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Infra-estrutura e educação na cidade baiana de Madre de Deus

Madre de Deus é pequena em números − são apenas 11 quilômetros quadrados e 15 mil habitantes, distribuídos em ilhas −, mas mostrou-se grande em planos. Desde 2005, teve início a interligação de prédios públicos, escolas e postos de saúde na cidade de atividade pesqueira localizada a aproximadamente 40 km de Salvador. Hoje, o município baiano já tem infra-estrutura preparada para oferecer acesso à internet a todos os cidadãos, assim que o serviço for liberado.

O projeto foi uma idéia da empresa Dr. Micro, que a sugeriu à prefeitura de Madre de Deus. A iniciativa foi acolhida nos âmbitos das secretarias de Administração, que supervisiona a parte de infra-estrutura, rede, etc., e de Educação, encarregada da parte de formação de alunos, funcionários e professores, desenvolvida nas escolas.

A tecnologia utilizada é Wi-Fi. Apesar do tamanho da cidade, são duas torres de transmissão de sinal, em função de sua "geografia complicada", conforme explica o diretor de Tecnologia da Informação (TI) da Dr. Micro, Othon Santana. A rede tem um total de 35 pontos de recepção, incluindo os sete postos de saúde e as cinco escolas da cidade, beneficiando um total de 3.370 estudantes matriculados no ensino fundamental da rede pública municipal.

"A ilha Maria da Guarda, distrito do município onde estão localizadas algumas das escolas, não tem sequer telefone público. A comunicação era por celulares e rádio. E nós levamos internet", orgulha-se Santana.

O link disponível para a cidade é de 6 Mbps - alto, se comparado a outras iniciativas de mesmo porte. Para contratar essa velocidade de banda a preços acessíveis, a atuação da Dr. Micro foi essencial. A empresa faz parte da Unotel Telecomunicações S/A resultado do empreendimento conjunto de mais de 200 provedores de todo o Brasil. Por ser tão capilarizada e grande, a Unotel consegue contratar links de internet diretamente junto ao backbone brasileiro de internet, sem precisar passar pelas concessionárias de telecomunicações tradicionais.

E foi isso que a Dr. Micro fez na cidade: por meio da Unotel, contratou os 6 Mbps diretamente, que são levados até a capital baiana através da fibra alugada na rede da Eletronet. De lá, são direcionados para Madre de Deus, por sinal de rádio. Com isso, os custos de internet caíram drasticamente no município. "Pelo fato de Madre de Deus não ficar em um lugar estratégico, o link era muito caro. A prefeitura pagava R$ 13 mil mensais por uma banda de 3 Mbps, quando contratava junto à concessionária . Hoje, paga pouco mais de R$ 7mil pelos mesmos 3 Mbps", diz Santana.

Do giz à internet

Essa infra-estrutura de rede é acompanhada por um projeto educacional nas escolas municipais, chamado "Do giz à internet" , elaborado para estimular a experiência com a tecnologia. Iniciado em 2002, sua primeira ação foi investir na criação de laboratórios de informática nas escolas. "Procuramos transmitir a noção de que a tecnologia e o computador não são apenas novas ferramentas para o ensino. São novos estruturantes do saber", relata Eri Santana, que cuida do projeto dentro da Dr. Micro.

Hoje, o projeto oferece cerca de 60 oficinas por ano, sempre aos sábados, e direcionadas a professores, gestores, auxiliares e funcionários das escolas. Nelas, aprende-se a construir blogs e a usar os programas do pacote OpenOffice (que equivale ao Office da Microsoft, porém é construído em software livre). "Neste ano já treinamos 324 pessoas", comenta Eri Santana.

Um convênio com a Universidade do Estado da Babia (Uneb) viabiliza a parte de formação semipresencial: o módulo online das oficinas utiliza o Moodle, ferramenta gratuita de publicação de conteúdo na web, para ensinar professores a apostar mais na parte interativa da internet. As aulas desse módulo são mediadas à distância por professores da Uneb, que abordam conceitos do mundo digital, incentivam discussões, etc. O programa "Do giz à internet" promove ainda mesas-redondas cinco vezes por ano, para reunir todos os professores da cidade e convidados de fora a fim de debater educação à distância e novas tecnologias, entre outros temas.

Apesar de equipadas com laboratórios de informática, as escolas servem como telecentros nos finais de semana − até porque são utilizados nas oficinas para professores. Porém, a cidade dispõe de telecentros propriamente ditos, através de convênios estabelecidos pela prefeitura com organizações não-governamentais (ONGs). O poder público financia a instalação do maquinário e as organizações ficam responsáveis por gerir os espaços e capacitar as pessoas.

O site da prefeitura está sendo reformulado para incorporar serviços de e-gov, como contas públicas transparentes, editais e ouvidoria online. Outro passo previsto é a implementação da tecnologia VoIP na cidade. "Existe a intenção, mas ainda não há a previsão", especifica Othon Santana. Segundo ele, já foram feitos estudos superficiais, considerando principalmente locais-chave e de grande uso telefônico da administração, que indicam potencial de reduções médias de 50% nas contas.

Antes do VoIP, porém, os cidadãos de Madre de Deus poderão desfrutar mais completamente da internet: a rede sem fio da cidade foi construída de tal forma que possa ser aberta a todos os habitantes, para uso domiciliar. No processo de estruturação da rede, os técnicos visitaram a cidade de Sud Mennucci (SP), de tamanho e porte semelhante. Segundo Othon Santana, "mais do que conhecer as vantagens, fomos saber dos problemas, para nos preparar".

A intenção é oferecer, inicialamente, banda de 64 Kbps aos moradores. Falta ainda definir os requisitos que a população terá que atender para receber internet em casa e detalhes sobre questões como suporte aos usuários, controle de conteúdo, etc. "Tecnicamente, já preparamos. Só temos que aguardar as questões burocráticas se resolverem para podermos oferecer internet de graça à população", anima-se o diretor de TI da Dr. Micro.

Data: 16 de maio de 2008
Autor: Maria Eduarda Mattar

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