Governo lança projeto nacional de banda larga
O governo da Austrália lançou, no início de abril, um ambicioso plano de levar banda larga a 90% das residências, empresas e locais de trabalho da administração pública. Serão investidos US$ 30 bilhões ao longo de oito anos para trocar todos os cabos de cobre por fibra ótica e também ampliar a rede sem fio de vários estados e comunidades.
“Todos os negócios e pessoas na Austrália, independentemente de onde estiverem localizados, terão acesso a banda larga a preço acessível e rápida na ponta dos dedos”, anunciou o primeiro-ministro do país, Kevin Rudd. “Isso vai ajudar a aumentar a produtividade do país, melhorar a oferta de serviços de saúde e educação e conectar nossas maiores cidades e centros regionais.”
Segundo o plano governamental, escolas, locais de trabalho e residências de cidades com mais de mil habitantes devem ter acesso à velocidade mínima de 100 Mbps quando a conexão for via cabo. Nas localidades mais afastadas, uma nova geração de tecnologias sem fio será utilizada para garantir velocidade de ao menos 12 Mbps. Um dos resultados esperados é a criação de até 25 mil empregos por ano durante o período de implementação do projeto, com picos de 37 mil novos postos.
Uma nova empresa foi criada pelo governo em parceria com o setor privado para gerenciar a National Broadband Network, cujo maior objetivo é tornar a Austrália um país líder no que o governo chama de “economia digital do século XXI”. A companhia será composta por 51% de capital estatal e o restante pela Telstra, maior telefônica daquele país. O governo diz que os investimentos privados serão antecipados para compor o montante inicial. A intenção é privatizar totalmente a empresa em cinco anos, quando a maior parte do projeto já estaria concluída.
A nova companhia construirá redes de fibra ótica e sem fio e dará a provedores particulares o direito de fornecer serviços pagos. Ou seja, operará sob o conceito de rede aberta.
Para o governo, a National Broadband Network é a maior reforma no setor de telecomunicações do país em 20 anos, pois “separa o provedor de infraestrutura do provedor de serviços. Isto significa acesso melhor e mais barato à infraestrutura para os provedores de serviço, mais competição nas vendas e melhores serviços para famílias e empresas”. Atualmente, 52% dos domicílios da Austrália possuem acesso à internet. Na população total, 23% assinam serviços de banda larga.
O plano, que começará, em julho, pela Tasmânia, ilha 240 quilômetros ao sul da costa sudoeste da Austrália, foi bem recebido por especialistas. No entanto, alguns fazem ressalvas. Para o consultor de telecomunicações Paul Buddle, o governo australiano faz bem em perceber que é necessário ir além de infraestrutura e fazer investimentos em diferentes setores. “Exemplos ao redor do mundo indicam que é muito difícil construir um plano de negócios em torno de uma medida dessas, somente se baseando em acesso à internet – você simplesmente não consegue gerar faturamento suficiente para garantir tamanho investimento”, lembra em seu blog, Buddle Blog. Porém, continua, “o governo está garantindo o dinheiro investido no projeto e também direcionando o uso da infraestrutura para setores como saúde.”
Há, contudo, quem veja o emprego de tecnologia de fibra ótica como um investimento desnecessário. Os críticos vêem o uso de soluções sem fio como um caminho mais barato e flexível para a rede. O líder da oposição ao atual governo australiano, Malcolm Turnbull, afirma que os investimentos em fibra resultarão em custos mais altos para os cidadãos. “Quem hoje paga entre 40 e 50 dólares australianos para ter acesso à internet rápida terá de pagar cerca de 150 para bancar os investimentos”, declarou. Organizações de defesa da liberdade de expressão têm outro temor — que o governo de Rudd aproveite o controle sobre a infraestrutura para censurar a rede.
A administração Rudd nega as duas acusações dizendo que os investimentos farão as tarifas caírem e que não há monitoramento da rede e tampouco cerceamento das liberdades individuais.
Data: 28 de abril de 2009
Autor: Marcelo Medeiros
|