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Geotecnologia auxilia na luta contra o câncer de mama
As administrações públicas já experimentam os benefícios das soluções de geoprocessamento para monitoramento do território e segurança. Mas as aplicações dessa solução também podem se estender à área da saúde. Em parceria, a empresa paraibana de software Tecnologia em Geoprocessamento, a TecGeo, e a Imagem, apontada como líder do mercado de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), desenvolveram o OncoGIS, que auxilia no controle e no acompanhamento da incidência de câncer de mama.
O monitoramento dos casos é feito a partir do cruzamento das informações de saúde com os dados demográficos, apresentando mapas e gráficos. A proposta é melhorar a atuação dos agentes de saúde no combate à doença. Adriana Soares Brandão Rodrigues, diretora comercial da TecGeo, explica que, durante as visitas às residências, os agentes preenchem um questionário sobre os moradores. Os dados coletados são repassados para o sistema, para análise dos gestores de saúde. “Esses profissionais têm um controle maior e melhor através dos mapas produzidos de acordo com a pesquisa realizada. Já os enfermos têm um acompanhamento melhor dos agentes de saúde do município”, comenta Adriana.
A diretora comercial explica como se dá o funcionamento da solução no cotidiano. “O usuário faz a pesquisa pelo número do setor e da quadra do paciente e aparece a residência. Com a ferramenta de identificação, o gestor pode selecionar a habitação e exibir as informações sobre a pessoa”, exemplifica.
Para Adriana, o OncoGis pode ser uma “porta de entrada” para o uso da geotecnologia nos municípios. “Essa é uma solução viável para as administrações. Os gestores observam os problemas e soluções de forma mais rápida através de seus mapas”, enfatiza.
Experiência na Paraíba
Projetos com o OncoGIS foram implantados no Programa de Saúde da Família (PSF) dos municípios paraibanos de Cuité e Monteiro em 2006 e 2007. A ferramenta mostrou bons resultados no controle e acompanhamento de incidência de câncer de mama. “Em Cuité, das 2.699 mulheres entre 40 a 69 anos, 1.365 foram visitadas e inseridas no banco de dados para serem mapeadas. Em Monteiro, das 5.278 mulheres inscritas no PSF nesta mesma faixa etária, 3.608 receberam a visita”, afirma Alana Barreto, que até 2007 coordenou os projetos em Cuité e Monteiro através do Programa Estadual de Câncer.
Segundo ela, o sistema OncoGIS passou a ser usado com a proposta de mapear a doença a partir da atuação das equipes de saúde da família. O objetivo era acompanhar os encaminhamentos dessa atenção básica aos serviços de atendimento através da utilização do geoprocessamento. “A resposta que buscávamos era o mapeamento da doença e o controle dos seus riscos. O sistema nos oferece meios claros de análise da execução das ações desenvolvidas pelas equipes de saúde da família, identificando, através da imagem, a cobertura da população feminina por área cujas mulheres foram submetidas a exame clínico das mamas e a mamografia”, informa.
Em 2005, foi elaborado um projeto que contemplasse dois municípios com cobertura total do PSF para implantar a solução. Essas localidades deveriam dispor ainda de serviços especializados para o controle do câncer de mama. O próximo passo do projeto foi descrever as várias estratégias de ação. Entre as medidas apontadas estava a aquisição de equipamentos de apoio, como microcomputadores, impressoras, entre outros.
“Também foi necessária a capacitação técnica dos profissionais das equipes de saúde da família que iriam fazer a captação dos dados e a realização do exame clínico das mamas na visita domiciliar, além da contratação da empresa para o desenvolvimento do software”, completa a coordenadora, acrescentando que o projeto foi apresentado ao Instituto Avon, que selecionou a iniciativa para receber os recursos financeiros para a realização das ações de controle ao câncer de mama.
De acordo com Alana, o projeto está parado em função da mudança de gestão no Estado e nos municípios envolvidos. “Estamos em fase de adaptação dos novos gestores, pois há outras prioridades no momento. Acredito que, quando tudo for estruturado, poderemos retomar as discussões para a descentralização do projeto”, finaliza. |
Data: 22 de junho de 2009
Autor: Gabriela Bittencourt
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