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No Sergipe, integração, inclusão e desenvolvimento

No final deste ano ou início de 2009, Sergipe começa a tornar-se plenamente digital. Menor Estado brasileiro em extensão territorial − são menos de 22 mil quilômetros quadrados −, Sergipe terá, além de conectividade e integração em todos os órgãos estaduais, cobertura de internet gratuita para toda a população. A previsão para o projeto estar totalmente implantado é final de 2009. Atualmente, está sendo preparado o edital para a contratação de empresas e serviços para implementação do chamado Sergipe Digital.

"O projeto é estruturado em três eixos: o primeiro fará a informatização do governo e seus órgãos; o segundo prioriza estratégias de inclusão digital de massa, levando internet à casa das pessoas; e o terceiro é o desenvolvimento da indústria local de tecnologia da informação, que chamamos de 'ecossistema digital'", define Cláudio Silva, diretor-presidente da Empresa Sergipana de Tecnologia da Informação (Emgetis).
 
A intenção é formar uma rede de 40 Mbps para atender aos 2 mil pontos da administração pública estadual, entre secretarias, escolas, postos de saúde, delegacias, etc. Atualmente, segundo Silva, somente um quarto deles está conectado à internet e interligado entre si, através de circuitos convencionais Frame Relay instalados ponto a ponto. O estabelecimento da rede governamental será a etapa do projeto que receberá mais recursos.

Estímulo ao desenvolvimento

Após a instalação da rede governamental, prioridade no Sergipe Digital, será implantada o Conecta Sergipe, que vai levar internet aos 500 mil domicílios do Estado, dos quais 40% estão no entorno da capital, Aracaju. Ou seja, o segundo eixo do projeto. Será utilizada uma rede adicional com banda inicialmente estimada de 40 Mbps, a ser montada em cima da governamental, completando um total de 80 Mbps.  Cada um dos menos de 2 milhões de sergipanos terão limite de banda de 64 Kbps para acesso domiciliar. Inicialmente, o governo do Estado não vai estabelecer requisitos para instalação da internet nas casas: qualquer um poderá ter, bastando se cadastrar.

As pessoas que desejarem uma banda maior deverão contratar com os provedores locais. "Criaremos dois movimentos. Primeiro, com o Conecta Sergipe, criamos mercado e demanda por internet − e anulamos o principal argumento de teles e provedores, que não investem em infra-estrutura em algumas áreas alegando que não há demanda. Depois, estimulamos o setor local, já privilegiando o terceiro eixo do projeto, que é o desenvolvimento da indústria de TI. Com mais clientes, o custo individual do acesso tende a ficar menor", explica Silva.

Com essa universalização do acesso em cada casa, o Sergipe Digital não prevê telecentros e hotspots. Mas já planeja, isso sim, a expansão nos serviços de e-gov − muitos já estão disponíveis, principalmente nas áreas fazendária e tributária, como se vê no site do governo estadual. A intenção é aumentar o número de serviços e criar um portal exclusivamente para eles, centralizando-os. Paralelamente, pretende-se reformular os sites do governo do estado e adquirir softwares para a administração pública.

Modelo de negócios e tecnologia: a definir

Silva conta que ainda não foram definidas as tecnologias e distribuição da rede estadual. "O backhaul tem que ser bem construído. Às vezes, a tecnologia sem fio não responde em todas as situações. No entanto, a que mais nos estimula a montar a rede é a sem fio. Nada impede que combinemos tecnologias", diz o diretor da Emgetis, que completa: "Provavelmente nas áreas mais densas, onde há um cinturão de cidades mais povoadas do estado, incluindo a capital, faremos um anel de fibra."

O edital para implantação do projeto já está em elaboração e será dividido em três lotes: implantação e operação; gerenciamento (cujo fornecedor não poderá ser o mesmo do primeiro lote) e operação da saída para a internet. Mas muita coisa ainda não está decidida e, justamente para ajudar na definição, o governo do Estado fará, em setembro ou outubro, uma consulta pública, chamando empresas e fornecedores a opinar sobre o modelo e as tecnologias a serem adotadas. "Vamos antecipar discussões com fornecedores, de modo a queimar etapas posteriores, já fazendo as correções necessárias", explica Silva.

Por ora, o plano é implementar o Sergipe Digital com recursos estaduais. O projeto se pagaria com a economia futura que ele próprio vai proporcionar aos cofres estaduais, especialmente nos gastos com comunicação (anualmente, entre dados, telefonia fixa e móvel, somam R$ 12 milhões). Mas não se descarta a realização de uma parceria público-privada, caso alguma empresa se interesse pelo projeto sergipano.

Data: 07 de agosto de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

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