Mercado
» Associações e entidades » Investimentos em banda larga beneficiam mais os países pobres
Investimentos em banda larga beneficiam mais os países pobres
Estudo de grupo de trabalho sobre banda larga da União Internacional de Telecomunicações mostra que gastos em infraestrutura para provimento de internet de alta velocidade fomentam o crescimento econômico principalmente de nações menos desenvolvidas
Países em desenvolvimento como o Brasil têm mais a lucrar com o desenvolvimento da banda larga do que os mais desenvolvidos. Esta é uma das principais conclusões do recente relatório “Banda Larga: plataforma para o desenvolvimento”, elaborado por um grupo de trabalho composto por especialistas, acadêmicos e empresários a pedido da União Internacional de Telecomunicações (UIT). O estudo defende a coordenação de esforços entre os setores público e privado para melhorar a infraestrutura de acesso à internet em todas as nações, algo essencial para o crescimento econômico na atualidade.
“A História testemunhou muitas ‘declarações de independência’. Mas no mundo interconectado de hoje talvez tenhamos que propor uma ‘Declaração de interdependência’, um reconhecimento de que o bem-estar econômico de cada país cada vez mais depende de acesso ao resto do mundo por meio de internet em banda larga”, declarou o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré. “Esse relatório indica que melhorias na penetração da banda larga se relacionam diretamente a melhorias no Produto Interno Bruto (PIB). Basicamente, quanto mais disponível e barato o acesso, melhores as perspectivas econômicas e de crescimento de um país”.
Segundo o relatório, o investimento em infraestrutura é uma das saídas para a diminuição da desigualdade entre as nações. O documento afirma que dez pontos percentuais a mais no índice de acesso à internet em banda larga significam cerca de 1,38 ponto percentual a mais no crescimento econômico em países em desenvolvimento, em média. Nas áreas mais ricas, o aumento seria de 1,21 ponto percentual.
Uma das razões para essa diferença é o fato de os países em desenvolvimento ainda terem um longo caminho a percorrer até alcançar os desenvolvidos. Enquanto na parte mais rica do mundo 24,6% da população tem acesso à internet em alta velocidade via cabo, tecnologia que demanda mais investimentos em infraestrutura, apenas 4,4% da parcela mais pobre possui a mesma facilidade. A disparidade, no entanto, é ainda maior quando analisado o acesso a internet móvel em alta velocidade: 51% dos habitantes dos países mais ricos contam com esse tipo de serviço, contra 5,4% dos moradores de nações mais pobres.
Os números vêm de um estudo de 2009 do Banco Mundial, com projeções atualizadas para 2010, mas são fortalecidos pela análise do grupo de trabalho da UIT, presidido por Carlos Slim, dono da TelMex e outras operadoras de telefonia, como a Claro e a Embratel.
O potencial parece claro: um estudo garante que a ampliação do acesso à internet em alta velocidade na Europa por si só geraria dois milhões de postos de trabalho até 2015 e um aumento de 636 bilhões de euros no PIB da área.
Coordenação de esforços entre governo e iniciativa privada
A melhor forma de incrementar os índices de acesso à internet em alta velocidade, segundo os especialistas, é por meio de uma coordenação de esforços entre governo e iniciativa privada. “O desenvolvimento de projetos isolados ou compartimentados e redes duplicadas não é apenas ineficiente”, afirma o texto. “Também atrasa a provisão de uma infraestrutura que tem se tornado tão crucial no mundo moderno quanto estradas e fornecimento de eletricidade”.
O estudo pede, então, para que barreiras de preço sejam removidas e portas para a inovação fiquem abertas. Aconselha também que a instalação de fibra ótica seja utilizada como base para o desenvolvimento da infraestutrura, mas a propagação de canais sem fio também deve ser estimulada, dado seu menor custo para atingir espaços isolados de grandes centros.
Os autores afirmam que é justamente um bom planejamento o instrumento para gerar sinergias entre as aplicações da internet. Uma boa conexão rural melhora não só a comunicação de agricultores, mas a produtividade, dado o maior acesso a informações e preços, como outros aspectos da vida. O avanço da telemedicina seria um grande exemplo disso, assim como o da educação. “O acesso à banda larga é apenas uma parte da figura – o desenvolvimento da capacidade humana é absolutamente vital para assegurar que os indivíduos tenham hablidade para tirar o máximo das novas tecnologias. Todos os atores – nacionais, internacionais, privados e públicos – devem trabalhar juntos para este fim”, afirmou a diretora geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova.
O grupo decidiu não definir o que é uma conexão em banda larga, preferindo adotar conceitos como “serviço ininterrupto” e de “alta capacidade” capaz de prover vídeo, dados e voz simultaneamente. Com essas capacidades, seria possível desenvolver, então, uma sociedade do conhecimento, baseada em liberdade de expressão, acesso à informação, qualidade na educação para todos e respeito às diversidades.
Data: 09 de junho de 2011
Autor: Marcelo Medeiros