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Inglaterra terá avaliação de serviços públicos na internet

A partir de maio, usuários de serviços públicos da Inglaterra poderão trocar informações via internet sobre o atendimento recebido em escolas, hospitais e delegacias do país. O formato será parecido com o de sites famosos, como Amazon e Mercado Livre, nos quais os internautas comentam qualidades e defeitos de produtos. A novidade faz parte de um plano de melhoria dos serviços do governo inglês e foi lançada no início de março.

“Ainda não temos acesso sistemático às experiências alheias na hora de escolher um clínico geral ou posto de saúde”, afirmou o primeiro-ministro, Gordon Brown. “Definitivamente há algo errado quando os negócios online tem padrões de transparência mais altos que os serviços públicos pelos quais pagamos e apoiamos”, complementa.

Os usuários poderão trocar informações por meio de uma página a ser agregada aos portais de cada serviço público. Assim, quem quiser informações sobre o atendimento de um clínico geral, que na Inglaterra sempre deve fazer a primeira consulta, poderá checar a opinião de outros pacientes e, portanto, conhecer de antemão qualidades e defeitos do profissional. Notas também poderão ser aplicadas a hospitais e profissionais. O mesmo será feito com escolas e a polícia.

O sistema é utilizado por sites de vendas para dar credibilidade a vendedores e para que os consumidores possam trocar informações sobre a qualidade de um determinado produto. Além da Amazon e do Mercado Livre (na versão britânica, o Ebay), outro modelo utilizado pelo governo é o do site TripAdvisor. Nele, hóspedes de hotéis de todo o mundo dão notas para o atendimento prestado e justificam-nas.

Segundo o governo britânico, a idéia é melhorar os serviços públicos, integrar a comunidade e aproximar usuários de prestadores. “Tornaremos o serviço público mais sensível ao que ocorre em cada local  — não só reconhecendo que os lugares são diferentes e precisam de soluções diferenciadas, mas também destravando a energia e a criatividade das pessoas que estão no front”, afirma o relatório que lançou novas medidas para o atendimento público na Inglaterra.

A estudante brasileira Luisa Antunes, que mora em Londres há dois anos, gostou da medida. “Achei boa a iniciativa. Até agora, nunca tive problema com o NHS [sigla em inglês de Sistema Nacional de Saúde ]”, diz.

Reação

A Associação Britânica de Médicos, porém, não aprovou a medida. Se por um lado os doutores acreditam ser saudável ter retorno por parte dos pacientes, por outro desconfiam da comparação de um serviço público com o de vendas.

“A idéia de que seu tratamento pode ser julgado como a estada em um hotel é simplista. Há risco de que isso possa reduzir o atendimento público a um concurso de popularidade sem sentido, encorajando comportamentos perversos e com ênfase no superficial”, afirma Hamish Meldrum, diretor da associação. “A abordagem de consumo empregada pelo governo não se encaixa bem com o Sistema Nacional de Saúde. Pacientes não são consumidores de supermercado e os médicos fazem mais que apenas oferecer um bem.”

Atualmente, já é possível comentar o atendimento recebido em hospitais no NHS. De acordo com o governo britânico, desde 2007, quando a possibilidade de enviar mensagens ao Ministério da Saúde começou, cerca de dez mil reclamações e elogios foram recebidos pelo site do NHS. A idéia agora é ampliar a interatividade para todas as áreas de atuação do sistema de saúde.

Em relação às creches, o serviço de comentários será lançado até o início de 2010, enquanto um mapa com o panorama criminal da Inglaterra e País de Gales será divulgado até o fim de março. Os cidadãos poderão informar onde os crimes ocorrem e comentar o atendimento prestado pela polícia. A expectativa é que dois milhões de pessoas interajam com o mapa de crimes até o fim do ano. Assim, as autoridades esperam que a força policial fique mais ágil e preventiva.

Data: 19 de março de 2009

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