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A inauguração do Santa Marta Digital — lançado pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia para levar internet sem fio em banda larga à comunidade Santa Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro — foi festejada pela imprensa e pelo próprio governo estadual como o primeiro serviço do tipo em um ambiente com essas características. Além do aspecto social crucial em uma iniciativa como esta, sustenta o projeto um bem planejado sistema tecnológico baseado em rádios de diversos tipos e engenharia de sinal, com equipamentos fornecidos pela Motorola e um esforço executado pela empresa Mibra Engenharia, em parceria com pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O Santa Marta Digital é, de diversas formas, uma continuação do Orla Digital, inaugurado em junho do ano passado, também pelo governo estadual, com a disponibilização de internet gratuita sem fio, em banda larga, ao longo da orla de Copacabana, praia mais famosa da cidade. Tanto se insere no mesmo projeto — que quer transformar o Rio em Estado Digital — quanto foi executado com equipamentos semelhantes.
"Do ponto de vista da tecnologia, é praticamente o mesmo tipo de produto usado nos dois casos mencionados: uma rede WiMesh, baseada na solução MotoMesh. O que muda de forma importante é o conceito do projeto. Em Copacabana, existe um apelo turístico. No Santa Marta, o apelo é social", avalia Daniel Melo, da divisão de banda larga sem fio da Motorola e responsável pelo projeto dentro da companhia.
Em comparação com o Orla Digital, a diferença nos equipamentos e na rede está na capacidade. No caso da praia de Copacabana, foi utilizada uma densidade um pouco maior de equipamento, em função de aplicações de vídeo sob demanda previstas e também do acesso de turistas à internet, através de dispositivos portáteis ou até dos próprios restaurantes da área.
No Santa Marta Digital, foram usados 16 módulos (rádios) principais, entre equipamentos da linha Canopy e da linha MotoMesh. "O sinal vem da Rede Rio [malha estadual de alta velocidade mantida pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP)] via sinal sem fio, pois há visada, passa por um módulo ponto-a-ponto, chega a um local instalado no alto do morro, onde é redistribuído para três outros rádios diferentes e, dali, para mais quatro rádios", explica Newton Trindade, diretor da Mibra Engenharia, que executou o projeto.
Na ponta, quando o sistema estiver em pleno funcionamento — o que está previsto para junho —, o sinal chegará a equipamentos móveis e principalmente ao quiosque com computadores conectados à rede, tal qual um telecentro, que a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia instalará na Praça Corumbá, na subida do morro. O local ficará disponível para que a comunidade use o serviço. Todos os dias, de 8h às 22h, os usuários poderão navegar pela rede e frequentar oficinas de informática.
O projeto é financiado pela Fundação Carlos Chagas de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e foram investidos R$ 496 mil. Além do financiamento, o que viabilizou o projeto foi a cessão, por parte da Secretaria Estadual de Segurança, de equipamentos utilizados nos Jogos Pan-americanos de 2007. Mais especificamente, foram cedidos rádios que haviam sido utilizados para a transmissão de dados e imagens do monitoramento de segurança do esquema montado para o evento.
Após o Santa Marta, o próximo passo é estabelecer redes semelhantes nas comunidades de Cidade de Deus e Rocinha, além das orlas de Ipanema e Leblon, segundo anunciou no dia 9/03 o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso. A Motorola e a Mibra se dizem prontas para essas etapas, caso sejam selecionadas. "Estamos preparados e temos interesse", diz Trindade. "A nossa vontade, claro, é estar em todos os projetos", resume Melo.
Data: 19 de março de 2009
Autor: Maria Eduarda Mattar