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Internet de Todas as Coisas pode trazer benefícios para Cidades Inteligentes

A utilização de estratégias da Internet de Todas as Coisas no setor público vai gerar lucros de mais de US$ 4,6 trilhões até 2022 em todo o mundo. Entre os benefícios estão o aumento da produtividade de funcionários, a redução do tráfego e a automação de tarefas

Jordi Botifoll

Jordi Botifoll, Presidente da Cisco na América Latina

Cidades de todo o mundo estão destinadas a se tornarem algumas das maiores beneficiárias da Internet de Todas as Coisas (Internet of Everything – IoE), graças às enormes possibilidades que terão através do impacto de conectar na mesma rede pessoas, processos, dados e coisas, e do valor que esta conectividade cria quando "tudo" está on-line e visível. Estas tecnologias irão ajudar as cidades a alcançar maior crescimento econômico e melhorar a sustentabilidade ambiental, a segurança pública e a produtividade.

Participei do evento eMerge Américas, realizado de 2 a 6 de maio, juntamente com os prefeitos de diversas cidades da América Latina. Lá analisamos os casos de Miami e Barcelona. Miami quer se tornar um centro de inovação para as Américas e Barcelona, sendo recentemente selecionada como a cidade mais inovadora na Europa através do uso da tecnologia, é um estudo de caso a partir do qual muito se pode aprender.

Por exemplo: a Internet de Todas as Coisas pode fazer sistemas de estacionamento nas cidades muitíssimo mais eficientes. Encontrar vagas, reservá-las antes de chegar e pagar de acordo com a proximidade ou distância pode nos trazer muitas vantagens. Um sensor em cada estacionamento é ativado, dependendo se ele está ocupado ou vazio. Então, um smartphone guia o carro para o estabelecimento disponível mais próximo. Estima-se que 40% do tráfego nas cidades é causado por pessoas tentando encontrar um lugar para estacionar. As cidades podem aumentar sua renda em 30% através da otimização da estrutura de estacionamento com a Internet de Todas as Coisas.

De acordo com um estudo realizado pela Cisco, a disposição de novas conexões entre coisas, processos e pessoas no setor público irá gerar cerca de US$ 4,6 trilhões até 2022 em todo mundo. Este valor representa o dinheiro que governos locais irão economizar ou gerar por meio de maior eficiência do trabalho em serviços existentes, redução de despesas operacionais, centros de comando conectados, veículos e materiais para a segurança pública, melhoria do ambiente e da saúde, entre outros.

As possibilidades que a Internet de Todas as Coisas oferecem às cidades são infinitas, conforme a necessidade. Entre outros exemplos, esta tendência propõe que cidades automatizem o seu trabalho de videovigilância, coleta de lixo (com lixeiras programadas para serem recolhidas apenas quando estiverem cheias), iluminação pública (com luzes que só acendem quando alguém chega ao local), cobrança de tarifas de áreas fortemente congestionadas sem colocar cabines ou perturbar a mobilidade, entre outros.

Para chegar a este valor dos benefícios da Internet de Todas as Coisas, foram analisados 40 estudos de caso específicos de instituições públicas de diversos setores. Esta análise global incluiu áreas como educação, cultura e entretenimento, transporte, segurança e justiça, energia e meio ambiente, e serviços de saúde e defesa. Também incluiu as economias e ganhos decorrentes do teletrabalho e de operações de última geração.

O estudo mostra que esta tendência vai ter um grande impacto na América Latina, a partir de investimentos que diferentes governos já estão fazendo em termos de conectividade e da adequação dos serviços, incluindo teletrabalho, colaboração móvel, pagamentos on-line, e-learnig ou segurança cibernética.

Para não ir muito longe, do valor de US$ 4,6 trilhões da potencial da Internet de Todas as Coisas para o setor público em todo o mundo, o Brasil vai participar com US$ 70.300 bilhões; o México com US$ 34.300 bilhões; a Argentina com US$ 14.800 bilhões e a Colômbia com US$ 11.200 bilhões. Em todos os casos, os benefícios serão principalmente para cidades e agências estatais.

No entanto, para alcançar estes ganhos as cidades devem trabalhar de forma cada vez mais inteligente para solucionar suas próprias necessidades. Claro que aquelas com restrições de orçamento devem se concentrar em aplicações-chave da Internet de Todas as Coisas para gerar renda, tais como gestão inteligente de estacionamento, gestão de água e monitoramento de gás.

Seguindo a filosofia da Internet de Todas as Coisas, todas as estratégias devem ser coordenadas e combinadas para aproveitar todo o potencial das redes. No fim das contas, é um trabalho em que a união, uma visão estruturada do futuro, o potencial de cada cidade e a vontade política irão gerar lucros.

Este artigo foi publicado inicialmente no portal Convergência Digital e enviado em seguida ao Guia das Cidades Digitais


Data: 07 de agosto de 2014

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