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Integração entre as forças policiais e de defesa civil estaduais, com base em tecnologia de ponta, será legado da Copa de 2014

Em junho de 2013, o Brasil sediará a Copa das Confederações, evento da Fifa preparatório da Copa do Mundo de 2014. Até lá, de acordo com a entidade máxima do futebol, a maior parte dos equipamentos necessários para o torneio deve estar pronta nas cidades que receberão jogos. A ideia é utilizar a competição de 2013 como teste para a do ano seguinte, em todos os sentidos. Uma das maiores preocupações da Fifa em todos os eventos que organiza é com a segurança, não só das delegações como de turistas e da população em geral. Evitar tumultos, desordens e crimes também é o objetivo do comitê organizador da Copa do no Brasil e, por isso, o governo federal decidiu criar uma Secretaria Extraordinária de Segurança de Grande Eventos (Sesge), vinculada ao Ministério da Justiça. Segundo o responsável pela pasta, o delegado Federal Valdinho Caetano, a integração entre as forças policiais e de defesa civil estaduais será um dos principais legados que o evento deixará para o país. 

Os desafios enfrentados pelos responsáveis pela segurança pública nos próximos grandes eventos esportivos terão destaque na programação do Fórum Nacional de TIC na Segurança Pública, que será realizado no dia 31 de outubro, em Brasília, com a organização da Network Eventos. Se você é servidor público, inscreva-se gratuitamente no evento clicando aqui.

Com orçamento de R$1,1 bilhão, a Sesge tem a responsabilidade de garantir a segurança nos aeroportos, nos deslocamentos das delegações e no entorno dos perímetros de segurança. É responsável também por colaborar com o comitê organizador para que tudo corra em ordem dentro e no entorno dos estádios e outras instalações oficiais, como os hotéis das delegações, Centros de Treinamento e o Centro Internacional de Transmissão. Estes espaços serão vigiados por segurança privada.

A secretaria já coordena a integração entre as forças policiais e de defesa civil estaduais. Essa colaboração é vista pelo responsável pela pasta, o delegado federal Valdinho Caetano, como um dos principais legados que o evento deixará para o país. “O que se pretende é que haja verdadeiro e permanente avanço para a segurança pública dos estados”, afirma Caetano ao Guia das Cidades Digitais nesta entrevista, feita por e-mail.

Apesar de não detalhar as principais deficiências tecnológicas das cidades-sede, o secretário garante que todas as exigências e recomendações serão seguidas à risca para que o evento seja um sucesso e afirma que esforços estão sendo feitos para harmonizar procedimentos e treinamentos das forças de segurança do país. Diz também que não será necessária suplementação orçamentária para compra de equipamentos.

Leia a seguir a entrevista:

Guia das Cidades Digitais – A Sesge foi criada há pouco mais de um ano. Qual o balanço desse curto período?

Valdinho Caetano – Durante esse período houve grande avanço na estruturação da Sesge e no planejamento da segurança dos grandes eventos. Num tempo bastante exíguo, a secretaria conseguiu implementar a cultura de projetos e montar uma equipe comprometida com metas e resultados. Houve grande amadurecimento na relação com os estados e municípios que sediarão os jogos, além da consolidação do papel que cada instituição desempenhará na coordenação da segurança. Cumprindo todas as etapas das contratações e aquisições públicas, conseguimos avançar bastante em todos os processos licitatórios para o fortalecimento das instituições de segurança e para a implantação do Sistema Integrado de Sistema e Controle.

GCD – O país decidiu centralizar as operações de segurança na Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos do Ministério da Justiça. Qual a vantagem desse sistema?

Valdinho Caetano – Esse modelo possibilita uma visão panorâmica dos diferentes estados e cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo e possibilita o alinhamento de diversas políticas regionais, estabelecendo um padrão de atuação das forças de segurança, respeitando-se as peculiaridades regionais. Além disso, a constante interlocução da Sesge com os Estados possibilita o planejamento do legado a ser deixado às instituições locais, com equipamentos de ponta. O que se pretende é que haja verdadeiro e permanente avanço para a segurança pública dos estados.

GCD – Em termos tecnológicos, como classifica o atual estado das forças de segurança brasileiras que atuam em grandes eventos?

Valdinho Caetano – A situação das forças de segurança foi diagnosticada pela equipe da Diretoria de Logística da Sesge e pela KPMG (consultoria contratada para dar suporte às ações da secretaria). O cenário é bastante heterogêneo, e o Governo Federal está atento a cada uma das distintas realidades.

