Nova Iorque lança projeto ambicioso de Cidade Digital
A cidade norte-americana divulgou seu “mapa”, que pretende tornar a Grande Maçã o mais avançado município dos EUA em termos de uso de tecnologia pelo poder público
Nova Iorque é a cidade mais famosa dos EUA, graças a sua força econômica e cultural. A “Grande Maçã”, como é conhecida, porém, quer novos motivos para ser conhecida. Em 16 de maio, o prefeito Michael Bloomberg lançou um plano para transformar o município na cidade digital mais avançada das Américas. Entre as ações previstas está a reformulação do site municipal e parcerias com as principais redes sociais para produzir informações sobre o que acontece na cidade que nunca dorme.
“Queremos que Nova Iorque seja a grande cidade digital da nação – em termos de como o governo interaje com os nova-iorquinos, em como os nova-iorquinos têm acesso e capitalizam as novas tecnologias e em como nossos setores de tecnologia e mídia digital evoluem, aumentam os negócios e criam empregos”, discursou Bloomberg.
Para levar adiante a proposta, a prefeitura realizou um estudo de 90 dias, o “Road Map to the Digital City” (Mapa de Estradas para a Cidade Digital, em tradução livre). O documento pode ser lido em http://www.nyc.gov/html/media/media/PDF/90dayreport.pdf (11 MB, pdf). As 65 páginas são resultado de enquetes com cidadãos, empresários e funcionários públicos, além de reuniões com agências de comunicação e empresas de tecnologia. Ao todo, quatro mil pessoas participaram das dicussões. Os encontros e pesquisas visaram entender as principais demandas e recolher sugestões de como atender aos desejos dos diferentes públicos.
Metas ambiciosas
As metas são ambiciosas: prover acesso e treinamento a 85 mil cidadãos entre alunos de escolas públicas e pessoas com dificuldade de falar inglês, membros da terceira idade, entre outros; instalar serviços wi-fi em locais públicos como parques e estações de metrô; estimular a concorrência no provimento de acesso à internet, garantindo que todos tenham ao menos duas opções de provedores e melhorar as condições de acesso em bibliotecas e órgãos públicos.
As ações serão feitas em parceria com a iniciativa privada. Empresas e fundações equiparão, por exemplo, 72 escolas com alunos de baixa renda e doarão computadores a cinco mil alunos com a condição de que eles frequentem cursos profissionalizantes ligados ao uso da internet e computação. A operadora do metrô prometeu aumentar as estações com serviços de acesso sem fio à internet das atuais seis, que operam em caráter experimental, para as 277 existentes.
Em termos de governo eletrônico, a prefeitura promete avançar. Serão adotados padrões internacionais de uso e programação para aumentar a interoperabilidade das agências e secretarias com o governo estadual e federal. O desenvolvimento de aplicativos próprios e a adaptação de outros, à disposição no mercado, também estão nos planos. O objetivo é disponibilizar todos os dados da prefeitura por meio de programas georreferenciados. O poder público de lá possui 350 conjuntos de informações, coletados por meio do programa DataMine, que vão desde o censo de árvores a eventos, notícias, registros criminais e educacionais, além de locais para estacionar a bicicleta e carros e pontos de acesso gratuito à internet. Todos serão disponibilizados de forma crua e mapeada para facilitar sua compreensão.
A fim de aumentar a quantidade de informações e o uso delas pelos cidadãos, a segunda fase do projeto abrirá 311 bases de dados a desenvolvedores para que eles possam agregar novidades e produzir novos aplicativos. Uma loja de aplicativos será aberta em breve para reunir as sugestões e disponibilizar as ferramentas ao público.
A interação com os usuários mais avançados também será utilizada para redesenhar a página da cidade, visitada hoje por 2,8 milhões de pessoas por mês, além de receber outro 1,2 milhão de acessos por meio de redes sociais. A primeira etapa do processo de remodelação, que deve levar 18 meses, será uma “hackatona”, na qual designers e programadores serão convidados a dar sugestões, desenhar e programar páginas da prefeitura. As propostas serão consideradas para a versão final.
Ao mesmo tempo, o poder público tem encontros marcados com grandes empresas de internet, como Facebook, Twitter, Tumblr e Foursquare, para desenvolver serviços e melhorar os já existentes. A ideia é estimular a participação dos moradores no desenvolvimento de políticas. “Tecnologias sociais como o Facebook podem aumentar transparência, colaboração, troca de informações e engajamento cívico”, afirmou o diretor de políticas públicas do Facebook, Tim Sparapani, no lançamento do programa. A cidade passará a usar um novo serviço do Twitter, o “Fast Follow”, que permite acompanhar a conta @nycgov por meio de SMS.
O processo será comandando por Rachel Sterne, indicada para o recém-criado cargo de Chief Digital Officer. Aos 27 anos, Sterne ficará subordinada ao escritório de Mídia e Entretenimento da prefeitura. Seu papel inicial será ministrar oficinas aos funcionários para padronizar o funcionamento dos quase 200 canais de informação hoje existentes.
Data: 23 de maio de 2011
Autor: Marcelo Medeiros