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Mudança de paradigma na educação

O projeto de transformar Piraí, localizada no sul fluminense, em uma cidade digital teve início em 2002. Desde então, o município ganhou prêmios internacionais e foi objeto de reportagem de diversos meios de comunicação. O sucesso da iniciativa, que conseguiu dar acesso gratuito à internet a boa parte de sua população, deve-se a diversos fatores, diz Maria Helena Cautiero Jardim, Coordenadora Educacional do projeto Piraí Digital e professora do departamento de Ciências da Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os principais, segundo ela, são claros: vontade política e envolvimento da comunidade.    

“Não fossem estes fatores, nada seria possível”, garante. Em entrevista dada ao Guia das Cidades Digitais durante o seminário “Digital Cities 2008”, no qual proferiu a palestra “Cidades Digitais: a construção do conhecimento; as redes colaborativas e a transformação do mundo”, a professora Maria Helena apontou vantagens do projeto para o desenvolvimento de pequenas cidades. Confira abaixo suas principais afirmativas:

Melhorias para a cidade
Em primeiro lugar está a melhora qualitativa. O fato de haver acesso gratuito à internet deu aos moradores mais auto-estima, o que é impossível de mensurar, mas conta muito para o desenvolvimento da cidade.

Depois vem a atração de investimentos. Sempre que um empresário queria instalar uma fábrica ou outro negócio na região, as primeiras perguntas que fazia eram relativas ao nível de educação, saúde e possibilidade de conexão.

Em seguida, temos a transformação no ensino e no nível de conhecimento da população, uma mudança de paradigma. A escola agora é mais voltada para a reflexão e para a produção do saber.

Resistência inicial
No princípio, houve resistência por parte de alguns professores. Eles tinham medo da novidade, de ficar para trás em relação aos alunos. Numa das primeiras oficinas de capacitação que realizamos, uma professora afirmou que éramos uma “oportunidade ameaçadora”. Ou seja, ela reconhecia que a internet podia ser uma janela, mas estava temerosa. Anos depois, ela nos agradeceu por convencê-la a participar do curso.

Mas a resistência nem sempre parte do professor. O gestor é fundamental nessa iniciativa. As melhores escolas são aquelas em que o gestor participa, aceita mudanças e implementa novos projetos pedagógicos, com interatividade.

Colaboração
A colaboração faz parte do ensino de muitas escolas, assim como projetos de multimídia. Alguns alunos viram tutores, outros entram forte na produção de vídeos e sons. O novo aluno demanda mais por orientação sobre onde buscar conteúdo do que por alguém que lhe passe informação. Afinal, com a internet, ele tem toda a informação do mundo a seu dispor, logo, a relação entre professores e alunos precisa mudar. Muitas aulas já produzem conteúdo wiki, blogs, vídeos com a participação de todos.

Vantagens na administração
No fundo, o que vale mesmo é vontade política. É fundamental o político vislumbrar as possibilidades do projeto e ver a internet como um serviço público como qualquer outro. Daí pode-se buscar parcerias com o setor privado, procurar economia, etc.

Quanto à economia, o fato de haver internet gera diminuição de custos com telefonia e com agilidade na administração. Isso para não falar dos serviços que a população ganha.

Limites
O projeto Piraí tem avançado bastante e servido de exemplo para outras cidades. Novamente, o limite é dado pela gestão, mas há fatores externos que podem colocar em risco o desenvolvimento de projetos deste tipo, como o preço de contratação de banda. Há prefeituras pagando até R$ 4 mil por megabit a cada mês. É muito! Por isso acho que iniciativas de “estado digital” são uma boa solução para esse problema. As prefeituras podem se juntar para comprar juntas mais banda, assim como poderiam fazer com outros serviços. Nossa meta é chegar a R$ 300 por megabit.

 

 

Data: 23 de abril de 2008

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