Por que ser uma Cidade Digital » Experiências de sucesso » O desafio da extensão territorial

Em São José dos Pinhais, o desafio foi a extensão territorial

São José dos Pinhais, município paranaense de 300 mil habitantes na região metropolitana de  Curitiba, exibe números de peso: representa a terceira maior arrecadação do Estado e possui o terceiro maior pólo automotivo do País. Além disso, com seus 978 quilômetros quadrados, tem três vezes a extensão territorial da capital do Paraná − o maior desafio para a instalação de seu projeto de Cidade Digital.

“Parte da população está espalhada pelo território em colônias rurais afastadas”, sublinha Rafael Rueda Muhlmann, diretor de Modernização e Informática da prefeitura. Dentro desta realidade, um fator positivo é a topologia plana da cidade. A solução foi instalar uma infovia que conjuga transmissão de sinal via anel de fibra ótica de 50 quilômetros e via tecnologia WiMesh (Wi-Fi metropolitano), utilizando 10 torres de retransmissão de sinal.

Nessa rede, há 274 unidades conectadas, entre secretarias, escolas, postos de saúde e outros prédios do poder público municipal. São 2.800 máquinas interligadas −  antes da implantação do projeto de Cidade Digital eram 280 na estrutura da prefeitura −, compartilhando uma banda de internet de 8 Mbps.

Monitoramento, telecentros, totens e serviços online

Quarenta câmeras IP de monitoramento de segurança também se valem da oferta de internet em boa parte da cidade. Oito são ligadas na rede sem fio e 32 na de fibra ótica. As imagens captadas são enviadas para uma central e podem ficar disponíveis para a Guarda Municipal, a Polícia Militar e a Polícia Civil.

No que se refere a acesso, São José dos Pinhais oferece oito bibliotecas virtuais em bairros distintos, que funcionam como telecentros para uso da população. Cada uma tem oito computadores disponíveis gratuitamente de 8h às 18h para os cidadãos. “Cada pessoa pode usar por até uma hora por dia, para acesso livre. Temos uma média de 30 mil usuários mensais nas bibliotecas virtuais. Ficam tão lotadas que às vezes as pessoas precisam agendar o uso com dois dias de antecedência”, conta Rueda. O acesso é facilitado também por oito totens espalhados pela cidade, que podem ser usados para acesso à internet e consulta de serviços públicos.

Estes últimos, aliás, são oferecidos em grande número no site do governo municipal: certidão negativa de imóvel, consultas de protocolos, guias para pagamento de IPTU, ISS retido, ISS sem movimento e outros, além de informações sobre concursos, guia de bairros, leis municipais, contas públicas, etc. Os softwares que viabilizam o oferecimento de serviços online foram desenvolvidos pela equipe da própria prefeitura. “Aproximadamene 80% dos sistemas utilizados na estrutura da municipalidade foi desenvolvido pela equipe de TI”, orgulha-se Rueda.

Os cerca de 50 profissionais da área de Tecnologia da Informação desenvolveram também muitos dos softwares de gestão municipal utilizados nos diferentes órgãos. Controle centralizado de almoxarifado e prontuários eletrônicos são apenas alguns deles. “O sistema de saúde já foi inteirinho implantado. Marcação de consulta online está sendo programada para o início da próxima gestão, assim como inovações para a área de Educação”, diz o diretor de Modernização e Informática.

Um “mini call center”, como classifica Rueda, foi montado para dar suporte telefônico e remoto aos 2.800 pontos da rede. Estes usuários se comunicam uns com os outros através dos 500 ramais de telefonia VoIP.

Economia com a telefonia IP

Em São José dos Pinhais, um dos maiores ganhos com a digitalização foi nas contas telefônicas. O sistema de telefonia IP permitiu reduzir pela metade os custos. Antes, os funcionários dos órgãos públicos espalhados pela cidade, de território amplo, comunicavam-se através de telefonia convencional. Agora, falam através da rede VoIP, que tem 500 ramais. As ligações são gratuitas entre si.

A solução adotada foi da Philips, fornecedora da prefeitura há mais de 10 anos. Os equipamentos Central Sopho iS3090 e a Central IP (VCX - Redundante) permitem gerenciamento e tarifação centralizados. “Já conseguimos 50% de economia nas contas telefônicas com a utilização desta tecnologia”, detalha Rafael Rueda Muhlmann, diretor de Modernização e Informática da prefeitura.

Ele diz ainda que a adoção do sistema facilitou as negociações com companhias telefônicas, para gerar ainda mais economia nas contas. "Com a centralização das linhas em um único ponto, ganhamos volume e conseqüentemente uma melhor negociação com as operadoras", diz  Rueda. "Também reduzimos custos operacionais e equipes de suporte e administração do sistema", orgulha-se ele.

Data: 19 de setembro de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

«Voltar



Apoio: