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Internet gratuita: iniciativas nos EUA

A discussão sobre como bancar o acesso gratuito de cidadãos à internet não é exclusividade do Brasil. Como o Guia das Cidades Digitais abordou na semana passada, na matéria “Internet gratuita para a população: sim ou não?”, há uma polêmica no País sobre se o poder público deve ou não oferecer conexão sem cobranças aos moradores de determinadas localidades.

Pois o imbróglio cruza oceanos há tempos e continua sem solução definitiva. Algumas prefeituras mundo afora não conseguem recursos para dar acesso a todos seu moradores e, por isso, buscam alternativas para manter a qualidade do serviço.

A rede da MetroFi, empresa que emitia sinais Wi-Fi para nove cidades do estado norte-americano da Califórnia, por exemplo, buscou meios de se manter sustentável. Ao ganhar uma concorrência conjunta das prefeituras em 2006, a companhia focou seu negócio em anúncios. Ao se conectar na rede, o usuário era obrigado a assistir a um comercial, cuja renda era revertida para a manutenção do sistema e da própria empresa.  A mesma estratégia havia sido adotada pela EarthLink, companhia que venceu a licitação feita na cidade de Filadélfia, também nos EUA.

Em ambos os casos, houve fracasso. De acordo com especialistas, o problema foi a confiança das empresas no valor dos anúncios. Apesar de alcançarem boa parte da população, elas não conseguiram cobrar o quanto gostariam para compensar os investimentos. Por isso, os negócios não floresceram.

“O modelo de internet paga por anúncios e assinaturas ainda não é suficiente para obter retorno”, afirmou o presidente da MetroFi, Chuck Haas, ao jornal San Francisco Gate em julho.

Cartões pré-pagos

Por outro lado, cidades que mergulharam um pouco mais tarde na onda de oferecimento de internet gratuita à população decidiram dar saltos menos profundos. A estratégia adotada foi a de gerar economia com a aplicação de serviços de internet e, a partir dos recursos obtidos, investir em mais aplicações, voltadas para a população.

A cidade de Santa Mônica, por exemplo, também na Califórnia, primeiro construiu uma rede de cabos para levar conexão a pequenos negócios. O benefício atraiu mais empresas e o aumento da arrecadação gerou dinheiro que levou acesso a cidadãos de áreas de menor renda.  Glenn Fleishman, editor do site Wi-Fi News, afirma que este é um modelo de sucesso. “Internet gratuita pode trazer gente para gastar dinheiro no comércio local”, explica. “E isso estimula a economia da cidade, produzindo benefícios para todos”.

Outra possibilidade que está surgindo nos EUA é a concessão de cartões pré-pagos de acesso à rede municipal. A iniciativa ainda está em estudo, mas é apontada pela empresa de consultoria ABI Research como uma solução. “Isso resolveria o problema do acesso dos mais pobres ao mesmo tempo em que não acaba com a iniciativa privada”, diz o estudo.

A mesma companhia aponta a cobrança de taxas pela prestação de serviços como outro caminho. Serviços offline continuariam gratuitos, enquanto os online seriam pagos com pequenos valores. Assim, a competição seria estimulada quando houvesse concorrência privada, e o consumidor sairia ganhando.

Há ainda a alternativa de Cleveland, que, a partir da doação de uma grande fundação local, obteve US$ 4,5 milhões para instalar a rede que dá acesso gratuito à internet a todos os cidadãos e comerciantes. A manutenção, contudo, ficará a cargo da iniciativa privada. O trabalho de convencimento foi feito pela organização do terceiro setor ao lado da prefeitura ao longo do primeiro semestre de 2008. Resta, porém, a dúvida de como lidar com o crescimento da demanda por banda e mais serviços.

Data: 26 de setembro de 2008
Autor: Marcelo Medeiros

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