Incentivada por estudantes, cidade inicia infovia
Um grupo de estudantes de mestrado em Engenharia Elétrica da Universidade de Campinas (Unicamp) elaborou, de forma voluntária, um plano de construção de infovia municipal para a cidade de Louveira, localizada na região metropolitana de São Paulo, a 72km da capital. A iniciativa, fruto de uma disciplina do curso, foi além dos domínios da universidade. A prefeitura gostou e decidiu utilizá-la para prover acesso sem fio à internet à população, interligar os prédios públicos, gerando economia para o poder público, e ainda construir um sistema de vigilância.
“O projeto consiste desde o site survey,com a visita de todos os pontos, passando pelo projeto de engenharia até a consulta de levantamento de preços dos equipamentos”, afirma Marcelo Cruz França, um dos mestrandos que elaborou o plano. A economia para os cofres públicos foi de cerca de R$ 150 mil.
“A importância da iniciativa para a cidade baseia-se na democratização no acesso a serviços e informações. Com a rede, os órgãos públicos - como todas as secretarias, postos de saúde, escolas, entre outros - serão interligados, agilizando todos os serviços prestados pela administração, além de também auxiliar na segurança do trânsito e na segurança pública, representando, claro, economia para administração”, enfatiza o prefeito de Louveira, Eleutério Malerba Filho.
O projeto prevê a instalação de um anel de fibra ótica de 42 quilômetros de extensão que cobre os principais pontos da cidade e a implementação de torres de 25 metros de altura para distribuir o sinal a toda a cidade, inclusive a zona rural. A compra de equipamentos e a aquisição do link ainda não foram definidas, pois dependem da formalização da iniciativa pela prefeitura e da realização de licitações. De acordo com o poder público, essas etapas devem acontecer até o fim do ano.
De acordo com os estudantes autores do projeto, o anel envolveria 34 prédios públicos, inclusive escolas e postos de saúde, passando pela rodovia Romildo Prado, que corta a cidade. Como o projeto prevê a instalação de câmeras de vigilância, que seriam utilizadas pela polícia para averiguar, por exemplo, se um determinado veículo está em situação regular, o número de pontos de acesso cresceria para 103.
Segundo eles, a infovia foi planejada de forma a facilitar adição de novos pontos em prédios públicos.
A conexão a ser oferecida aos moradores de Louveira, cidade de 33 mil habitantes e dona de uma das maiores rendas per capita do país, seria de 128 Kbps a 256 Kbps, o que, de acordo com os mestrandos, seria suficiente para fornecer acesso a rede a telefonia via IP.
“De acordo com a experiência que nos foi passada, a taxa de 1 Gbps, para a cidade é suficiente. Vale lembrar que 256 Kbps é um limite de segurança, que vai acontecer apenas nos momentos que todo mundo estiver usando. Caso a cidade considere ainda assim a taxa insuficiente, o nosso plano diretor prevê também a construção de uma rede na taxa de 10 Gbps”, explica Marcelo França.
Para ter acesso, os cidadãos teriam de adquirir um kit de conexão e fazer um cadastro na prefeitura, que fornecerá uma senha para que a navegação seja possível.
Para os estudantes, a iniciativa é válida para levar acesso à internet a quem, apesar da riqueza da cidade, não pode pagar pelo serviço. “Sabemos que o serviço de banda larga oferecido pela operadora de telefonia não atende todo o município e o acesso às soluções alternativas, como 3G e rádio, é caro para as famílias de menor renda”, afirmou o grupo ao jornal Folha de Louveira.
O projeto vai além da conexão e propõe ainda a utilização de softwares para facilitar o trabalho da prefeitura. Entre eles, o e-cidade e o Prefeitura-Livre, que organizam as compras, cadastros de alunos e postos de saúde.
Data: 04 de outubro de 2010
Autor: Marcelo Medeiros