GCD – No que essas mesmas forças podem avançar para a Copa do Mundo de 2014?

Valdinho Caetano – O principal avanço ocorrerá com a implantação da cultura de integração entre as forças de segurança pública e defesa civil. Atualmente, na maioria das vezes, cada força obedece a protocolos próprios e estanques. Com a implantação do SICC [Sistema Integrado de Sistema e Controle], pretende-se que este problema seja definitivamente superado. Hoje ocorre um esforço inédito no país, com a implantação, pela Sesge, de 12 Comissões Estaduais de Segurança Pública e Defesa Civil, uma em cada estado-sede. Cada uma será a responsável pela elaboração dos protocolos conjuntos e do plano tático, que envolverá a participação de todas as instituições ligadas à segurança e à defesa civil, nas três esferas de Governo.

GCD – Que equipamentos são mais urgentes atualmente?  

Valdinho Caetano – Como as aquisições foram baseadas em um planejamento estratégico, não há itens mais importantes que outros, já que todos são importantes para o cumprimento das premissas acordadas entre o Governo Federal e os Governos Estaduais.

GCD – Está tudo pronto para a Copa das Confederações, que acontece já em 2013?

Valdinho Caetano – Para a Copa das Confederações, a estrutura será compatível com o porte do evento. Para a Copa do Mundo, por sua vez, todas as aquisições já terão sido feitas e os bens entregues aos órgãos federais e às Secretarias de Segurança Pública.

GCD – Estão previstos centros de controle em todas as cidades que sediarão jogos da Copa. Os equipamentos serão os mesmos em todas as cidades? O que é possível destacar dessas tecnologias que estão sendo implementadas?

Valdinho Caetano – Embora haja uma estrutura básica de tecnologias a serem implantadas, evidentemente, cada estado tem a sua peculiaridade, que deverá ser observada na estruturação do SICC. Podemos citar, por exemplo, que para a cidade de Manaus haverá um centro de comando e controle móvel flutuante, por serem os rios os principais meios de transporte na Amazônia. Em todos os CCC serão implantados equipamentos como o vídeo wall, as salas-cofre e os softwares de integração das tecnologias de dados e voz. Os CCCs funcionarão mediante o estabelecimento de protocolos de atuação das instituições de Segurança Pública e Defesa Civil. Esses protocolos estão sendo construídos regionalmente, através do trabalho das Comissões Estaduais, onde se reúnem especialistas das mais diversas áreas, como inteligência, operações antibombas e mobilidade.

GCD – A experiência de um centro de operações integrado por meios tecnológicos pode render frutos para a segurança das grandes cidades? Como?

Valdinho Caetano – Certamente, a integração das instituições de segurança e defesa civil em uma base tecnológica de ponta, por meios de protocolos de atuação conjunta representará um grande avanço para a segurança pública, não apenas durante os grandes eventos, pois permanecerão de forma duradoura após eles.

GCD – As equipes de segurança estaduais, que auxiliarão a Secretaria Extraordinária, estão sendo treinadas para operar as tecnologias?

Valdinho Caetano – Diversos eventos esportivos já estão funcionando como preparação para as forças de segurança. O último deles foi o jogo Brasil X Argentina, ocorrido em Goiânia em 19 de setembro. No final de outubro será realizado o workshop que apresentará o caderno de protocolos para os CCC. O evento será o primeiro treinamento para os responsáveis pela coordenação dos CCC.

GCD – Um dos pilares das ações de segurança da Copa é a integração entre as secretarias. Os sistemas de bancos de dados, indexação de informações e mesmo de comunicação são compatíveis? Será preciso uniformizar esses aplicativos e softwares? 

Valdinho Caetano – Em setembro, a KPMG entregou à Secretaria relatório contendo o diagnóstico da situação da infraestrutura de tecnologia da informação das 12 cidades-sede e os protocolos operacionais de atuação das instituições de segurança e defesa civil nos Centros de Comando e Controle. O segundo passo desse trabalho é a elaboração do termo de referência para aquisição dos softwares de integração dos sistemas estaduais, aqui chamados de “Solução Integradora”.

GCD – O orçamento de R$1,1 bilhão da Secretaria é suficiente para a aquisição de equipamentos e para executar os planos? Será necessária alguma suplementação?

Valdinho Caetano – Todo o planejamento da SESGE foi elaborado com base no orçamento aprovado e não necessitará de suplementação orçamentária.

 

Data: 16 de outubro de 2012
Autor: Marcelo Medeiros

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