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Investimento em pesquisa: cidades digitais podem se beneficiar

As Cidades Digitais, ou aquelas que pretendem se transformar em uma, em breve serão objeto de estudo de centros de pesquisa de alto padrão e ainda poderão se beneficiar do resultado desses trabalhos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão de fomento a pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), anunciou, no fim de outubro, 101 propostas vencedoras de edital aberto para formar Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e pelo menos cinco deles (Ciência da Web, Redes de Comunicação Sem Fio, Engenharia de Software, Convergência Digital e Para a web) estão voltados para o estudo de Tecnologias da Informação e comunicação (TICs). O investimento do governo federal, em parceria com agências estaduais de fomento à pesquisa, chegará a R$ 600 milhões ao longo de cinco anos.

“Há várias frentes de trabalho que podem ser aproveitadas pela administração pública no que se refere ao uso de TICs”, garante Geraldo Xexéo, professor do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação do Centro de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Xexéo é integrante de um dos novos INCTs, o de Ciência da Web, que envolve 12 universidades e 15 centros de pesquisa.

Entre as missões do INCT de Ciência da Web, está a de “transferir conhecimento para todos os setores da sociedade”, como informa a apresentação da nova instituição ao CNPq. De acordo com Xexéo, as pesquisas vão produzir conhecimento e tecnologia para áreas de grande interesse da administração pública, como a formação de redes, gerenciamento de processos, infra-estrutura e desenvolvimento de softwares.

“As prefeituras podem se aproveitar das informações sobre criação de redes, ambientes colaborativos, além das pesquisas que faremos sobre a relação entre a web e a política e economia”, opina o professor da UFRJ.

Telemedicina

O poder público também poderá se aproveitar do INCT de Convergência Digital, liderado pelo Laboratório de Telemedicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O principal foco desse instituto é o aproveitamento de novas tecnologias de comunicação e informação em hospitais e postos de saúde. Segundo Cleidson Cavalcante, gestor estratégico de Ciência e Tecnologia do grupo de pesquisa Cyclops, da UFSC, a idéia é aproveitar os mais de dez anos de experiência do órgão de pesquisa catarinense e aliar o conhecimento já existente na universidade do sul com o de outras, como as federais de São Carlos e São Paulo, além da USP e da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

“Nosso foco é melhorar e ampliar o uso de TICs na saúde”, conta. “A intenção é convergir novas mídias e periféricos, como celular, para que diagnósticos e tratamentos sejam mais rápidos e precisos. Por isso, o instituto prevê capacitação de servidores de TI, help desk e médicos para o uso dessas tecnologias. Nosso alvo sempre foi a saúde pública.”

Softwares


Outro programa que poderá gerar frutos para o poder municipal é o de Engenharia de Software, capitaneado pelo Departamento de Sistemas e Computação da Universidade Federal de Pernambuco.

“O INCT é resultado da convergência de várias linhas de pesquisa em um tema comum, o desenvolvimento de softwares. E isso pode ser aplicado para qualquer indústria ou setor da sociedade. Certamente o poder público será alvo de algum projeto específico”, garante Tiago Massoni, pesquisador membro do INCT em Engenharia de Software e professor assistente da Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco. À instituição financiada pelo CNPq estão vinculadas diversas instituições de ensino do nordeste, todas voltadas para criação e aperfeiçoamento de programas de computador.

Edital

O edital do CNPq foi lançado no meio do ano e recebeu 261 propostas, que, somadas, representam uma demanda de mais de R$ 1,5 bilhão. Dessas, foram selecionadas 101 iniciativas. “O Programa Institutos é resultado de um amplo acordo no que diz respeito à ciência e tecnologia. É o primeiro programa que tem uma contribuição e participação tão ampla, não só daqueles que o discutiram, mas daqueles que estão injetando recursos”, afirmou o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago.

Além da área de tecnologia da informação e web, o edital contemplou projetos nos campos de biotecnologia, nanotecnologia, saúde, biocombustíveis, energia elétrica, fontes renováveis de energia, petróleo, gás e carvão mineral, agronegócio, biodiversidade e recursos naturais, amazônia, semi-árido, mudanças climáticas, programa espacial e nuclear, defesa nacional, segurança pública, educação, antártica e inclusão social.

Data: 07 de dezembro de 2008
Autor: Marcelo Medeiros

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