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Governança é fundamental para as Cidades Digitais

O avanço das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) já permite a criação de Cidades Digitais e a implementação de sistemas governamentais mais ágeis e competentes, mas a verdadeira integração de dados e processos ainda depende da vontade política dos governos. Esta foi a conclusão do painel “Desafios da Gestão Pública”, organizado pela Decision Report no dia 22 de setembro, com especialistas em TI, gestores de governos e do setor privado.

Os participantes apontaram a importância das TICs em todos os processos governamentais hoje em dia, mas houve um consenso de que o principal é haver governança, boa gestão e proximidade entre quem decide e quem de fato cumpre as funções no dia a dia.

Segundo os especialistas, já existem tecnologias disponíveis para fazer integração de dados e processo, mas a questão principal é de gestão: quem está no comando precisa tomar a decisão de fazer acontecer.

César Nobre, gerente de Negócios para o Setor Público da SAP Brasil, ressaltou que, quando não há governança, a implantação de novidades depende de “atos heróicos” desse ou daquele. Se há governança, diz Nobre, as mudanças acontecem naturalmente.

“Hoje temos pouca diretriz para o governo eletrônico e para as Cidades Digitais, por isso tudo anda tão lentamente. Há quem pense que integração de processos e dados é um problema tecnológico, e não é. Temos tecnologia para isso. O que falta é disposição dessas pessoas em posição de comando para tomar a decisão de fazer”, afirmou.

Lúcio Meire, secretário de TI do Supremo Tribunal Federal (STF), usou como exemplo a adoção do processo eletrônico no Poder Judiciário. A implementação do sistema, afirmou, obrigou o judiciário a se capacitar, quebrar paradigmas e promover mudanças organizacionais.

Centro de Operações do Rio de Janeiro

Um dos projetos mais recentes para integração de dados em cidades é o do Centro de Operações do Rio de Janeiro. Ricardo de Oliveira, diretor-presidente do Iplan Rio, contou que a unidade foi criada por decisão do prefeito Eduardo Paes, após as fortes enchentes que atingiram a Região Metropolitana do Rio em abril do ano passado, deixando mais de 100 mortos, a maior parte deles em Niterói.

“Em abril do ano passado o prefeito teve de enfrentar essa situação. E como mobilizar a prefeitura para isso? Teve essa dificuldade (dos serviços dispersos), e ele concluiu que deveria haver um centro de controle para mobilizar o que for preciso”, explicou.

Mas, para que o centro funcione efetivamente, os diversos órgãos municipais precisam operar de forma integrada – o que, na avaliação do presidente do Iplan, é a maior dificuldade do projeto.

“Um acidente pode precisar de vários órgãos. Se um carro bate em uma árvore, envolve a árvore, fiação, um possível atropelado... Cada problema é competência de um órgão diferente. Antes, o primeiro era acionado, resolvia, chamava o segundo, que resolvia e avisava o terceiro. Agora, quando algo assim acontece, o Centro de Operações pode mobilizar todos os recursos de forma imediata. Isso facilita a logística, o que será fundamental durante as Olimpíadas e a Copa. A tecnologia ajudou porque é tudo feito em um sistema de informação, mas o principal foi colocar as pessoas para conversar e trabalhar em conjunto”, disse.

Data: 23 de setembro de 2011
Autor: Daniela Oliveira

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