NavegaPará entra na segunda fase
O NavegaPará, projeto paraense de digitalização do Estado, está entrando em sua segunda fase, que levará conexão e telecentros a mais 46 cidades, através de fibra ótica e sinal de rádio, até o final de 2010. Serão, no total, 61 Cidades Digitais no Estado de 143 municípios, e 300 telecentros funcionando, segundo os planos do governo estadual.
Na primeira fase, que teve início em abril do ano passado, foram abrangidas 15 cidades, aonde não só se levou internet, mas também telecentros, cursos e telefonia VoIP. "O projeto tem hoje cerca de 1 milhão de usuários. É uma iniciativa aparentemente só de tecnologia, mas na verdade é de inclusão social. Quando vemos telecentros com frequência diária de 800 pessoas, entendemos bem qual o alcance do programa", diz Renato Francês, presidente da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Pará (Prodepa), executora do projeto.
Até agora, foram investidos no NavegaPará R$ 40 milhões. Os principais ganhos da primeira fase incluíram uma rede de 2 mil quilômetros de fibra ótica conectando os 15 municípios (usando a rede de distribuição de energia da Eletronorte para passar a fibra), conforme já noticiou o Guia das Cidades Digitais, localizados no eixo entre o sudeste e o oeste do Estado. Segundo informações da Prodepa, foram conectados até agora mais de mil pontos, incluindo escolas, unidades de saúde, segurança e administração; infocentros (como são chamados os telecentros no Pará) e hotspots, como orlas e praças com sinal aberto.
Na segunda fase, a expansão será em direção ao nordeste do Estado, com uma rede própria, incluindo fibra e transmissão sem fio. "Estabelecemos o projeto com base no princípio da primeira fase, que usa backbone de fibra, e as derivações são por rádio", diz Francês. O sinal sem fio será retransmitido na frequencia de 7 GHz, e não mais na frequencia não-licenciada de 5,8 GHz (WiMax), usada na primeira fase.
Telemedicina e Tele-educação
Nesta etapa, um dos objetivos principais será implementar ou incrementar ações de telemedicina e tele-educação. "Teremos núcleos para cada uma dessas tecnologias", adianta Francês. No caso da tele-educação, há um piloto já em andamento dentro dos campi na Universidade do Estado do Pará (UEPA), com salas de videoconferência que usam a estrutura do NavegaPará. A Secretaria de Estado de Educação também utiliza tele-educação para formar professores. A primeira turma está atualmente em andamento, com 400 profissionais de educação envolvidos.
Com relação à telemedicina, estão sendo implantadas 12 regionais de telessaúde, localizados em núcleos de atenção à saúde básica, em hospitais do próprio Estado ou em hospitais universitários. No caso destes últimos, as ações se integram ainda à Rede Universitária de Telemedicina. "O nosso modelo está sendo interessante, pois nos integramos à Rede Rute. Nos outros estados, normalmente usam ou Rede Rute, ou rede estadual. No nosso caso, como a carência é grande, temos que fazer parcerias", conta o presidente da Prodepa. Ele lembra que as ações de telemedicina não são uma iniciativa do NavegaPará, exclusivamente, mas sim uma política de governo que usa a estrutura do projeto. "A Secretaria de Ciência e Tecnologia e a Prodepa trabalham juntas nisso. Pela própria característica do projeto, a ação tem que ser multidisciplinar", pondera.
Na segunda fase, também será incrementado o uso do NavegaFone, telefone IP usado nos órgãos públicos. Lançado há pouco tempo, o NavegaFone completa um mês em breve e, assim, poderão ser feitos os cálculos da economia real proporcionada. Mas Renato Francês adianta que a expectativa é economizar entre 35% e 40% ao mês nas contas, em uma primeira etapa, que vai até dezembro de 2009. "Temos muitas unidades descentralizadas. As ligações locais e interurbanas originadas nos órgãos estaduais são majoritariamente entre unidades do próprio Estado (intragoverno)", esclarece Francês. "Nosso levantamento diz que 70% das ligações são dessa natureza", completa.
Com a redução esperada de quase 40% nos gastos telefônicos estaduais, seriam R$ 12 milhões de recursos economizados ao ano. "É um quarto de NavegaPará economizado ao ano", compara o presidente da Prodepa. No futuro, a intenção é adotar o mesmo modelo aplicado em Porto Alegre, onde todas as ligações convergem para um mesmo PABX IP, a maioria das ligações é feita via VoIP e, nos casos em que se usa a rede comum, os custos são mais baratos em função de acordos prévios feitos com as operadoras de telefonia. Isso tem proporcionado uma economia da ordem de R$ 7 milhões aos cofres porto-alegrenses. "Como a escala vai ser maior, poderemos negociar com operadoras redução nas saídas", planeja Francês.
Em função de economias como essa, o presidentes da Prodepa se entusiasma com as perspectivas futuras do NavegaPará. "Reduzimos os gastos com telefonia fixa, que é rubrica indireta; reduzimos os gastos com link de internet, que é diretamente ligado ao projeto. Há a otimização do Estado, diminuímos deslocamentos. Em dois anos, o projeto já se paga, em função das economias que gera", analisa Francês.
As 15 primeiras
Os 15 municípios digitalizados na primeira fase do projeto foram: Abaetetuba, Altamira, Barcarena, Belém, Itaituba, Jacundá, Marabá, Marituba, Pacajá, Rurópolis, Santa Maria do Pará, Santarém, , Tailândia, Tucuruí e Uruará. |
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NavegaPará em números
- Antes do NavegaPará, havia 300 pontos com acesso a internet em janeiro de 2007 em todo os Estado; hoje, há cerca de mil pontos
- A maior capacidade de banda no interior era de 1,5 Mbps; hoje nas cidades as infovias municipais são sempre da ordem de gigabits
- Mais de 4,8 mil certificados de capacitação em Tecnologia da Informação entregues
- 40 infocentros instalados, em 15 cidades
- R$ 40 milhões investidos
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Data: 14 de agosto de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar
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