedor de serviços VoIP. Basta instalar um software de PABX virtual − um dos mais conhecidos é o software livre Asterisk −, que distribui e gerencia ramais.

Tudo é feito virtualmente, via computador. Cada ramal ou usuário efetua as ligações a partir do seu próprio computador (devidamente munido de microfone, caixas de som e softwares cliente) ou de seus próprios aparelhos telefônicos, sejam estes aparelhos VoIP ou aparelhos analógicos ligados a um gateway [para entender melhor, leia box ao final e a matéria "Como funciona na prática"].

Licenças SCM e SCTF

Porém, se a intenção é realizar ligações para fora da rede VoIP, para cidades próximas ou distantes, ou ainda ter números de telefone a serem divulgados e pelos quais é possível receber chamadas, o mais indicado é contratar um provedor de serviços VoIP. Eles funcionam como intermediários entre uma rede VoIP privada e a rede de telefonia pública. Ou seja, organizam os ramais IP e podem fazer a chamada sair do âmbito da internet e chegar à telefonia convencional, concretizando ligações locais, DDD ou DDI, seja para celulares ou fixos.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os provedores VoIP precisam ter licenças SCM ou STFC, dependendo da abrangência do serviço que prestam. Ambas são obtidas com a agência. A SCM, que significa Serviços de Comunicação Multimídia, destina-se àqueles que pretendem explorar e prover serviços de telecomunicações advindos do uso da internet. Na prática, permite ao provedor VoIP fazer as conexões entre pontos de uma mesma rede, ou seja, entre os ramais conectados a uma mesma rede ou central VoIP.

Os provedores com licença SCM também conseguem fazer a chamada "sair" da rede privada VoIP e chegar a um destino final fora dela (um número de celular, por exemplo). Para isso, os provedores fazem uma ponte entre a rede privada e a rede pública de telefonia, através de seus pontos de presença (POPs, espaços físicos que combinam equipamentos, conexão internet e conexão à rede de telefonia local), normalmente distribuídos por várias cidades. Nos POPs, chamadas VoIP, transmitidas até então pelo sinal de internet, são convertidas e transmitidas pelas linhas telefônicas convencionais da cidade e se tornam chamadas locais.

Já a licença STFC, sigla para Serviço Telefônico Fixo Comutado, é mais abrangente. Permite que os provedores VoIP, além de realizar os serviços incluídos na licença SCM, façam a integração à rede de telefonia pública e ofereçam numeração convencional.

Em outras palavras, a licença STFC permite que os provedores façam as ligações saírem da internet e chegarem ao destino final de forma integrada à rede pública (sem precisar de conversores ou adaptações) e possibilita a atribuição de números de telefone "normais" para os ramais VoIP. Este fator é especialmente importante para quem tem interesse em possuir e/ou divulgar números de telefones da rede pública através dos quais receberá chamadas. Tudo sempre integrado à rede VoIP privada.

É importante ressaltar que, embora a Anatel estabeleça a necessidade de se obter, no mínimo, a licença SCM para todos aqueles interessados em prover serviços VoIP, há muitos provedores que subcontratam data centers (obrigados a ter a mesma licença) e operam apenas o serviço de PABX virtual (distribuição e serviços para ramais VoIP). Alguns argumentam que, sendo a infra-estrutura de conectividade do data center − e tendo este a licença SCM −, o provedor não precisaria ter a sua própria licença, por oferecer apenas o serviço lógico (ser a sede de um servidor de PABX virtual). O debate em torno desta questão ainda está em andamento, tendo os provedores VoIP de um lado e a Anatel do outro.

Também é importante deixar claro que, se uma determinada prefeitura desejar, até consegue realizar, com equipe e infra-estrutura próprios, o que os provedores VoIP fazem (conexões entre os ramais, chamadas saírem para rede pública, etc.) Porém, é necessário montar uma estrutura muito grande, com POPs em diversas cidades do País.

Apesar de não ser necessário ter licença SCM (quando é para uso próprio, a Anatel não faz a exigência; somente quando se deseja prestar o serviço para terceiros), a estrutura é cara e provavelmente ficará ociosa em diversos momentos, se montada para uma única rede privada de telefonia IP. Como os provedores VoIP em sua maioria já têm capilaridade e infra-estrutura montada, normalmente vale mais a pena contratá-los, se não se deseja ter um gasto grande com a infra-estrutura da rede.

Provedores de infra-estrutura e serviços

No Brasil, há vários provedores de infra-estrutura e serviços VoIP. Alguns deles são:

  • Global Nova – tem planos voltados diretamente a empresas (que não precisam fazer grandes alterações em suas estruturas) e outros direcionados a operadores VoIP que não têm a licença STFC.
  • Transit - atende majoritariamente a clientes corporativos; é a empresa subcontratada no Brasil pela norte-americana Skype, gigante do uso do VoIP domiciliar.
  • Vono – seu público-alvo é o cliente final; o provedor presta serviço de terminação, ou seja, pode fornecer números de telefone a serem divulgados para receber ligação na rede VoIP.

Para os usuários domiciliares, há também os provedores de serviço final, que fazem a terminação (conectar a última parte da cadeia, que é justamente aquela que se integra à rede pública de telefonia). Eles subcontratam ou fazem parceria com as operadoras de infra-estrutura VoIP para realizar o serviço. Entre os mais conhecidos, estão:

  • Net Fone - a empresa de TV por assinatura oferece também acesso à internet. O uso de seu serviço de VoIP é através de aparelhos telefônicos convencionais (ou analógicos), que são ligados ao modem de internet.
  • Uol VoIP - o usuário tem que instalar um programa em seu computador; o serviço permite chamadas do computador para computador ou para números da rede de telefonia convencional, e há a opção de contratar números de telefone locais em diversas partes do mundo.
  • Terra VoIP - Oferece os mesmos serviços do Uol VoIP, com pacotes diferenciados e opção especial para empresas. Usuários podem baixar programa específico para utilizar o serviço ou seguir as instruções para acoplar um aparelho telefônico convencional e fazer as ligações diretamente a partir dele.


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Data: 12 de junho de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

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