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Mercado Público Virtual aproxima governos e fornecedores

Quando se fala em um mercado público, logo se pensa em um local cheio de gente, com comerciantes gritando as vantagens de suas mercadorias e serviços a clientes em potencial. Resumindo, um espaço onde oferta e demanda se encontram, apresentam-se, trocam contatos e, por fim, fazem negócios. Agora imagine um local onde isso tudo possa acontecer virtualmente, com essas trocas sendo desenvolvidas via internet, gerando economia e informações para o cliente e aproximando compradores de quem tem algo a oferecer quando o assunto é software público. Pois bem, o resultado dessa imaginação se chama Mercado Público Virtual (MPV).

O MPV é o primeiro resultado de uma rede colaborativa que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) está incentivando em parceria com várias entidades, entre elas a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento.

“Ele se constitui como um espaço para reunir oferta e demanda, aproveitando a tendência de transformar os forges em mercados”, afirma Fausto Alvim, analista de programa da área de Políticas Sociais do órgão das Nações Unidas. “Forges” são programas que ajudam no desenvolvimento de soluções colaborativas. Entre as iniciativas mais famosas estão o site SourceForge.net e o Savanah, da Free Software Foundation. Neles, desenvolvedores de todo o mundo trocam informações sobre como melhorar um programa e disponibilizam o resultado final para o público.

O fato de lidarem com soluções de código aberto não é sinônimo para falta de remuneração pelo trabalho desenvolvido. Se uma prefeitura adota um open source de banco de dados, por exemplo, mas precisa fazer alterações nele que atendam melhor suas necessidades, pode contratar uma empresa para fazê-lo. Ou então alguém para realizar a manutenção e descobrir possíveis falhas.

“A grande vantagem desse modelo é aproximar clientes, sejam eles públicos ou privados, dos prestadores de serviços”, diz Eduardo Santos, desenvolvedor e um dos responsáveis pelo projeto na SLTI. “O objetivo da iniciativa não é atender grandes empresas, mas pequenas e médias. Queremos estimular o fortalecimento desse mercado, bastante importante para a inovação de softwares”, explica Santos.

O MPV, contudo, não faz nenhum tipo de pregão eletrônico ou celebração de contratos. Afinal, para contratar um serviço ou empresa, um órgão público precisa abrir licitação. A vantagem do site é reunir especialistas em uma determinada solução num só lugar, facilitando o trabalho de uma prefeitura, por exemplo, na hora de chamar participantes para uma concorrência.

No Mercado Público Virtual, os interessados podem fazer pesquisa por solução (a maioria consta no portal do software público, que já foi tema de reportagem no Guia das Cidades Digitais), Estado, tipo de serviço e forma de prestação (autônomo ou empresa). Para fazer parte da lista, basta se cadastrar no portal do software público e ter um CPF ou CNPJ válidos. No cadastro, a empresa pode informar as certificações que possui, assim como suas especialidades e currículo. Para facilitar a busca, a página oferece um mapa em que é possível buscar um serviço por região, Estado ou cidade. Na data de publicação desta matéria, havia 453 prestadores cadastrados.

Um deles é a 4Linux, empresa paulistana especializada em treinamento e desenvolvimento de softwares livres. Segundo Rodolfo Gobbi, diretor da companhia, o cadastro foi feito para poder estar mais perto de potenciais clientes. “Ainda não fizemos nenhum negócio devido ao Mercado Público Virtual, mas esperamos conseguir em breve”, garante. Por ter grandes clientes corporativos, Gobbi acredita que o portal possa servir de chamariz para outros.

Como não exige nenhum comprovante do que está sendo postado, o site abriu uma ouvidoria, por meio da qual empresas e pessoas podem fazer denúncias, reclamações e críticas sobre algum participante. A equipe do Mercado Público Virtual investiga as informações para resolver o problema e, se for o caso, excluir uma empresa do cadastro ou desmentir acusações infundadas.

O site é fruto de uma parceria entre diversas entidades: Ministério do Planejamento, da Ciência e Tecnologia, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Associação Nacional dos Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu), da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro) e da Federação Nacional das Empresas de Informática (Fenainfo). Mais detalhes em www.mercadopublico.gov.br.

 

Data: 21 de janeiro de 2009

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