Foco em Voz sobre IP e softwares de gestão
No início de 2009, uma nova gestão municipal foi empossada em São José do Rio Pardo, no nordeste do Estado de São Paulo. Com a nova gestão, novas ideias. Foi assim que surgiu o projeto de Cidade Digital do município paulista de 54 mil habitantes. A telefonia VoIP foi logo instalada e está sendo seguida por softwares de gestão, laboratórios de informática nas escolas, telecentros, serviços de e-gov e um sistema operacional próprio da prefeitura.
Para proporcionar tudo isso, uma infovia de 8 Mbps foi montada pelos técnicos do próprio município, com distribuição de sinal sem fio através de duas torres que servem à cidade de 419 quilômetros quadrados. A primeira ação foi instalar os atuais 180 ramais de VoIP. "Já obtivemos entre 30% e 40% de economia nas contas telefônicas desde que foi instalado, em meados de 2009", conta Marcelo de Paulo, diretor do CPD da prefeitura e responsável pela coordenação do projeto.
E esta economia tende a crescer. Até recentemente o VoIP estava somente nas secretarias. Na semana passada, foi instalado também nas escolas. E, para o futuro, pretende-se implantar orelhões públicos com telefonia VoIP. Inicialmente serão colocados três no segundo semestre, para a população poder se comunicar com a prefeitura. "Os munícipes solicitam serviços, ambulância, etc. ligando a cobrar para a prefeitura. Com os pontos públicos, vamos economizar mais", diz de Paula. Posteriormente, a intenção é colocar um orelhão VoIP em cada um dos mais de 30 bairros da cidade.
Paralelamente, a prefeitura investe em softwares para racionalizar a gestão. Segundo de Paula, este é o forte do projeto. Já há softwares instalados em diversas áreas, usados por uma variedade de setores e funcionários, a começar pelo próprio prefeito. Ele tem em sua sala uma grande tela com informações trabalhadas e gráficos gerados por um sistema de business inteligence (BI), que permite que ele faça consultas detalhadas a dados unificados a partir das informações geradas pelas diferentes secretarias. "Temos apostado mais nos softwares de gestão. Tendo uma boa ferramenta em mãos, sabemos onde fazer os investimentos", pontua o diretor do CPD.
Saúde, Educação e Assistência Social
Na área de saúde, também já há softwares de gestão operando, com todas as unidades de saúde interligadas. Atualmente, é possível fazer o agendamento online de consulta. Ou seja, indo a qualquer unidade de saúde da rede, é possível marcar consulta para qualquer outro posto de saúde ou hospital. Também é feito o controle de medicamentos e de farmácia: se o cidadão retira um remédio em um dos postos, isso fica registrado e a pessoa não consegue retirar o mesmo remédio em outro posto, o que evita fraudes e economiza recursos públicos. Em seguida, com a expansão do software de gestão, haverá prontuário eletrônico para cada cidadão que se consultar na rede (os médicos terão o histórico digitalizado e disponível em qualquer posto) e será possível marcar também os exames online.
Na área da Educação, os softwares para gerir a rede escolar ainda serão instalados. Por enquanto, as escolas estão recebendo laboratórios de informática, alguns deles doados pelo Ministério da Educação.
Na área de assistência social, o uso de programas de gestão está avançado e a prefeitura está desenvolvendo um sistema de cartão único. Desta forma, a SOS, autarquia municipal que realiza o atendimento social (com distribuição de roupas, cestas básicas, almoço, etc.), poderá saber que bairros precisam de mais auxílio e o que exatamente é mais necessário.
A área tributária e financeira também não está atrás. Os dados estão centralizados em um sistema que serve para alimentar e balizar os serviços de governo eletrônico que já são oferecidos e os que virão a ser lançados através do portal da prefeitura. "Os sistemas foram adaaptados para uso no portal. Os munícipes podem fazer consultas de protocolo, andamento de processos, certidões imobiliárias, segunda via de tributos, entre outros", conta de Paula. Segundo ele, o site foi relançado há pouco tempo e já tem alguns dos serviços disponíveis. Os outros estão sendo preparados − "precisamos ter as bases de dados prontas para colocar no ar", explica.
No novo portal, um dos serviços que já se encontram disponíveis tem feito bastante sucesso: o "Pergunte ao prefeito". Os cidadãos podem entrar no site − www.saojosedoriopardo.sp.gov.br −, escolher a opção no menu e enviar suas dúvidas e questões ao prefeito, que responde pessoalmente por email. No novo site, falta ainda ativar a rádio e a TV web, que consistirão, respectivamente, em streaming de uma rádio comunitária, no primeiro caso, e transmissão em tempo real de pregões e licitações, no segundo caso, para que cidadãos fora do prédio da prefeitura possam acompanhar as compras governamentais. "A transparência e a prestação de contas são uma grande preocupação", garante o diretor do CPD, lembrando que um link com a prestação de contas está disponível no novo portal.
Todos os softwares de gestão, maior preocupação do projeto de digitalização de São José do Rio Pardo, são construídos em software livre. A preocupação com os sistemas e a integração de dados é tanta que a equipe coordenada por de Paula desenvolveu um sistema operacional próprio, baseado em Linux, para uso nos órgãos municipais, que vem sendo instalado gradativamente nas máquinas usadas pelos funcionários. Segundo o diretor do CPD, não existe receio de dificuldades de uso por parte dos servidores públicos. "O sistema é adaptado para se integrar bem com os softwares e ferramentas padrão que eles usam no dia a dia", explica.
Os telecentros complementam o projeto de Rio Pardo. Há um total de três − dois nos bairros da zona urbana e um na área rural. Outros três estão sendo programados. Os locais têm programas em software livre e os rio-pardenses podem usar diariamente, das 8h às 17h. Há um limite de uso de uma hora e meia por dia. A população costuma usar para navegação, com auxílio de monitores que ajudam a encontrar serviços públicos, montar currículos e ainda fazem capacitações.
Data: 25 de janeiro de 2010
Autor: Maria Eduarda Mattar