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Governos têm três grandes desafios na era digital, diz especialista

Guido Bertucci, diretor-executivo da organização International Governance Solutions (IGS), apresentou em Brasília recomendações para melhorar o desempenho de governantes por meio de Tecnologias da Informação e Comunicação.

Quebrar hierarquias, unificar banco de dados e ir além da prestação de serviços são três dos maiores desafios dos gestores públicos na atualidade. A análise é de Guido Bertucci, diretor-executivo da organização International Governance Solutions (IGS). Em conferência feita em Brasília no dia 15 de julho, Bertucci analisou meios de tornar os governos mais transparentes e abertos ao público por intermédio do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

De acordo com o executivo, que já foi responsável pelo programa das Nações Unidas (ONU) sobre Administração Pública, Finanças e Desenvolvimento, a implementação de iniciativas de governo eletrônico é fundamental para diminuir as burocracias do serviço público, mas a simples instalação de máquinas e programas de computador não é suficiente.

“Primeiro, é preciso mudar a cultura hierárquica dentro das instituições. Quem ocupa um cargo mais elevado precisa entender que os mais jovens têm muito a contribuir e saber que a participação de todos os funcionários e da população é fundamental”, afirmou Bertucci.

A democratização da administração, portanto, é o desafio inicial a ser enfrentado por gestores. O segundo objetivo seria a unificação dos bancos de dados dos governos federal, estaduais e municipais. A medida facilitaria a consulta a informações públicas. O procedimento, no entanto, é considerado especialmente difícil, ainda mais em um país com as dimensões brasileiras. No entanto, na análise de Bertucci, é um esforço que deve ser feito apesar dos obstáculos. “Esse é um caminho sem volta. A procura por serviços e informações pela internet cresce a cada minuto”, justificou.

Bertucci ainda apontou a necessidade de governos irem além da prestação de serviços públicos. Segundo ele, os gestores devem incentivar a geração de aplicativos de governo eletrônico em todos os segmentos, pois isso ajudaria a desenvolver o mercado interno de software e também a relação entre governo e cidadãos.

“O desenvolvimento de ferramentas, principalmente para celulares smartphones, é um mercado promissor. Dominar esse conhecimento e torná-lo público pode impulsionar um País”, destacou.

Segundo ele, países como Bélgica e Suíça são exemplos de onde se pode chegar nesses itens. Na Bélgica, por exemplo, cada cidadão tem um cartão de identificação para acessar qualquer informação das agências do governo.

Data: 19 de julho de 2010
Autor: Marcelo Medeiros

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